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terça-feira, 9 de setembro de 2014

... essa metamorfose ambulante

Hoje eu quero mudar, amanhã talvez eu não queira mais! O que eu decidi ontem, decidi de novo hoje. Amanhã, talvez eu decida outra coisa. 
Não quero viver em estagnação, perpetuidade ou em um eterno ''banho-maria''. Maria que é Maria toma banho em muitas águas. E eu sou Maria. Não no nome, mas na essência. E eu quero mudar. Prevejo outra metamorfose! Sou borboleta esperando para poder alçar o primeiro voo. Sou uma asa quebrada esperando o milagre da cura. Sou uma confusão, um erro, uma contradição, um neologismo. Sou quem fala dos outros, falando de mim mesma e confesso os mais íntimos pecados nas palavras que vazam da boca. Sou uma expressão que busca sentido, mas um sentido que não faça sentido porque eu não sei fazer sentido! Tenho sentidos de sentimentos, mas não de explicação. Não sei me explicar. Só sei que quero mudar. Arriscar minha pele branca mais uma vez no desconhecido do meu interior fantasmagórico e acostumado a me pregar as mais estranhas peças. Sinto um desejo enorme de manifestar minhas emoções e ao mesmo tempo fugir delas... Quero uma explicação coerente para minha confusão, ou então seguirei confundindo o que não é para ser confuso.

Por: Miriã Pinheiro




quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Um dia perturbador

Chegar da escola esgotada, pensando em jogar um balde de gelo na cabeça, na esperança de conseguir acordar dessa dura realidade que a profissão tem me apresentado nos últimos dias, tem sido uma rotina. Nunca sei se é só comigo ou se é mais comigo. Só sei que até colocar a mão na cabeça dói quando chego em casa a noite. 
Entrar em uma sala de aula, fazer das tripas coração e se virar do avesso para conseguir um mínimo de atenção está me esquentando as engrenagens. O pior é entrar em uma sala se sentindo cheia de vontade de ensinar, de compartilhar qualquer coisa que seja, de explicar um tema ou até mesmo de receber algum respeito e depois sair de lá desgostosa, mal-humorada, com dores de cabeça e com a autoestima lá embaixo por não ter conseguido atingir um único objetivo está me deixando cada dia mais para baixo. Ultimamente tem sido raras as vezes que consigo sair um pouco agradecida e um tiquinho feliz de alguma sala de aula. Na maioria das vezes saio torcendo para nunca mais ter que entrar em uma. 
Já cansei de dizer que amo minha profissão e amo três vezes mais a matéria que escolhi estudar. Mas tenho asco à desrespeito e malcriação. Estou cada vez mais cansada de viver em um país onde leis só existem de enfeite e onde os direitos de uns são o tormento de outros. Cansei de viver em um lugar desequilibrado e preocupado apenas com coisas fúteis e sem cabimento. Estou farta de ver versões adaptadas de modos antigos que funcionavam muito bem, tornando-se meros museus, enquanto a falta de vergonha na cara tem assumido o papel de protagonista dessa nação. Algumas coisas só mudaram com a clara intenção de piorar! 
E ainda por cima é comum ouvirmos opiniões de quem nunca entrou em uma sala de aula ou que já saiu dela há muito tempo. São poucos os que tem coragem de enfrentar, mas quando o assunto é criticar, atrapalhar ou apresentar soluções absurdas, o número cresce instantânea e exageradamente. 

Por: Miriã Pinheiro

sábado, 30 de agosto de 2014

Abandonei...

Em algumas horas, sou quase toda tomada de uma saudade insana de algo que não sei dizer exatamente o que é. Talvez seja saudade de algum vento macio que um dia bagunçou meus cabelos ou das gotas de um chuvisqueiro charmoso e geladinho que um dia escorreu no meu rosto. Desde que, como dizem por aí, entendo-me por gente, sempre me senti ou me achei um pouco estranha. Mas não é estranha no sentido ruim, mas talvez também não seja para o bom sentido. Ser estranho nem sempre é elogio, porque ninguém gosta muito de receber tão simplista adjetivo. 
As vezes, quando decido que vou usar algum perfume que há muito não uso, logo na primeira esguichada do líquido, já começam a dançar mil lembranças em minha mente. Lembranças do que fiz e onde estive, tendo aquele perfume como ''trilha aromática''. Imediatamente fico possessa de uma sensação que não sou capaz de explicar se é boa ou ruim. Ao mesmo tempo bate aquela alegria em reviver rapidamente alguns momentos bons e de repente, quase simultaneamente, bate uma leve depressão por saber que tudo aquilo já passou e nunca mais vai voltar. Você pode até fazer as mesmas coisas, mas aquele momento é aquele momento e este é insubstituível. E o que acho mais estranho em mim não é a sensação que acabei de descrever, até porque tenho certeza que uma ou outra pessoa deve saber do que estou falando. Mas sim o fato de ter abandonado muitas roupas, perfumes, bolsas, sapatos e ideias, artigos antes tão usados e amados, que hoje me causam uma sensação mista entre repulsa e carinho. Algumas roupas parecem me levar para lugares que não faço mais questão de estar. Alguns sapatos me levam de volta ao caminho de pessoas que jurei que nunca mais passaria perto. E alguns perfumes me trazem cheiros de uma antiga esperança que outrora se misturou à indiferença. Algumas ideias também já foram deixadas de lado para dar espaço às novas e nunca pensadas. Tenho quartos escuros e abandonados dentro de mim. Carrego gavetas secretas,  trancadas e uma sujeirinha aqui e outra ali. Sou transporte principal de emoções e sentimentos. Possuo uma carga incontável de sensações e pensamentos. Mas apesar de tudo isso, tenho tido uma única certeza: em certas coisas, não faço mais questão de mexer.

Por: Miriã Pinheiro

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Compartilhando lamentos

Assim que dei o meu primeiro suspiro de vida nessa Terra rodopiante e mal-habitada, passei a dar o melhor de mim em cada ação que vou praticar. Não adianta, nasci assim e fazer as coisas de qualquer jeito nunca funcionou muito comigo. Não sei empurrar com a barriga situações catastróficas, levar a vida aos trancos e barrancos ou simplesmente fingir que não estou percebendo um desastre logo em breve. Em tudo o que vou fazer, tento depositar todas as minhas forças físicas e intelectuais, tomando conta de cada mínimo detalhe do campo que estou compenetrada. Deve ser por isso que fico cansada com uma rapidez inexplicável! Minhas ações exigem de mim o máximo de atenção possível, esgotando até a última gota da garrafa rasa das minhas forças. 
Quando vou tomar um banho, por exemplo, não sei entrar no banheiro e sair correndo como se fosse um gato com medo de água. Eu realmente estou debaixo do chuveiro para me molhar, portanto só saio de lá quando o serviço estiver muito bem feito. É claro que não se pode comparar a vida com banhos femininos. Mas tudo o que faço, é feito com a maior intensidade do meu ser, até mesmo os atos mais simples e cotidianos. O meu melhor está sempre por aí, contido em enorme quantidade nas palavras que digo e escrevo, nas pessoas com quem converso, nos trabalhos que realizo fora ou dentro de casa e nos sorrisos que distribuo pelas ruas da cidade. Reconheço também que o meu melhor, é apenas o melhor para mim e não o melhor para o mundo ou ''o melhor do mundo''. O máximo para mim, pode ser equivalente a um pedaço de graveto queimado para você e aceito essa condição com a maior tranquilidade.
Por isso, decidi que não vou mais me recriminar ou menosprezar, como se fosse uma juíza cruel e sem escrúpulos. Tudo o que fiz foi de verdade. Tudo o que disse foi sincero. Se o resultado foi surpreendente ou decepcionante, nunca terei o desgosto de afirmar que foi por falta de vontade. O meu melhor me custou caro, o meu esforço era tudo o que eu tinha... Não vou tolerar que me culpem por não ser o suficiente para determinada situação. A partir de agora, vou tentar me concentrar em ser o suficiente para que eu viva em paz e siga derramando por aí, a absurda quantidade de amor que jorra de todas as minhas mais simples ações.
Por: Miriã Pinheiro



terça-feira, 19 de agosto de 2014

Conclusão de um dia conturbado

Tenho tido a impressão de que tentar ser boa o suficiente é impossível e quase nunca funciona. Ter atitudes admiradas e virando alvo certo de elogios e puxa-saquismos tem se tornado um artigo cada dia mais desnecessário na minha lista de prioridades. Meu gosto nem sempre vai ser motivo para o agrado comum de gregos e troianos e nem será a razão da paz no Afeganistão. Minha tentativa de enquadramento nunca será a causa de festas pelo mundo e muito menos acabará com a fome da Terra. Por isso, cansei de tentar fazer o melhor para os outros e o pior para mim. Na ânsia de tentar agradar, tenho desagradado a mim mesma com tantas tentativas estúpidas de mostrar que não sou fútil, fraca ou insensata. Sou mulher e me considero livre. Estou muito distante de querer ouvir e sentir o estalo da chibata ou o discurso machista de qualquer um que queira podar às asas da minha liberdade. Lembrando que conheço muito bem a discutida diferença entre liberdade e libertinagem. E da segunda opção, posso dizer com a boca cheia que sou abertamente contra. Minha liberdade consiste no meu poder de escolha e de decisão. Quero decidir o que quero e na hora que quero. E se amanhã, por acaso, eu acordar com algo entalado na garganta, farei o impossível para mudar de ideia e de rumo. Da minha liberdade eu quero ser autora e dela quero ter o prazer de desfrutar sem o mínimo teor de culpa por querer ser eu mesma e comandar minhas atitudes. Teimosa, encrenqueira, maluca? Que nada! Pelo contrário, tenho tentando nos dias que se seguem, buscar o meu sublime e esperado lugar ao sol, sem precisar participar de discussões sem nexo ou empurrar quem já está na frente. Tenho plena e absoluta consciência do meu lugar e espaço naquilo que coloco a mão. E raramente, alguém me verá voltando para trás!
Por: Miriã Pinheiro



segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Cotidiano enfeitado

Sou repleta de quereres tão simples que sempre acabo levando fama de complicada e inquieta. Mas, na verdade, complicado é quem não consegue compreender desejos tão singelos quanto os meus. Não quero caviar, algas marinhas e cogumelos. Não almejo conquistar um closet lotado e um arsenal de sapatos caros. Nem de longe penso em querer ter um carro de último modelo ou um apartamento de frente para o mar. Quero o simples, o palpável, o visível e o amável.
Quando criança, gostava de customizar minhas roupas e mochilas com cola glitter. Eram desenhos de corações, flores um tanto desajustadas, contornos irregulares e meu nome escrito em diferentes formatos de letras. Minha mãe, coitada, ficava com vergonha em ver a filha toda chapiscada de glitter, mas não havia meios de me convencer à dar cabo de tal mania. Cresci, não faço mais desenhos em roupas e mochilas, mas ainda gosto de ter o prazer e a ousadia de construir meu futuro e meu destino com as minhas próprias mãos com esmalte vermelho. Fico feliz quando posso mudar, adaptar, contornar uma situação e adequá-la até que fique exatamente do jeito que imaginei. Minhas pretensões são as mais simples que alguém poderia ter. Não desejo conquistar o inalcançável, o surpreendente e o mais cobiçado. Não estou afim de ganhar mil dólares por semana ou de viajar para a Europa todo o ano. O que eu quero é a simplicidade de um cotidiano enfeitado de balões coloridos e repleto de corredores decorados com as mais belas flores. Quero tirar a felicidade para dançar em uma noite de lua cheia e fazer dela minha eterna companheira de vida e de dança. Quero ser livre para correr nos corredores harmoniosos do meu cotidiano e esbarrar todo dia com a tranquilidade que tenho buscado por noites a fio. Correrei, esbarrarei, dançarei e da minha vida serei a  principal autora.
Por: Miriã Pinheiro

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Dúvidas e mais dúvidas

Um dia, gostaria de poder mergulhar dentro de mim e conhecer todos os meus segredos. Sim, eu sei que tenho segredos meus que nunca conheci de verdade. Tenho muita vontade de conseguir decidir o que verdadeiramente quero ou não para a minha vida. Queria ter coragem suficiente para dispensar qualquer coisa que me fizesse mal ou que me trouxesse dúvidas. Adoraria poder desenrolar esse emaranhado de ideias que se misturam constantemente dentro do meu cérebro recheado de poesia e música. Gostaria de ter tendência a optar sempre pelo mais fácil e menos complicado, pois gostaria muito de ter a cabeça e o coração um pouco mais leves e tranquilos do que tem sido nos últimos dias.
 Houve momentos em que tudo o que eu queria era me mudar de dentro de mim e tentar ser outra pessoa um pouco mais despreocupada, livre e consequentemente mais feliz. Assim como quase todas as pessoas do universo, eu também passo por dias e mais dias em que nada parece estar bom ou no lugar exato. Tem dias e noites que fico lembrando que quando era criança, nunca imaginei que passaria por um momento tão confuso como o de agora. Confusão que não me deixa decidir e assumir as consequências daquilo que quero. Dúvida que se une com a confusão na tentativa de não deixar que eu decida se vai ser assim mesmo ou se vou mudar tudo até que fique ao meu gosto. 
Por: Miriã Pinheiro

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Escrever

Encontro na escrita o mais belo refúgio para minha alma que vive esgotada de tanto fazer reflexões automáticas sobre a vida, a existência e a felicidade. Escrever é o mais nobre ato que descobri para expor a mim mesma, demonstrando em forma de palavras, minhas emoções exacerbadas. Quando escrevo, meu coração fica iluminado. Não porque penso em coisas bonitas e sublimes, mas porque posso ser eu mesma quando tenho as palavras em meu domínio. Sinto que não escrevo as palavras, mas elas me escrevem. Conhecem mais de mim do que talvez eu delas. Abrem-me de maneira delicada e única, fazendo-me entender o desconhecido mar que sempre habitou dentro de mim. As palavras são minhas pedras preciosas. Deixá-las presas dentro de mim, seria egoísmo e tortura para ambas as partes!
Quero deixar fluir de dentro de mim esse rio de sentimentos. Rio de águas claras e as vezes escuras. Rio limpo, sincero e amoroso, mas nem sempre cristalino.
Escrever é limpar, varrer e retratar os mais pequenos, detalhados e sensíveis átomos do pensamento. Escrever é deixar ser usado pelas palavras, letras e verbos. A escrita é a mais verdadeira demonstração de liberdade. 
Seguirei meu caminho na busca contínua pelas palavras certas. Deixarei que elas me descrevam e sei que sempre estarão a minha disposição nos mais silenciosos momentos de tormento e confusão. Eu escrevo e as palavras me escrevem. Escrevi, escrevo, escreverei e continuarei escrevendo. Farei de todas as palavras, as minhas palavras e seguirei dançando ao som de fonemas e versos. 
Escreverei para livrar minha alma. Escreverei para salvar minhas ideias, traduzir minhas dores e completar meu coração. Escreverei e encontrarei a liberdade, pois quem escreve é livre!
Por: Miriã Pinheiro

terça-feira, 8 de julho de 2014

Gabriela

''Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim.'' (Dorival Caymmi)

 Sempre que paro para pensar sobre meu jeito e algumas de minhas atitudes mais banais, acabo tendo ainda mais certeza de que sofro do ''complexo de Gabriela''. Não estou nenhum pouco presa a risos, gargalhadas ou críticas sem fundamentos. Odeio perder meu tempo com conversa fiada e gente sem objetivo. Tenho pavor de ficar desperdiçando saliva com quem nada tem para acrescentar, a não ser vergonhas, invejas e decepções. Não estou nenhum pouco disposta a participar de reuniões que incluam pessoas viciadas em qualquer tipo de droga que converta seu comportamento já ridículo por natureza em algo ainda muito pior e indecente. Não tenho o menor saco para aturar gente vazia que tenta se encher de qualquer coisa que encontra pela frente. Minha tolerância não existe para quem acha que a vida é um Reality Show! Eu sou assim: arcaica, ultrapassada e conservadora.
Eu nasci assim e não vou perder o sono só por engordar alguns quilos ou por ter saído de casa com o cabelo molhado. Não vou abaixar a cabeça se for surpreendida na rua de chinelo verde e calça desbotada. Sem dúvidas, não ficarei com vergonha em falar que tenho estrias como qualquer outra mulher de carne e osso e menos ainda em dizer que não sou louca por sapatos. 
Talvez, seja a maior novidade dizer que estou pouco me lixando para horóscopos e que saber que sou de Touro, jamais seria suficiente para prever minhas atitudes.
Quando o assunto é cozinha ou casa, tenho que dizer que me sinto muito bem cozinhando e não tenho medo de que pensem que sou tapada ou submissa. Desde quando gosto é sinônimo de submissão? Sou tão submissa que prefiro abolir os filmes de romance e dar lugar para os de terror, já que emoções fortes me definem melhor. 
Pedir para os outros fazerem o que eu tenho que fazer também é assunto delicado. Ninguém parece fazer tão bem minhas coisas quanto eu mesma. Dou o melhor de mim em tudo o que faço e sempre almejo a primeira colocação. Eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim, Gabriela, sempre Gabriela.
Por: Miriã Pinheiro

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Limpeza

''Se pudesse abrir a cabeça, tirar tudo para fora, arrumar direitinho como quem arruma uma gaveta. Tomar um banho de chuveiro por dentro.''
(Caio Fernando Abreu)

Quem nunca leu o pensamento citado acima e quase ficou louco de tanto que se identificou? Tenho certeza de que a maioria das pessoas, já imaginou o quanto seria bom poder abrir a cabeça e tirar tudo o que está vagando lá dentro e colocar cada coisa em seu devido lugar, além de poder fazer uma completa faxina naquilo que fosse desnecessário. Sem dúvida alguma, Caio F. Abreu sabia muito bem como transformar suas brilhantes ideias e seus reais sentimentos em palavras fáceis de compreender, deixando que o leitor ''colocasse os pés em seus sapatos'' e entendesse o quanto os sentimentos humanos são parecidos.
Trazemos isso para a nossa vida e pensamos o quão bom seria se pudéssemos fazer uma faxina em nossas emoções. E até podemos, só que não é tão simples quanto dizem os psicólogos e seus afins. Colocar nossos pensamentos, emoções e sentimentos em seus devidos lugares e eliminar o desnecessário não é tão fácil o quanto parece. Se pararmos para refletir por alguns minutos, chegaremos a conclusão de que dentro de nós existem velharias cheias de teias de aranha, da qual não usamos mais, mas ainda temos uma certa dificuldade em nos desfazer. Desfazer do que já foi fincando em nosso interior é um processo bem complexo, porque sempre tem algo que já está embutido em nosso ser e é difícil se livrar tanto por uma forma de apego, quanto pela dificuldade em descolar algo que já está bem colado.
A maioria de nós passa o tempo todo remoendo mágoas passadas, acumulando dores desnecessárias e cultivando o que já passou da hora de jogar fora. Além de tudo, temos a incessante mania de ter medo de situações que provavelmente nunca ocorrerão. Ficamos com aquele pressentimento, aquele pensamento atrevido nos cutucando sem haver a menor necessidade dele estar ali.
É extremamente complicado se livrar do inútil, mas todo esforço é válido quando o objetivo é ''tomar um banho de chuveiro por dentro''. Não podemos mais viver na corrosão, na miséria psicológica e no medo fantasioso, precisamos limpar e deixar que escorra a vontade a água encardida da aflição.
Por: Miriã Pinheiro

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Insatisfação

Insatisfação: eterna perseguidora do coração e da alma humana. É ela que me faz acordar todos os dias querendo ter uma vida diferente. Lembrando, que ''querer uma vida diferente'', não significa que se é infeliz, perfeccionista ou praticante ativo da arte de reclamar, mas sim uma demonstração da vontade que habita em  nós de crescer na vida. 
Por diversos momentos, me pego tentando descobrir qual será o dia em que vou acordar e perceber que minha vida está da maneira que eu gostaria que ela estivesse. O dia em que vou poder tomar meu café da manhã sem ficar matutando no que possivelmente me falta para, enfim, me sentir completa.
Queria também, poder saber, se verdadeiramente existem pessoas satisfeitas nesse mundo ou se apenas aprenderam a disfarçar suas insatisfações, o que me torna uma reclamadora de primeira classe. Queria conhecer mais a fundo a alma de quem aparentemente está sempre tranquilo. Seria mesmo possível alguém viver em uma constante tranquilidade ou isso seria somente uma mera impressão de minha mesquinha mente humana que insiste em acreditar que os outros possuem uma vida melhor do que a minha?
Insatisfação, essa musa vestida de roxo que ou nos faz levantar da poltrona da sala e sair em busca daquilo que almejamos ou nos perturba deliberadamente brincando de roda nas imaginações mais concretas e realistas. Musa constante, firme e mal humorada.
Quem dera, um dia, expulsar essa petulante do meu caminho e eleger a paz como a guia principal dos meus míseros anseios. Paz que nos faz acreditar, procurar e esperar, brigar mas também saber a hora de aceitar. Paz que conhece o dia, a hora, o lugar e a necessidade. Paz que neutraliza os resíduos negros de onde vamos caminhar.
Por: Miriã Pinheiro

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Refazer

 Por diversas vezes, sinto-me cansada por carregar tantos sentimentos dentro do peito. A desconfiança tem sido minha companheira. Acho que as pessoas são muito injustas umas com as outras e eu não me vejo mais capaz de acreditar nelas, pelo menos por enquanto. Eu gosto de colocar minha confiança em um pedestal e acreditar que ela é o tesouro mais precioso do mundo, até porque se eu não acreditar nisso, tenho certeza de que ninguém dará a mínima importância. Quando entrego esse tesouro nas mãos de alguém, não lhe dou o direito de quebrá-lo ou vende-lo. Dou muita importância para as coisas que cultivo em meu coração. 
Uma vez machucada, nunca mais serei a mesma. Posso até, quem sabe, ficar um pouco parecida ao que era antes, mas nunca voltarei a ser igual. Serei invadida pela insegurança, pelo medo e pela sensação de desconfiança. A questão é: eu quero ser tratada como uma pedra preciosa e ponto final. Mereço respeito, fidelidade, atenção e mereço ''poder confiar'' em todos aqueles que desejam, a fundo, fazer parte da minha vida.
Não quero mais carregar o peso da desconfiança nas minhas costas, nem o desgosto na minha mente. Quero que tudo volte a ser puro, intacto e inocente. Tenho pedido isso a Deus todos os dias, mesmo que em pensamento: quero voltar a acreditar e quero seguir em frente acreditando em mim e naqueles que ousaram me despertar amor. Quero tranquilidade, paz, desejos saciados e uma eterna confiança naquilo que eu não posso ver. Preciso de uma medida transbordante de alegria, paixão, carinho e segurança. Preciso, mais do que tudo, ser feliz.
Por: Miriã Pinheiro

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Mania

Todo mundo já deve ter ouvido o famoso ditado: ''cada louco com a sua mania''. E realmente, é mais ou menos isso o que acontece conosco. Somos todos loucos, não necessariamente com problemas mentais, mas loucos por sermos seres humanos defeituosos, complicados, etc. E não basta sermos loucos, também temos nossas manias. E cada louco que encontre a sua!
A louca que vos fala, desde criança, sempre foi apaixonada pelas palavras e pela escrita. Na minha opinião, a boa escrita é a habilidade mais bela de todas. As vezes pego um texto na mão e fico observando sua estética, suas figuras de linguagem, seus parágrafos, suas vírgulas, seus pontos, pelo simples prazer de contemplar uma escrita de categoria ou pelo menos aceitável.
No entanto, a escrita não poderia existir se não houvesse a leitura. A leitura é a base da vida e da sabedoria. Não digo que só se encontra a sabedoria em livros, mas também, não dá para aprender sem usá-los em algum momento. 
Para mim, a leitura de um livro já começa na capa. Deve ser por isso que eu sempre tive fascinação por bibliotecas, livrarias e livros velhos de capa dura. Acredito que dentro deles estão depositados milhares de mistérios, segredos, curiosidades. A curiosidade, quando bem usada, é também uma fonte inesgotável de sabedoria e descobertas. Não é atoa que os maiores inventos surgiram da curiosidade e os maiores e mais renomados inventores não passam de meros curiosos desse nosso mundão.
Acredito também, que as coisas boas da vida estão unificadas ao sabor dos mistérios. Um bom livro de ficção, por mais absurda que seja sua história, sempre nos dará a sensação de ''e se isso fosse verdade?'' ou melhor ''e quem me garante se isso não é mesmo verdade?''.
Por: Miriã Pinheiro

domingo, 22 de setembro de 2013

Nossos queridos problemas

 Como qualquer outra pessoa do mundo, as vezes sinto o desejo de ser diferente do que sou. Sinto vontade de não ter passado por nem 10% do que passei, embora existam mil e uma pessoas com situações 10 vezes piores do que aquelas que eu considero ruins. A vida, com certeza, não é fácil para ninguém! Nem para mim, nem para você, nem para aquela mulher que tem tempo para ficar o dia todo na academia e tem o corpo que você gostaria de ter. Você pode não acreditar, mas sem dúvida, sua vida pode ser mais alegre e menos monótona do que a de uma socialite que pode comprar trezentas bolsas da Chanel, enquanto você escolhe uma mais ou menos para dividir em dez vezes no cartão. É natural do ser humano, todos achamos que fulano ou beltrano tem a vida que nós deveríamos ter, porém não levamos em consideração os problemas do fulano e do beltrano.              
Uma vez, li um frase na internet que dizia: ''Se pudéssemos trocar de problemas com outras pessoas, com certeza pegaríamos os nossos de volta.'' É uma frase simples, porém é muito real. Seria até meio ignorante pensar por esse lado, mas com certeza, se alguém, com problemas psicológicos que frequenta uma APAE ou um hospital psiquiátrico quisésse trocar de problemas com alguns de nós, com certeza não aceitaríamos, por mais caridoso que isso pudésse aparentar. Nossos problemas podem e serão resolvidos. Persistência talvez seja a palavra certa. Odeio literatura de auto ajuda, mas acho que tudo é válido para que a vida se torne um pouco melhor.
Por: Miriã Pinheiro

terça-feira, 25 de junho de 2013

Lindas, só que de verdade

Desde criança, sempre gostei de me vestir bem, passar batom, esmaltes e etc. Porém, não consigo entender ao certo, o que se passa na cabeça dessas mulheres que são doentes por beleza. Devemos sim nos preocupar com nosso peso, nosso cabelo, nossas unhas, sobrancelhas, pernas, panturrilhas e tudo o mais que tivermos direito. No entanto, temos que entender que nossa vida e o que somos de verdade, não se baseia apenas naquilo que temos do lado de fora. Com certeza, o nosso lado de fora é um cartão de visita, e por mais preconceituoso que possa parecer, sempre vão nos julgar pela nossa aparência, até porque ninguém enxerga logo de cara o que temos por dentro. Todos julgamos pelas aparências! E fazemos isso da maneira mais inconsciente possível.
Acho tão ''pobre'' essas meninas e mulheres que postam fotos no Facebook com a cara quase partindo de tanto pó e os olhos vidrados de tanto rímel e lápis. Acho tão ridículo essas pessoas que alisam o cabelo todo dia, toda hora, como se isso fosse uma necessidade vital. Acreditem, queridas, os homens não entendem isso! Isso é uma visão exclusiva das mulheres, ou seja, é mera verdade que as mulheres tentam chamar a atenção de outras mulheres.
Mulher de verdade é aquela que esquece de passar batom e continua bonita. Mulher de verdade é aquela que até pode estar com uns quilinhos a mais, porém, continua linda e atraindo olhares por onde anda. É muito simples, mulher de verdade é mulher linda de qualquer jeito!
Por: Miriã Pinheiro

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Amor

Tudo nessa vida tem seu lado bom e seu lado ruim! Tudo mesmo. Até aquela situação mais triste, absurda ou constrangedora tem lá suas partes favoráveis. Por exemplo, quando se trata do amor, as pessoas tem o costume de fantasiá-lo ou então recriminá-lo bruscamente, como se fosse algo que só trouxesse problemas para o sujeito apaixonado. Pois eu digo que amar é bom demais! Não vou dizer que só existem flores, coisas bonitas e todo o lado poético da história. Existe também. Mas também tem um lado escuro, tem dias de tristeza, discussões, dias que as coisas estão meio fora de contexto, dias de raiva, brigas, vontade de esganar e etc. Porém, nada nesse mundo é melhor do que o sentimento que você tem por aquela pessoa, aquela única pessoa, que você não trocaria por nada. Nenhuma alegria se comprara a de amar e ser correspondido, traz uma segurança, uma paz. Quando se ama, as caras feias, brigas, discussões, ciúmes não são absolutamente nada perto do sabor do beijo dele, daquele cheirinho que você sabe que só ele tem, e apesar de existirem mil pessoas no mundo com o mesmo perfume, você sabe que quando aquele cheiro se mistura com o dele aquele perfume não é mais o mesmo. Intrigas e desavenças desaparecem quando você lembra daquele abraço quentinho, aquela cara de coitado que ele faz quando quer alguma coisa, aquele cabelo macio, aquela voz que de repente se tornou sua canção favorita.... Enfim, quando se ama o coração simplesmente rejuvenesce!
Por: Miriã Pinheiro

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Momento nostalgico

Raramente vejo você por aí, talvez até por evitar que isso aconteça, mas as vezes acontece de nos toparmos em alguma esquina dessa pequena cidade! Não penso mais em você, pelo menos não mais como antes, só as vezes que me surgem umas nostalgias, mas graças a Deus são bem passageiras. Tento esconder de mim mesma, mas, na minha opinião, você ainda é um dos homens mais lindos que eu já vi na minha vida, sou sincera quanto a isso. Você é sempre lindo, é perfeito, embora seu caráter não coincida com sua beleza. Ou sei lá, talvez até coincida, essa vida não passa mesmo de um mal entendido, afinal, quem sou eu para falar que você também não é bonito por dentro? Eu confesso que nem era de minha vontade perder tempo escrevendo isso sobre você, mas quando você insiste em ficar na minha mente, eu tenho que dar um jeito de te tirar, e talvez eu consiga isso escrevendo.
Talvez eu até goste de você ainda, acho que eu apenas aceitei que não daria certo, mas no fundo, eu queria muito que tivesse dado. Eu sei que você pensa em mim de vez em quando, eu percebo isso por aí, mas também nem me importa mais, não vem ao caso, já passou, foi-se, esvaiu-se. Ninguém mandou ter esses olhos pequenos, essa cara de macho, esse jeito cínico, rapaz! Para com isso, ninguém mandou! Eu não sinto mais nada, nada mesmo, tenho certeza sobre isso, pois agora você é indiferente para mim, não é mais nada de especial, nada mesmo. Nadica de nada!
Pelo menos eu aprendi algo com você: a nunca me importar. Me sinto até ridícula em escrever isso, mas esse não é um texto sobre sentimentos, por que eles não existem mais, mas sim um texto de expressão, eu diria até de ''compartilhamento'', para que dessa forma, escrevendo, você não ouse mais passar pela minha cabeça!
Por: Miriã Pinheiro

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Mais nada

Era o homem mais lindo que eu já pude ver em toda a minha vida, parecia um príncipe, mas nunca se comportou como um! Falo no passado, pois nada mais adianta, ele já morreu! Não digo que morreu fisicamente, mas eu o matei de dentro de mim, mas de vez em quando lhe dou uma breve respiração e ele volta a assoprar nos meus ouvidos, não como antes, mas bem vagamente.
Olho uma foto e me desmancho em lágrimas, nem sei porque elas escorrem, sendo que eu fui capaz de me convencer de que ele já morreu! Mas elas insistem em rolarem... As vezes durmo e sonho com ele, e posso dizer que é um dos poucos sonhos que mexem no fundo da minha alma, balançando-a lentamente, como uma roda gigante enguiçada. Eu não sinto mais nada, mas mesmo assim, choro! Me passam na mente, como um filme, aqueles olhares que nunca ninguém me olhou, aquele jeito de mexer os lábios, os cabelos tão pretos, ele parecia escorrer mel por todo o corpo...
Eu não me conformo, nunca entenderei o que pensava! Vejo a foto da outra, a garota com quem ele diz estar, e realmente, por alguns minutos, eu desejei muito estar no lugar dela, embora ela fosse tão diferente de mim. Mas logo, me lembro da sua morte, sua trágica morte, que foi tão aos poucos, tão dolorosa, árdua, mas talvez ele nem a tenha sentido como eu senti.
Eu realmente digo para mim mesma que não sinto mais nada, só essa dor, esse buraco, esse medo, essa cicatriz, esse vazio, essa escuridão que me cega e me deixa incrédula e enrijecida. Eu prometi que nunca mais falaria seu nome, e estou sendo fiel, até meu subconsciente está me obedecendo, talvez por medo de ver coisas mortas renascendo... Eu repito, trepito, não sinto mais nada!
Por: Miriã Pinheiro