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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Ao fim do caminho

 Ele olhou para ela. Ela olhou para ele. Olhares sempre são a causa e o princípio de muitas histórias. E com essa não será diferente. Dia quente e sem previsão de chuva, suor escorrendo e fazendo percurso nos mais variados formatos de testas humanas. Sapatos querendo fazer bolhas nos pés e roupas parecendo cada vez mais calorosas e apertadas, grudando vez ou outra, no corpo magro e branco de Alice. Foi assim que ela o conheceu. Sempre sentado no mesmo banco de pedra da praça de São Jerônimo, com a roupa encardida, chinelo trocentas vezes remendado, cabelo crescido e despenteado, rosto sujo e dentes amarelos. Mantinha um dos pés cascudos em cima do banco e o outro descansado no chão gasto. Foi assim que Augusto conheceu Alice. ''Moça dessa idade não dá importância à Zé ninguém'', pensava o garoto que mal completara treze anos, conhecido no bairro como ''Gutinho do piolho''. Gutinho não tinha mãe e menos ainda pai, fora criado por uma mulher da qual não se sabe o devido grau de parentesco que possui. Passou a infância toda sentado naquele banco de praça, ali era sua casa. Era ali que era alimentado, vez ou outra, por alguma alma caridosa, enxotado como bicho peçonhento ou analisado da cabeça aos pés por qualquer pedestre suficientemente curioso. De qualquer forma, era ali que passava a maior parte do tempo, portanto, era a sua casa. 
 Alice desfilava todas as tardes sua magreza em frente o banco de Gutinho, ainda que inconscientemente. Não era o tipo que olhava para os lados ou parava para falar com estranhos. Simplesmente passava e ia embora sem deixar rastros ou esperanças, como o vento seco do mês de agosto. Onde ela morava, Gutinho nunca soube e nem procurou saber. Não tinha ânimo suficiente para sair do conforto de seu banco e seguir uma menina magra e desinteressada. É claro que havia um pouco de medo na história. O que poderia acontecer se um menino de rua acompanhasse uma jovem? Gutinho conhecia perfeitamente o descaso que recebia das pessoas que ele costumava chamar de ''normais''.
Os dias cada vez mais quentes, como tudo na vida, continuaram a passar enquanto Alice exibia sua magreza e Gutinho observava tudo a sua volta com um dos pés em cima do banco. Queria muito olhar nos olhos daquela garota e ver mais de perto os traços que só via de passagem, mas a jovem nunca olhou para o lado.  O garoto tentou assoviar, cantar qualquer música que escutava no coreto para ver se obtinha uma resma daquela atenção que parecia impossível de ser chamada. 
 Um dia, resolveu que seguiria os passos de Alice e descobriria o destino de todas as tardes daquele corpo magro e quase albino. Respirou fundo, levantou discretamente como se fosse um cavalheiro medieval e tentou acompanhar a menina com passos silenciosos e um tanto distantes. Depois de andar quatro quarteirões, Alice abriu os portões de uma bela casa de dois andares e já ia entrando quando uma mulher gorda, bem diferente de Alice, exceto pelos olhos que eram igualmente pretos e saltados, olhou para Gutinho e cochichou algo no ouvido da garota que pela primeira vez na vida, pareceu conseguir olhar para trás. Gutinho tinha ouvido tudo, tudinho. A mulher gorda cheia de jóias disse: não vá contar ao seu pai que o bastardo dele veio parar aqui em frente hoje!
 As lágrimas escorreram pelos olhos de Gutinho quando viu a expressão de sarcasmo no rosto da gorda e o pequeno sorriso de Alice. As duas entraram em casa. Daquele dia em diante, Gutinho nunca mais foi visto pela população.
Por: Miriã Pinheiro

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Conto de terror: O susto de Marcelo

        Já era madrugada e Marcelo não conseguia pegar no sono. Rolava e rolava em sua cama de solteiro, como se a mesma estivesse cheia de espinhos ou alguma espécie de inseto que lhe picasse a carne. Era a segunda noite de sua família na nova casa. Na noite passada havia sido a mesma coisa: não pregara os olhos. Era incapaz de compreender o motivo, já que se sentia muito cansado e tinha trabalhado muito para alguém que estava sem sono. A noite anterior foi suficiente para deixar-lhe com olheiras. Essa noite, pelo que tudo indicava, não seria diferente. Cansado de se revirar, Marcelo levantou, acendeu a luz e meio aos tombos de cansaço, arrastou uma caixa cheia de livros de todos os gêneros, os quais pensou em arrumar um lugar na estante assim que amanhecesse. Marcelo era amante de livros. Revirou a caixa e logo veio a sua mão ''Noite na taverna'' de Álvares de Azevedo. Havia ganhado aquele livro de um colega mas ainda tinha lido. Resolveu, então, iniciar a leitura. Acostumado a ler histórias de vampiros, do Drácula e terror de todos os tipos, percebeu que ''Noite na taverna'' seria tão assustador quanto!
      Enquanto estava concentrado em sua leitura, Marcelo percebeu um barulho que parecia vir da sala. Pensou que alguém teria acordado para tomar água ou algo assim. Continuou, tentando retomar a concentração, quando de repente, ouve outro barulho, parecido com passos fortes de soldados. Impressionado, Marcelo interrompe a leitura, fecha o livro e fica atento, olhos arregalados para o nada. O que seria aquele barulho e será que ele realmente estava vindo da sala? Logo pensou em seu irmão caçula, dado a fazer ''pegadinhas'' com todos os que viam em sua frente. 
     O barulho pareceu cessar, no entanto, o medo ainda mantinha seu lugar. Marcelo achou melhor desistir de ler ou fazer qualquer outra coisa e tentar dormir, já que estava precisando muito e deveria se esforçar para conseguir descansar pelo menos por algumas horas. Apagou a luz e voltou para a cama. Já deitado, levantou a ponta da cortina ao lado de si para ver como andava a iluminação da noite naquele lugar deserto. Era pouca! Sentado na cama, ficou olhando ao longe, tentando captar todos os detalhes da nova moradia. Concluiu que não tinha vizinhos, pois a casa mais próxima ficava a uns três quarteirões dali, no entanto, o lugar ainda era considerado uma zona urbana, só que parecia estar literalmente abandonado e a margem do mundo. Marcelo se sentia no meio do nada! Observando o lugar, Marcelo notou a presença de pontos brancos e salientes no chão, vindo desde muito longe e chegando até embaixo de sua alta janela de segundo andar. Notou também que alguns pontos brancos pareciam ter formato quadrado e alguns tinham uma cruz desenhada ou ao lado. Imaginou ser um cemitério abandonado. Começou a se sentir zonzo, tinha pavor de cemitérios e sabia que havia algo de errado naquela casa, afinal, seu pai a comprou por um preço de banana.
       Marcelo, confuso e com medo de estar no meio ou dentro de um cemitério, abaixou a cortina, deitou-se na cama e cobrindo todo o rosto com o cobertor, decidiu que tinha que dormir logo e de uma vez por todas. Meia hora depois estava adormecido. Permaneceu assim por mais quatro horas, quando pulou da cama com o toque estridente do despertador. Eram sete horas, estava cansado, dormira pouco e tivera um sono agitado. Hoje seria seu dia de folga, mas havia prometido a mãe que levaria o irmão para a escola e organizaria os objetos da casa que ainda estavam em caixas, portanto, tinha mesmo que levantar.
       Durante o café, perguntou a mãe:
__ Vocês saíram alguma vez para olhar o quintal?
__ Demos uma olhada rápida, filho. Por que?
__ Estava olhando pela janela ontem e percebi que o terreno todo está repleto de túmulos, isso é um cemitério.
__ Não vai me dizer que está com medo disso? Aqui foi um cemitério, mas faz uns cinquenta anos que ninguém pisa aqui, foi abandonado junto com a casa. Seu pai disse que tentará se livrar de boa parte dos túmulos, mas não sei de que jeito. O importante é que agora temos uma casa e é o que nosso dinheiro pôde pagar.
__ Não concordo em morar em um cemitério. Essa casa devia ser do caseiro que olhava o cemitério. Adivinhei?
__ Adivinhou!
         Quando todos saíram, Marcelo quis inspecionar a casa. Desceu ao porão e começou a abrir as gavetas de um antigo armário de madeira. Quase desmaiou quando encontrou retratos de mais de cem anos, velas de várias cores, cruzes e um caderno totalmente amarelado. Abriu e leu a primeira página. Entendeu que era onde constavam os nomes dos mortos daquele lugar. Sentiu ânsia, frio na barriga, tontura e medo de estar sozinho e o pior, morando em um cemitério abandonado. Queria acreditar que tudo aquilo era uma piada, que estava sonhando ou que era fruto de sua imaginação. Mas o cheiro de morte daquele lugar não o deixava pensar em outra coisa. O próprio portão da casa era de cemitério, como não relacionou isso antes?
        Saiu correndo, queria ultrapassar aquele portão horroroso e sair daquele lugar o mais rápido possível mesmo que não soubesse nem tivesse para onde ir. Chegou ao portão, mas estava trancado. Voltou para casa para ver se sua mãe havia deixado a chave, mas as portas da casa também estavam trancadas, somente a portinha que acabara de sair do porão estava aberta e esta não levava para dentro de casa. Ficou aflito, desesperado e começou a gritar sem parar. Estava sozinho e preso entre centenas de túmulos. Em meio aos berros e suor, acordou, estava deitado em sua cama dentro de sua bela casa amena e sossegada, cercada por vizinhos gentis. Pegou o celular e olhou o calendário para saber que dia era e em que ano estava. O pesadelo parecia ter durado séculos. Era sexta feira 13.
Por: Miriã Pinheiro

História de Tereza

       Tereza estava deitada em seu quarto, pensando no que poderia fazer para ocupar seu tempo livre. Essa vida de dondoca não é nada fácil! Já tinha feito lindos bordados, já arrumara e enrolara os belos cabelos louros, já dobrara delicadamente seus lenços brancos de moça casta e também já havia feito seu costumeiro passeio a cavalo. No entanto, ainda eram três horas da tarde de terça feira. Tereza gostava de ficar trancada em seu quarto sonhando com o dia em que poderá ser livre. Não que ela não viva feliz na fazenda de seu pai, o reverenciado Coronel Adail Custódio, mas essa não era a vida que ela tanto almejava viver. Capricho de moça mimada? Talvez. Só sei dizer que Tereza tinha vontade de sair, usar vestidos menos compridos, fazer um penteado diferente ou até quem sabe colorir os cabelos. Morria de inveja quando ouvia falar de sua prima Dalila. Dalila era livre, do jeito que ela queria e merecia ser. Dalila tinha cabelos curtos, os quais já havia trocado de cor umas três vezes. Além disso, foi a primeira mulher da cidade de Belmont a usar calças compridas, iguais as dos homens. Todos criticavam os costumes de Dalila, menos Tereza, que se sentia cheia de coragem quando desabafava com a prima sobre sua vida tediosa e ouvia seus conselhos de moça da cidade. No entanto, Tereza logo desanimava quando olhava para o semblante sério do pai, sempre capaz de qualquer coisa para defender a honra da família. Ainda mais ela, que era a única filha moça e caçula, sendo os outros dois irmãos homens valentes e mais velhos. Tereza simplesmente se via sem esperança. Vivia a espera de um pretendente com quem pudesse casar e ir para a cidade, mas até agora nada! Mas, para falar a verdade, não era bem isso que Tereza queria, ela queria mesmo era ser livre. Tomou ''O primo Basílio'' nas mãos e começou a ler, afinal, isso era a sua única distração contra as horas que pareciam se arrastar, principalmente nos dias sem sol.
       Como tudo na vida passa, a longa terça feira de Tereza também passou e se foi no meio de tantas outras terças feiras tediosas que tivera em seus dezoito anos de vida. Sábado chegou e por coincidência, era véspera de natal. Tereza até tinha se esquecido disso, os dias para ela eram quase sempre iguais, só tinha percebido a diferença quando notou a correria de sua mãe ordenando as criadas para matar tal boi, tal porco, tal peru, fazer tal doce, tal arroz etc. Tereza até gostava um pouco de natal, principalmente quando se lembrou que Dalila viria junto com seus outros primos e seus tios. Mas dentre tantas pessoas, Tereza só se importava em conversar com Dalila.
       A noite chegou, todos os parentes e convidados já haviam chegado também. A ceia ocorreu como sempre: sua mãe falando para suas tias o quanto é difícil controlar aquela casa, pois não se fazem mais criados como antigamente. Seu pai exibindo sua valentia para os outros homens da família que pouca diferença tinham dele. Para Tereza eram todos homens barbudos, fedidos e estúpidos, por isso sempre dizia para si mesma que pensaria bem antes de casar, a não ser que fosse obrigada a casar com alguém igual a eles e sabia que esse seria o acontecimento mais provável se continuasse aceitando aquela vida. Tereza sabia que sua mãe não era feliz. Foi casada pelo pai, que escolheu o noivo. Ela dizia que com o tempo aprendeu a amar o Coronel, mas Tereza sabia que bem lá no fundinho ela gostaria de ter escolhido outro marido. Enfim, Tereza estava farta de ver mulheres infelizes, farta de não ter liberdade, de não ter o que fazer, de não poder ajudar as criadas, pois ''filha de coronel não nasceu para essas coisas'', farta de sua vida sem graça, monótona e vigiada pelos irmãos que não permitiam que ela fosse a cidade sem a companhia de um deles.
     Subitamente, Tereza sentiu um enjoo no mais profundo de sua alma aflita, levantou-se da mesa, no final da ceia e correu para o seu quarto cheia de vontade de chorar. Todos pararam para observar a atitude. Sua mãe interviu:
__ Não liguem muito para Tereza! Essa menina leva uma vida de rainha, mas parece nunca estar satisfeita. De uns dias para cá anda muito estranha, quase não conversa, parece que tem algum plano secreto e está com medo que alguém descubra.
     Tia Benta, mãe de Dalila disse:
__ Por que vocês não mandam Tereza para passar uns dias em nossa casa? Adoraríamos tê-la conosco, além de ser muito amiga de Dalila. Assim as duas se entendem e quem sabe ela não arruma um bom partido por lá e volta mais animada para a casa.
     O Coronel, que já estava quase rangendo os dentes por causa da conversa, disse em alto e em bom som:
__ Não é porque a filha da senhora é uma perdida que a minha deve ser também. Filha minha não passa dias na casa de parente nenhum, menos ainda na companhia de sua filha que tem se comportado como uma legítima mulher da vida!
__ Olhe lá como o senhor fala Coronel! Minha filha é independente. Tem só vinte e um anos e já é dona do maior salão de beleza de Belmont. Minha filha sabe o que é viver.
     Felizmente, Dalila não estava mais a mesa para ouvir a insensata conversa a seu respeito, tinha saído logo depois de Tereza, para o mesmo lugar que a mesma, para tentar consola-lá.
    As duas estavam no quarto, Tereza gritou:
__ Por favor, Dalila, me ajude! Eu quero sumir dessa gente, eu quero viver, tenho sede de liberdade. Não suporto mais essa vida medíocre. Eu queria ter a sua coragem. Você é feliz porque nunca conheceu seu pai e sua mãe sempre te ajudou a crescer na vida, já eu sou uma miserável fadada ao tédio e ao casamento forçado. Por favor, me ajude, me dê uma ideia.
__ Se acalme Tereza, vamos pensar em alguma coisa para você sair daqui. Eu sei que seu pai nunca te deixará ir morar em Belmont comigo, então temos que arrumar outra solução.
__ Mas qual, minha querida prima? Qual? __ Gritava Teresa com a voz entrecortada pelas lágrimas que jorravam violentamente de seus olhos azuis.
__ Tereza, arrume algumas roupas, mas não muita coisa que amanhã quando seu pai e seus irmãos tiverem saído e sua mãe tiver no rio supervisionando as criadas a lavar roupa, mandarei um amigo meu te buscar de carro. O nome dele é Angelo, você vai adorar. É um rapaz alto, bonito e muito engraçado.
__ E se alguém me ver na estrada ou me reconhecer na cidade? E se alguma criada ou minha mãe ouvir o barulho do carro? O que farei Dalila? Não vejo solução cabível para a minha vida.
__ Faça como falei. Espere até que todos estejam longe e ocupados. Arrume suas coisas e espere no meio do canavial. Ninguém anda por lá! Você sabe disso. Mas tenha coragem, não pule para trás, estou querendo te ajudar, pois é minha melhor amiga e prima.
__ Eu sei Dalila. Mas para onde irei quando vier me buscar?
__Deixarei que fique escondida na fazenda de Angelo. É bem longe daqui... E quando as coisas acalmarem e todos tiverem esquecido de seu desaparecimento, aí você será maior de idade e poderá viver livre, assim como eu.
__ Muito obrigada minha prima, não sei o que faria se não fosse você! Terei coragem e farei o impossível para ter felicidade nessa vida.
__ Vai valer a pena, querida Tereza. Acredite nisso.
    As duas se abraçaram. A ceia passou, todos foram embora, Tereza dormiu.
    No dia seguinte, conforme o combinado, aguardou ansiosamente até que todos os moradores da casa estivessem ocupados. Colocou algumas mudas de roupa e fez uma trouxa. Cobriu a cabeça com um pano negro, por segurança, caso alguém a visse de longe. Mas felizmente ninguém apareceu. Tereza foi para o meio do canavial e ficou surpresa ao ver que o carro de Angelo já estava ali.
     Angelo, era ainda mais bonito do que Dalila havia descrito. Tinha uma rosa entre os dedos. Cumprimentou-a sorrindo com belos dentes brancos:
__ Bom dia, a senhorita deve ser Tereza. Vim a pedido de Dalila e trouxe essa rosa para cumprimentá-la. A senhorita é bem mais bela do que Dalila me descreveu. Mas ande, vamos, entre no carro que no caminho conversaremos mais.
__ Obrigada. Você deve ser Angelo. Fico grata em conhecê-lo.
      Foram as palavras de Tereza enquanto estava entrando no carro, sentindo suas faces queimarem por estar a sós com um homem que não fosse seu pai ou um de seus irmãos.
    O carro foi seguindo e Tereza sempre calada. As vezes Angelo lhe perguntava algo, mas sempre com o maior respeito e gentileza, de um jeito que ela nunca vira seu pai falar com sua mãe.
    Foi um pouco mais de uma hora para chegar a fazenda que Angelo morava. Ao chegar, percebeu que Dalila já estava a esperando na porteira. Recebeu-a com um abraço apertado e mil elogios pela coragem e confiança. Tereza entrou  e foi bem recebida pelos pais e pela irmã de Angelo. Aquela gente parecia conhece-la há anos. Dona Joana e seu Alceu, pais de Angelo, mostraram seu quarto e ajudaram-na a arrumar suas coisas juntamente com Dalila. Tereza se sentia em casa!
    Por um momento ficou nervosa ao pensar que estava indo morar na casa de um homem, mas toda a gentileza da família acalmou sua timidez. Dalila foi embora cuidar de seu salão, dizendo que todos os dias viria visitá-la. E realmente cumpriu sua promessa.
     Doze anos se passaram desde aquele dia. Tereza e Angelo se casaram naquele mesmo ano. Hoje Tereza é mãe de Maria Cecília, nome que é de sua mãe. Maria Cecília passa a maior parte do tempo no salão, junto com Dalila. Tereza, hoje, tem os cabelos curtos e negros e o vestido quase não procura mais, prefere as calças compridas, principalmente quando esta ajudando Dalila a lavar os cabelos das clientes. Os pais de Tereza a veem de vez em quando, mas nunca falaram nada sobre a fuga, apenas cumprimentam e perguntam da vida, do marido e da filha.
    Hoje, Tereza é a mulher mais feliz do mundo!
Por: Miriã Pinheiro