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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Crônica produzida por uma aluna do 6º ano. Tema: criança lendo no lixão.

Título: Uma lição para mim

        Em um lindo dia de verão, avistei um menino pobre que estava procurando latas para vender em um lixão, quando encontrou um belo livro, sentou-se e começou a folhear as páginas.
       Olhei para ele e perguntei o que ele estava lendo. Ele então me respondeu que não estava lendo, mas apenas olhando as figuras. 
        Fiquei curiosa, pois o José estava muito atento com o seu livro. Perguntei se ele sabia ler e ele me disse que até sabia um pouco, porque fazia pouco tempo que estava fora da escola. Pedi para que me lesse um trecho do que estava lendo, mas ele todo vermelho, recusou-se!
    Depois desse encontro, pensei comigo mesma: eu, com tantos livros, na escola E.M.E.F.E.M Benedito Teixeira de Macedo e ainda frequentando o educandário Joanna de Ángelis, tenho praticamente tudo, enquanto ele tem tantas dificuldades...
          Resolvi então tentar ajudar o José! Levei-o até o educandário e a dona Zilá deu para ele uma direção maravilhosa: telefonou à escola mais próxima e arrumou uma vaga. Ela também avisou José que uma condução iria pegá-lo pela manhã e que a tarde ele iria ao educandário Bezerra de Menezes.
      Na escola, meu amigo José foi bem acolhido por todos! Recebeu material escolar, uniformes, tênis e para minha maior alegria, conseguiu até uma cesta básica para sua mãe dona Joaquina. 
          Então eu pude perceber o quanto era feliz e aprendi muito com a amizade de José, pois por meio dela, aprendi a dar valor a tudo o que tenho em minha vida.
    Hoje José é muito feliz com seus livros, com as escolas, seus novos amigos e principalmente com sua mãe, pois ele não precisa mais ir ao lixão para procurar latas para vender, porque agora tem uma vida digna e acredita em um futuro melhor para si e sua família. 
         De coração, eu digo: que bom que pude ajudá-lo!

Rafaela Vitória dos Santos.




O que é crônica?


Crônica é uma narrativa histórica que expõe os fatos seguindo uma ordem cronológica. A palavra crônica deriva do grego ''chronos'' que significa ''tempo''. Nos jornais e revistas, a crônica é uma narração curta escrita pelo mesmo autor e publicada em uma seção habitual do periódico, na qual são relatados fatos do cotidiano e outros assuntos relacionados a arte, esporte, ciência etc.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O terror da água

Quantas pessoas você conhece que ficam de meia hora a quarenta minutos tomando um simples banho? Quantas que lavam o carro sem ter a menor necessidade? E aquelas que escovam os dentes com a torneira aberta, lavam roupa do mesmo jeito e ficam enchendo e esvaziando piscinas? Fora aquelas criaturas demoníacas que ficam três horas lavando a porcaria de um quintal ou ainda ficam jogando água atoa na calçada e até mesmo no meio da rua. 
Todo mundo já está cansado de saber sobre a crise de água que estamos enfrentando. Basta ligar a televisão e ela já está lá, estampada na nossa frente, para todos aqueles que ainda tinham alguma dúvida sobre o tema. E cá entre nós, mesmo se a água não estivesse em crise, por que você sentiria prazer em desperdiçar um recurso natural que nos foi concedido pela natureza para ser usado com consciência? Tudo bem, idiotas sem respeito como somos, podemos até afirmar que a culpa da falta de água não é exclusivamente da nossa pessoa. Mas eu trouxe uma novidade para você: a culpa é toda nossa! A culpa é minha e também é sua!
Desde pequena, descobri que tenho sentimentos assassinos. Isso mesmo! Você pode até ficar assustado e querer chamar a polícia e fique a vontade para tal. Mas sempre que vejo alguém desperdiçando esse recurso natural tão belo, maravilhoso e essencial para a existência humana, sinto vontade de matar a criatura (porque para mim, isso não pode e não deve ser chamado de ser humano, já que de humano não tem absolutamente nada!), esfaquear, atirar um machado na cabeça e ver o sangue escorrer com a maior alegria já sentida. Porém, INFELIZMENTE, eu AINDA estou com o juízo são e não farei isso. Mas, com certeza, atenho-me a desejar o pior destino para essa pessoa. Desejo que tenha a pior morte da face da terra e que sofra muito. Porque, sinceramente, uma pessoa que não respeita algo que ela própria usa e necessita, não merece viver. Eu penso da seguinte maneira: se você é infeliz e não gosta do mundo e da vida, pegue uma corda, uma arma carregada e suicide-se. Mas, por favor, não prejudique a existência de outro ser humano que não possui a menor culpa pela sua ignorância, falta de respeito e de cultura. Pense nas gerações seguintes, nos seus filhos e netos que você tanto diz que ama. Se os ama tanto assim, prove! Economize água e respeite a natureza para garantir-lhes um futuro feliz e de qualidade.


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Chatice e eu

''Ué, criatura, você mudou a cor e o modelo desse blog DE NOVO?'' Fui eu mesma quem me fiz essa pergunta. Até esses dias o meu blog estava todo cor de rosa e com o nome bem destacado lá no início. Mas sabe o que é... eu não estava feliz com isso!
O template rosa que eu estava usando foi criado por uma menina simpaticíssima que conheci no Facebook e ela até me cobrou pouco, para fazer um bom trabalho. Fui eu mesma, que de teimosa, escolhi a cor rosa, mesmo sabendo plenamente que enjoaria ao passar de alguns meses. E não deu outra! Já não conseguia mais nem escrever no blog, nem sequer abri-lo, porque por algum motivo aquela cor estava me dando asco. Foi então que eu fiz o que eu faria com qualquer outra coisa na vida e que inclusive fiz com o cabelo: voltei ao estado inicial. Sim, estou usando novamente o modelo simples do blog e sei que logo, logo a cor dele e o estilo também vão me deixar enojada e causar dor nos olhos, mas pelo menos ficou muito mais discreto e transmite um pouco mais de seriedade. Acho que prefiro deixar os blogues cor de rosa para as meninas que falam de maquiagens, produtos ou qualquer outra coisa para o público feminino. Achei que aquele rosa lindo não estava combinando com a cor natural dos meus poemas. Mas quem pode garantir que eu não vá voltar para ele? Isso mesmo, ninguém! O nível de enjoo estava tão alto que cheguei até a criar um outro blog só para publicar poemas. Mas depois eu pensei: para quê, se eu já tenho esse que está prontinho da silva, todo arrumadinho, com as minhas visualizações, seguidores, perfil etc? Então, voltei para o original, organizei-o de maneira bem simples e estou felicíssima. Como é bom se livrar de um peso, né?
Além do mais, eu também acho que muita cor, brilho e anúncios, tiram a atenção do leitor, que com certeza não entrou em um blog para ver ''ostentações'' e sim textos. Eu mesma me sinto um pouco incomodada quando o site é muito atrativo, que até prejudica a leitura das postagens. Quero que os textos, os poemas sejam o centro da atenção e não os reles acessórios que compõe a página. 
Bom, pode não parecer tão claramente, ou talvez pareça muito mais do que eu imagino, mas eu sou meio chata mesmo em alguns aspectos. Algumas cores me incomodam profundamente e seria capaz de fazer uma lista enorme com coisas que eu jamais toleraria. Mas, resolvido o problema, voltarei a publicar aqui com a frequência que me for permitida e espero poder contar com a leitura de todos. 


A dor e o ser humano

Ontem, dia 24 de junho, recebemos a trágica notícia do falecimento do cantor sertanejo Cristiano Araújo e da namorada de apenas 19 anos, por causa de um acidente de carro, onde supostamente o motorista teria pegado no sono durante a viagem da madrugada. 
Essa notícia abalou os amantes do sertanejo universitário, cantores famosos e pessoas comuns, como eu, que não sendo amante da música sertaneja, valorizo e amo a vida de qualquer ser humano. 
Infelizmente, como efêmeros seres racionais que somos, estamos sujeitos a isso e a coisa muito pior em cima dessa terra em que fomos jogados. Revoltamo-nos, pois é claro, todos queremos morrer de velhos e desde criança temos infiltrado na mente esse conceito de que só velho pode morrer. E deveria ser assim. Isso deveria ser muito mais do que um conceito mental, deveria ser uma realidade!
A verdade é que ninguém quer morrer. Você pode até repetir para o mundo que odeia a sua vida, mas já é clássico que se te for dada uma oportunidade para tal, você recua ferozmente. Todos amamos a vida, ainda que inconscientemente. Mas já que temos que fazer isso um dia, então desejamos que seja quando estivermos bem, bem, bem velhinhos mesmo!
Como humana que sou, não sentirei falta de um cantor sertanejo. Mas lamento eternamente a dor que sente neste momento a família do Cristiano Araújo e também da família da garota, namorada dele, que é o segundo filho que os pais dela já perderam. Sinto um pesar enorme por essas famílias e também pelos amigos. Essa é uma dor que um dia poderá ser mascarada, mas jamais poderá ser esquecida ou apagada. 
E mais uma vez digo que como seres humanos finitos que somos e como cristã que sou, proponho que devemos orar, ou até mesmo interceder mentalmente por essas pessoas que estão aprofundadas no terror do luto. E não devemos orar apenas por essas famílias específicas, mas por todas as famílias que um dia perderam alguém que tanto amam. Orar por todos os pais que perderam seus filhos, por todos os filhos que perderam os pais, as pessoas que perderam os avós, amigos próximos, cônjuges, namorados, noivos e até mesmo por aquela sua vizinha que perdeu o animal de estimação e sentiu que a dor fosse rasgar-lhe o peito. Por todas as grávidas que perderam seus bebês no ventre e também por todos aqueles que estão vivos fisicamente, mas que a muito já perderam as esperanças da vida. 
Devemos, sim, orar e não nos esquecer de que a dor do outro, também é a nossa dor. Porque somos uma única raça! Não importa se branco, negro, pobre, rico, famoso ou o João anônimo do bar da esquina, quando a dor nos toca, somos todos seres humanos. Podemos ser qualquer coisa e ser dono de qualquer título na face desse universo, mas somos apenas humanos quando as emoções tomam conta do nosso ser.  

terça-feira, 14 de abril de 2015

As pedras coloridas

‘’No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho’’
(Carlos Drummond de Andrade)

Quando eu era criança tinha o costume de procurar pedras coloridas nas areias que tinham em casa quando estávamos fazendo alguma reforma.  Eu me divertia por horas enfiando o braço e cavando a areia úmida até encontrar diversas pedras dos mais variados formatos e tamanhos. Quando conseguia juntar uma boa quantia de pedras, saia correndo pelo quintal a procura de minha mãe para lhe mostrar minha grande descoberta:
- Mãe, olha só, a areia está cheia de pedras preciosas!
Minha mãe, cheia de paciência com as minhas descobertas de todo dia, respondia:
- Não, filha! São apenas pedrinhas coloridas. Elas têm a cor diferente, mas só são pedras comuns. A maioria das areias possui várias dessas pedras!
E eu abaixava a cabeça e ficava olhando para as pequenas preciosidades na palma de minha mão com um olhar de tristeza. Saia de dentro de casa e ia de novo para a areia. Não podia ser verdade! Aquelas pedras eram preciosas, sim! Então, ficava sentada em cima da areia que já começava a cheirar coco de gato, pensando que minha mãe não entendia nada de pedras preciosas.
Então, eu entrava de novo dentro de casa, pegava um potinho e guardava com carinho todas aquelas pedrinhas. Para mim elas eram preciosas fosse a realidade essa ou não. Elas eram diferentes, nunca tinha visto pedras parecidas, portanto elas não podiam ser qualquer coisa!
Hoje, depois de crescida, sempre lembro esses episódios normais da infância e bate aquela saudade gostosa daquele tempinho onde tudo eram flores, ou melhor, pedras coloridas. Bate uma falta imensa daquela capacidade de enxergar beleza nas coisas simples da vida e saber encontrá-las nas coisas mais fáceis e corriqueiras. Perdemos tanto tempo de nossa existência para compreender que a felicidade não está apenas nos grandes acontecimentos. Ela está ali, quietinha, guardadinha em sua simplicidade, talvez no fundo da areia úmida do coração.
Decidi que quero ser como a menina que fui um dia: procurar minhas pedrinhas preciosas e guardá-las dentro de um potinho para nunca perdê-las. Quero encontrar minhas pequenas alegrias, aproveitá-las, curti-las e depois guardá-las dentro de um lugarzinho só meu para que eu nunca mais as perca de vista.
Quero ter olhos infantis para enxergar o valor das coisas simples e a beleza que ninguém parece perceber. É bom estar vivo! Mas ninguém parece mais notar a preciosidade da vida.



Coisas que chegaram ao fim...

Sempre fui do tipo ingênuo de pessoa que acredita que amizades verdadeiras duram para sempre. Quando temos afinidade com outra pessoa, sempre haverá uma ligação inexplicável que fará com que haja harmonia. Na adolescência, e mais ainda na época da escola, é normal que tenhamos muitos amigos e colegas. E também é normal que em algum momento da vida nos afastemos deles. A gente cresce e o tempo diminui. Tornamo-nos jovens adultos e temos que, inevitavelmente, dedicar muito tempo ao nosso trabalho, faculdade, pós graduação, relacionamento amoroso, afazeres domésticos e dependendo do caso, até filhos. Porém, eu sempre acreditei em uma coisa: relacionamentos de qualquer tipo, quando bem construídos, resistem as pressões do dia a dia e as pessoas envolvidas conseguem compreender que o tempo passou e a vida mudou. Na minha concepção, considero burrice permanecer agindo do mesmo jeito que se agia no passado. O tempo passa e pede mudanças de nossa parte, senão corremos o risco de ficar para trás na escada rolante do mundo. 
Onde eu gostaria de chegar com esse texto é na maneira como me sinto com relação a amizades que ficaram para trás. Ás vezes fico um pouco triste por algumas terem se afastado e terem se perdido no meio dessa correria que  é nossa vida atual. Tentei mantê-las, mas nada acontece quando o interesse não surge de ambas as partes. Tentei resgatar contato com aquelas que achei que talvez ainda valesse a pena, mas percebo que as coisas mudaram muito mais do que eu imaginava. Já tentei iniciar diálogos, mas percebo que as coisas não andam e eu nunca aceitei ser do tipo de pessoa que fica falando sozinha. Notei que algumas coisas realmente se perderam e seria uma tremenda imbecilidade da minha parte tentar, sozinha, resgatar o que há muito está entre escombros. 
Sinto uma grande pena por ter visto algumas coisas legais morrerem no decorrer do tempo, mas não me sinto mal porque tentei fazer o que foi possível para salvar, mas como diz aquele velho ditado sem graça: ''quando um não quer, dois não brigam''. 
Odeio a falsidade que as pessoas transmitem nas redes sociais. Curtem, comentam, compartilham suas coisas e aparentemente, parecem sentir um grande sentimento por você. Mas, na realidade, todos sabemos que a história é outra. As pessoas apenas querem saber da sua vida, sentem curiosidade por suas ações, relacionamento, trabalho e gostam de espionar através das redes sociais tudo aquilo que você deixar transparecer para o mundo. São raros aqueles que querem conversar, construir uma amizade e manter um interesse mutuo e sincero. 
O tempo fez com que eu ficasse com problema nos olhos: não consigo mais enxergar boas intenções nas pessoas, exceto algumas raras exceções. Não gostaria de ser assim, acredito que isso seja um grave defeito, mas percebo que o interesse nem sempre é sincero. Pode não ser por maldade, mas também não passa de mera curiosidade.
Fico um pouco triste por ter assistido minhas grandes amizades do passado se acabarem por causa de bosta, mas também fico feliz que o tempo tenha me trazido novas pessoas que aprendi a gostar muito mais do que imaginava. Tenho pessoas muito legais a minha volta e considero que elas sejam o suficiente. Nunca precisei de restos, deixo isso para os ratos que moram debaixo das pias das casas. Eu quero coisas inteiras!



segunda-feira, 23 de março de 2015

Procura-se

Fiz um anúncio e pendurei na porta do meu coração:
Procura-se gente capaz de enxergar a vida com bons olhos. Não quero encontrar pessoas ''perfeitinhas'', burguesas, sem nenhum problema com o que esquentar a caixola; mas sim gente que apesar de todas as decepções que a vida faz questão de nos esfregar na cara, continue amando viver e nunca se deixe desistir da busca da felicidade. 
Procura-se gente de verdade. Ser de verdade é falar a verdade, viver e buscar a verdade. Estou farta de gente que finge ser feliz só para ter o que postar nas redes sociais, gente que gasta mais do que jamais conseguiria ganhar só para fazer uma média para os infelizes que chama de amigos. Gente que esconde lágrimas e finge amor, que não conhece o significado de ser honesto consigo mesmo! Nem ligo se você é branco, negro, amarelo, azul, sardento, gordo, magro, bonito, feio, gay, lésbica, punk, milionário ou sem-teto. Mas ligo muito se você não ''se vestir de si mesmo'' e enfrentar o mundo de cabeça erguida, sendo você mesmo, lutando pelos seus ideais e fazendo sua vida acontecer. 
Procura-se gente que ama. Quero conhecer somente quem ama a vida, a rua, a praça, os animais, a música, a natureza, o tempo e o vento. Gente que ama sorrir, que ama brincar, ama dançar, ama cantar, ama cair, levantar, subir, descer, beijar, abraçar, viajar e viver. Quero gente que transborde amor pelos poros. Gente que derrube amor pelas beiradas da alma e escorra sentimentos pelos cantos dos olhos.
Procura-se quem goste de sonhar. Nada é pior do que viver sem sonhos a não ser quem não gosta ou tenha medo de sonhar. Gosto de gente que sonha, flutua, mergulha de cabeça e imagina o mais belo verão da existência humana. Não tenho mais paciência com pessoas rasas, apáticas, de alma magra e sonho milimetrado. Gente de verdade sabe como transbordar!


 


sexta-feira, 13 de março de 2015

Nossa corrupção

Ultimamente, ainda mais do que antes, estamos escutando a todo o momento e em todos os lugares um bando de gente ‘’pregando o pau’’ na corrupção, escancarando a boca para dizer que todos os políticos são ladrões, ficam apontando os erros que fulano fez a dezenas de anos, repetindo as palavras de um, escangalhando um partido e defendendo outro e enumerando uma série de erros políticos que já não é de hoje que existem.
É claro que concordo que temos que ter senso crítico apurado, mente aberta, olhos observadores e principalmente que temos o direito e até o dever de cobrar e questionar um candidato. Mas será que somos assim tão santinhos quanto achamos? A maioria da população brasileira se sente no direito de sentar no sofá da sala e ficar xingando a política como se só ela fosse o problema e como se esta fosse a única fonte de corrupção. Mas eu pergunto: a corrupção existe apenas na política? E as ‘’pequenas corrupções’’ do nosso dia a dia devem ou não ser levadas em consideração?
Aposto que você, brasileiro, é do tipo que gosta de arrumar um jeitinho para tudo, contar uma mentirinha aqui, outra lá; roubar internet do vizinho, adulterar contas, falsificar carteirinha de estudante ou de aposentado, colar em provas, assinar o livro de ponto e não ir trabalhar, apresentar atestado médico falso, fingir que está doente para não cumprir com as obrigações, subornar guardas de trânsito e policiais porque não quer pagar multa e pagar pelo que fez de errado, não devolver o troco quando alguém te dá dinheiro a mais e as vezes até tentar pagar com menos, conseguir cargos ilegais e viver furando filas de bancos, lotéricas e até de postos de saúde. E agora, meu caro colega brasileiro, você não é corrupto?
E por falar em filas, lembro-me de quando fui prestar a prova teórica da autoescola e enquanto eu aguardava pacientemente na fila a minha vez de entrar na sala de aula, tive que praticamente lutar corpo a corpo com uma jovem senhora que insistia em me esmagar literalmente para passar na minha frente na fila. A mulher vinha como quem não quer nada e ia entrando na minha frente, tapando minha visão, pisando no meu pé e levemente ia se enfiando na minha frente, como se nada estivesse acontecendo e isso fosse muito normal. E quando o assunto é banco e lotéricas a história das filas vai muito mais longe. Quantas ‘’inocentes’’ mulheres não pegam no colo uma criança enorme de quase oito anos de idade só para passar na sua frente com a desculpa de que está com criança de colo?
A questão que quero abordar é que todo mundo gosta de criticar a política e a corrupção, mas não quer deixar de lado as pequenas corrupções do dia a dia e que sim, fazem toda a diferença na sua e na minha vida. A corrupção não começa na política. Ela existe acentuadamente lá, mas a origem dela é dentro de nós. A corrupção começa na nossa casa, na nossa mente e é de lá que temos que tirá-la antes de querermos modificar o que está do lado de fora.



quarta-feira, 11 de março de 2015

Pérolas negras

Uma vez, quando estudava no ensino médio, conheci um garoto com olhos de pérolas negras. E coincidentemente, depois que o conheci, a cor preta passou a me chamar mais atenção. Eram duas pérolas bem negras e bem brilhantes, dessas que ou cegam ou conquistam totalmente o coração da gente. E foi isso que elas fizeram comigo: cegaram-me. E como se não bastasse carregar duas jóias escuras no lugar dos olhos, ainda tinha uma pele bonita dessas que parecem uma folha de papel bem branquinha e lisinha recém saída de uma máquina e também era dono de lábios finos e vermelhos, belos como o adeus de um viajante. Ele todo era beleza e devaneios para o meu já cego ponto de vista. E para terminar o pacote da doçura, devo descrever como eram os cabelos que emolduravam e davam vida para tamanha riqueza. Eram cabelos tão negros quanto os olhos, ou melhor, as pérolas. Negros e espessos, desses que despertam aquela vontadezinha de colocar os cinco dedos de uma mão dentro e ficar apreciando, de forma tipicamente humana, a maciez desses protagonistas que se parecem mais com uma noite sem estrelas, nem luar.
Outro dia, dormindo para descansar das canseiras da vida, sonhei de madrugada com os olhos de pérolas que brilhavam só para mim, exclusivamente na minha direção. Brilhavam e chamavam por mim, como se quisessem dizer sem palavras alguma coisa que nunca fora dita no tempo certo. E eu fiquei ali tentando interpretar aquelas pérolas, inocentemente cega por aquele brilho misterioso. O sonho acabou quando acordei ainda meio flutuando em cima do lençol de nuvem e não me encontrei mais com brilhos de pérolas ou cabelos de noite sem luar esvoaçando em um vento calmo e morno. Acordei somente com um coração distante e um sonho que aos poucos ia se esvaindo, escapando pelos dedos da memória que já se preparava para as agitações da vida real.
O tempo passou e só posso dizer que as pérolas negras ainda aparecem, vez ou outra, em algum sonho por aí. Criei uma lenda: quando elas aparecem é porque o amor está no coração. Nunca me esqueci daquele brilho negro, afinal, jóias negras são sempre mais elegantes e raramente serão esquecidas.
Nunca na minha vida vi aqueles olhos brilharem só para mim, mas meus sonhos, esses privilegiados filhinhos de papai presenciaram essa cenas várias e várias vezes.
O tempo, às vezes amigo, às vezes cruel apagou um pouco o brilho daqueles olhos negros e os deixaram um tanto opacos. Algumas outras coisas também mudaram um pouco, acompanhando naturalmente o que a vida exige de nossa existência. Mas o que uma vez foi fotografado pela memória de uma garota jamais será revertido. As pérolas permanecem negras e ainda mais brilhantes, mas não como forma de atração. Hoje elas são apenas a lembrança que as cores e os brilhos são as tatuagens da memória.

 


quarta-feira, 4 de março de 2015

Religião versus Deus

Nasci e cresci em uma família evangélica. Mesmo não sendo aqueles fervorosos, sempre fomos adeptos de tudo o que a Palavra de Deus ensina. Desde criança fui ensinada a ir à igreja, ler a Bíblia, orar, temer e respeitar Aquele que acredito ser o criador de tudo o que existe. Na adolescência, senti vontade de ir um pouco mais a fundo e fiquei três anos e meio como obreira voluntária. Para quem não sabe, obreiro é aquele que ''faz a obra'', cuida da limpeza e da ordem da igreja, ora pelas pessoas, faz trabalho de evangelização e outras coisas, tudo sem receber nenhuma ajuda monetária, ou seja, é totalmente voluntário. Eu, além de ser obreira, participei por um tempo do grupo de louvor da igreja pois sempre gostei de tudo relacionado à música, principalmente de cantar. Passei por diversos sacrifícios e lutas para conseguir um lugarzinho nesse grupo, mas não é hoje que quero relatar minha experiência como obreira. Quem me conhece bem e há algum tempo, sabe perfeitamente bem que não foi uma das melhoras coisas que aconteceram na minha vida, mas prefiro deixar a parte ruim de lado.
O que realmente quero abordar neste texto é um dos assuntos mais chatos do universo perdendo apenas para a política. Sim, quero falar de religião. Bom, querer eu não quero. Mas estou sentindo uma pontada de vontade de abordar sobre esse tema ridículo que não deveria existir nem como tema e menos ainda como realidade. A religião tem cegado as pessoas e as transformado em meros fantoches! Ah, conta uma novidade? Pois é, eu sei que isso não é mais novidade e blá, blá, blá. Mas se é tão óbvio assim, por que ainda existe? Acabei de falar sobre minha crença em Deus e vou falar uma coisinha só para reiterar: crer em Deus é totalmente diferente de ser escravizado por uma religião ou doutrina religiosa. É uma diferença absurda. Eu diria que é o que separa os meninos dos homens ou as meninas da mulheres.
A Bíblia diz no livro de João que ''Deus é amor''. E todo mundo repete isso o tempo todo: ''Deus é amor'', ''Jesus te ama'' etc. Mas será que as pessoas realmente compreendem o que é ''ser amor''? O que mais nos deparamos no mundo é com pessoas que acreditam em castigos divinos e em um deus carrasco, ruim e que parece ter prazer no sofrimento alheio. A verdade é uma só: o que for plantado, será colhido um dia e isso a própria natureza é quem se encarrega de cuidar. Mas Deus, o criador, não é maléfico! Cá entre nós: com um deus desses em que muita gente acredita, nem precisaria existir diabo ou forças das trevas! Eu, sinceramente, não consigo imaginar que Deus seja um castigador de força maior, um ser que escraviza e doutrina maldosamente seus filhos. Para mim, Deus é pai.
Talvez pareça meio infantil da minha parte, mas eu acredito que Deus nos colocou no mundo para sermos felizes. Ele quer que sejamos felizes e eu quero acreditar nisso. Deus é amor de verdade e não paixão passageira. Ele não ia querer nos ver sofrendo, tristes, abatidos e escravizados, sendo que Ele é a própria misericórdia e liberdade. Por isso não me atenho a religiões. A religião é o maior motivo de discórdia, sofrimento e dúvida no ser humano. É ela que nos faz sentir medo de sermos nós mesmos e sermos castigados. Eu, no entanto, não acredito e não quero religiões. Mas eu acredito em um Deus que ama!


Obs: amo essa música!

Conhecimento imundo

Quanto menos se sabe da vida, mais feliz se é! Quanto menos se entende os mistérios e as teorias deste mundo, mais possibilidades há para o encontro da felicidade! A ignorância é vida, é luz, esperança que se atiça no fundo das almas mais puras e intocadas pelo sujo conhecimento. Saber demais é padecer no paraíso! Quanto mais se sabe, mais infeliz se é. Agora, quando não se tem compreensão das coisas do mundo e da vida, quando não se entende o fundamento, a necessidade e o decorrer de uma crise, tudo passa tranquilamente e nada nos atinge. Conhecimento, quase sempre resulta em desespero!
As vezes penso que gostaria de estar enfurnada no meio de um mato verde, descalça, usando um modelo de blusa de 2001, voltando com uma bacia nas costas após lavar no rio as roupas dos ''homens da casa''. Sinto inveja de quem não entende esse frenesi maluco que vivemos no mundo urbano. De quem não anda em ônibus e metrôs lotados, de quem acha que engarrafamento é só guardar algo em uma garrafa. Sinto inveja de onde o sinal da televisão não chega, onde o Jornal Nacional não entra, o Datena não tem voz e a crise não tem lugar. Bate todo dia, uma pontinha de inveja branca de quem não sabe a diferença entre PT e PSDB e ainda pode dormir na varanda de casa, sem se preocupar com ladrão. Dá ciúme de quem ainda acredita em assombração, tira aquele leite espumante da vaca todo dia de manhã, não precisa da luz da eletricidade para enxergar nitidamente a beleza da vida e das coisas simples.
O mesmo conhecimento que dá, também tira! Nosso conhecimento urbano, barato e sacana. Esse ''conhecimento'' que gosta de passar a perna nos outros, de tirar vantagem da fragilidade alheia. O ser humano está sujo... sujo de conhecimento! 
E só para deixar bem claro, não estou criticando ou condenando o conhecimento e o aprendizado, os quais, assim como tantas outras pessoas, luto para passar em sala de aula. Não passar no sentido de transmitir, mas no sentido de passar adiante e construir um resultado satisfatório. 
O conhecimento a que me refiro neste texto, é aquele que tira a paz, polui o coração e a mente, mancha as mãos e o caráter, provoca ganância, ilude a alma. Conhecimento arrogante, hipócrita, insolente e insípido. É deste conhecimento que provém as angústias, os roubos, as chantagens e as vitórias imundas. Por isso, defendo a ideia de que ser ignorante é ser feliz. A ignorância tem pureza nos olhos. A ignorância ainda cultiva a flor azul da esperança. Estar distante do conhecimento e evitar a sabedoria imunda garante a vitória sobre o universo.


É mensalão, mensalinho, ele é meu amigo, ele é meu padrinho. Na eleição prometeu, mas depois no seu bairro nunca apareceu!'' (Brothers of Brazil - Tudo pelo poder)



''Lá o tempo espera, lá é primavera. Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar. Em todas as mesas pão, flores enfeitando os caminhos, os destinos, os vestidos e esta canção...'' (Marisa Monte - Vilarejo)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Uma pausa e uma meditação

Eu entendo da vida muito mais do que gostaria de entender. Sei o quanto ela é passageira, conheço, pelo menos de ouvir falar, a maioria dos riscos que estamos expostos o tempo inteiro. Mas também sei de uma coisa: eu gosto de viver. Gosto de respirar ar puro, comer o que há de melhor, trabalhar no que gosto, passear, conversar, ler livros, ouvir músicas. Gosto de abraçar, beijar, dançar, cantar e estar com gente que também gosta da vida, assim como eu. Apesar das dificuldades encontradas pelo caminho, não gosto de ficar triste, de ficar matutando uma coisa que já foi e não tem mais volta, ficar remoendo mágoa de quem já devia se ter perdoado ou simplesmente ficar pensando sobre coisas das quais não tenho o poder de decisão. Aprendi a olhar o ser humano de uma outra maneira e consequentemente aprendi a me respeitar. Não aceito mais migalhas de amor, amizade ou sobras de atenção. Não dou mais importância para aquilo que não me faz bem. Aprendi que algumas coisas e pessoas não merecem o menor resquício de importância. E o que fazer com essas coisas e pessoas desimportantes? A resposta é muito simples: ignore. Ignore tudo o que não acrescenta, tudo o que suga suas energias sem lhe oferecer nada em troca. Não brigue, não discuta com os outros e menos ainda consigo próprio. Respeite a todos, mas você deve vir em primeiro lugar. 
Antigamente, fui fácil de abaixar a cabeça para os outros. Fui mole em engolir sapos e aceitar calada o que colocavam em uma bandeja e me faziam digerir constantemente. Já fiquei triste para agradar os outros e já deixei minhas prioridades para satisfazer as vontades alheias. Já deixei que metessem pitaco nas minhas decisões e já suportei situações mesquinhas em que me sentia absurdamente infeliz. Mas hoje eu aprendi o quanto o tempo e a própria vida são capazes de fazer bem para o ser humano. 
Hoje eu sei o que é me respeitar. Coloco minhas prioridades e minha felicidade na frente de qualquer coisa. Não deixo mais qualquer banalidade corromper de graça a minha sanidade. Respeito meus limites e quando quero superá-los, sei que sou capaz. Respeito meus medos e minhas sensibilidades, sei que eles estão aqui comigo por algum motivo e evito tentar escondê-los. Hoje, não fez bem eu jogo pela lata do lixo! Se um lugar me fez mal, levanto-me e vou embora. Não sou uma árvore! Ninguém pode te obrigar a permanecer na infelicidade. Proporcione a si mesmo o privilégio de ser livre.
Enxergue-se da melhor maneira possível. Você merece o melhor! Merece confiança, merece confiar. Merece carinho, amor, beijo sincero, intenções acompanhadas de ações e tudo o que lhe dá prazer. Merece se sentir bem, leve e livre. Merece recomeçar quantas vezes forem necessárias e merece todas as chances que você é capaz de dar a si mesmo. Não deixe que a mente te impeça de viver e aproveitar o que há de melhor nesta existência. Mantenha sua mente saudável e o seu corpo irá acompanhá-la. Saia de perto de pessoas negativas, não assimile palavras de derrota e pessimismo. Você, melhor do que ninguém, sabe no que deve acreditar em sua vida!



domingo, 22 de fevereiro de 2015

Eu quero meu livre arbítrio

Dizem por aí que todos nascem com o livre arbítrio, que isso é um direito de todo ser humano e que ninguém nunca poderá, nem conseguirá tirar do outro o direito de fazer suas próprias escolhas e tomar suas próprias decisões. Nossa, que emocionante! Realmente, na teoria tudo é muito lindo e perfumado e você pode até ser que concorde que temos sim o livre arbítrio, que todos gozam deste direito e pode até dizer que isto é o que o ser humano possui de mais belo e exclusivo. Eu seria uma chata se tentasse provar que o livre arbítrio não é tão livre assim quanto maquina nossa ilusão, mas infelizmente eu não consigo respirar em falso em um mundo onde tudo tenta engolir a gente vivo e mal dá tempo de decidir qual é a função do ser humano em cima disso que chamamos de Terra. 
Longe de mim querer dizer que esse nosso direito com nome composto discutido neste texto não existe. É claro que existe! Espero que ninguém tenha te obrigado a ler este texto e sim que você esteja aqui por livre arbítrio... está vendo, ele está nas coisas mais simples. Mas será que está também nas mais importantes? É muito bom saber que temos o direito de escolher com quem, quando e como vamos casar, o que vamos comer no jantar de sábado, com quem vamos conversar, qual programa de televisão vamos assistir, dentre tantas outras coisas. Mas será que podemos escolher não nascer? Sim, não é uma pergunta muito comum, mas não deixa de ser uma! Só para constar, não estou falando de aborto. É muito diferente você mesmo escolher se quer ou não nascer do que outra pessoa decidir isso por você. Já que temos um coração e um cérebro formados ou em formação, por que os outros acham que tem o direito de decidir se nos quer vivos ou não?
Bom, mas como eu odeio discutir religião e feminismo, temas e grupos dos quais considero os mais chatos do mundo, vamos retornar para nossa livre decisão. Você, caro leitor, teve o direito de escolher se queria ou não nascer? E o seu nome, foi você mesmo quem escolheu ou decidiram te chamar de Hermengarda sem o seu consentimento? Você vai querer morrer um dia ou prefere continuar vivo e saudável para sempre? Você gostaria de ser loiro ou preferia ser moreno? Eu, mera mortal que sou, não pude escolher o que quis. Nem me perguntaram se eu queria nascer e bum! Jogaram-me aqui neste mundo cruel e pretensioso. E o pior, não perguntaram se eu queria morrer um dia, mas já deixaram o contrato assinado e nem me deram a chance de ler. 
Honestamente, não conheço muito bem esse tal de livre arbítrio. Já ouvi falar bastante, principalmente nos livros de História, mas não sei dizer até que ponto ele é real ou se ele realmente existe e se é igual para todos. Não sei até quando vai essa nossa liberdade mesquinha. Não sei sequer exemplificar o sentido real da palavra liberdade e menos ainda sei abordar o que é ser livre. Só sei que estamos aqui agora e não podemos escolher entender nossa existência.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Menina cabeçuda

Acho essa vida tão engraçada! Em um dia estamos vivos e com saúde e no outro talvez a situação seja outra. Por que não conseguimos e nem podemos ser estáveis o tempo todo? Por que as coisas possuem um poder incrível de transformação? É claro que este fenômeno as vezes tem suas vantagens, mas nem sempre queremos ou estamos aptos para ver as coisas mudarem. Aqui, escrevendo com minha caneta Bic mastigada na ponta (como todas as minhas outras canetas), começo a me lembrar de que várias vezes, assim como tantas outras pessoas, eu me pego pensando para quê, afinal, serve a vida e nossa mesquinha e efêmera existência. É claro que as conclusões finais variam de belas, otimistas até melancólicas, assustadoras e tipicamente ultrarromânticas. Acredite, pensar muito não é vantagem, nem nos torna mais felizes ou superiores aos outros animais. Repita comigo: felizes são os seres não pensantes. Nos momentos mais difíceis, aqueles em que realmente fico ''puta'' com essa vida, começo a pensar que Deus é malvado e que só nos colocou aqui para assistir nossa existência repleta de altos e baixos e que sempre acabará no mesmo maldito buraco, literalmente! Imediatamente tento me libertar dessa reflexão insana, afinal, se ''Deus é amor'', Ele faria uma coisa dessas? Com certeza, não! Deve haver um motivo muito mais nobre para nossa vivência e esse com certeza não seria a opção mais poética e reconfortante. Melhor não pensar mais nisso! O que eu havia dito mesmo sobre os seres não pensantes serem mais felizes? Já esqueci! Perdão, Deus! Eu e minha cabeça grande, atribuindo a mim o divertido adjetivo de ''cabeçuda''. Eta menina cabeçuda!



quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Querido Cinquenta tons de cinza

Querido Cinquenta tons, é com grande pesar que venho informar por meio desta a grande decepção que tive com o senhor. Sei que depois posso quase ser atacada por um bando de adolescentes/jovens/mulheres adultas que sonham em ser espancadas por um homem só para depois terem o gostinho de fazer uso da bendita lei Maria da Penha. Bom, antes de tudo quero que saiba que compreendo perfeitamente que o senhor Cinquenta ainda é bem jovenzinho e embora já seja precocemente famoso, tenho que dizer que é muito pobrezinho. Sim, o senhor é muito pobrezinho, já que não conseguiu dizer nada em 455 tons de meras páginas jogadas ao léu. Apesar desta minha experiência que eu devo chamar de - aterrorizante - sei reconhecer o quanto o senhor é elogiado por aí e reconheço ainda mais que foi exatamente por esses elogios que tive despertada a curiosidade de me sentar na varanda com o senhor sobre meu colo. No entanto, o senhor se mostrou um tanto ingrato para com a minha curiosidade, tentando me convencer a desperdiçar meu precioso tempo de férias observando uma garota chata de personalidade inconsistente ser agredida por vontade própria por um cara ainda mais chato e de personalidade lunática. Sinceramente, o senhor poderia ter caprichado um pouquinho mais na personalidade de vossas personagens... O senhor, por acaso, já leu algo de nossa querida Jane Austen? Não me surpreendo nenhum pouco se a resposta for negativa! O senhor está muito fraquinho para o meu gosto! Tomo a liberdade de questionar se em algum momento o senhor já pensou em utilizar apenas cinco páginas de um conto para apresentar vossas contraditórias personagens? Tenho a certeza que não! Afinal, o senhor está em busca da tão sonhada fama trilógica. 
Apesar de tudo o que já foi dito aqui, não quero que o senhor se ofenda, afinal, consigo compreender que o senhor não se escreveu sozinho, mas não quero perder tempo adentrando nesses detalhes. O senhor pode estar se perguntando quem sou eu para fazer declarações tão grotescas contra o sucesso do momento. Bom, não sou ninguém em especial, mas posso dizer que sou uma coisa: leitora. Sim, sou uma leitora que busca aventuras, emoções, romances comoventes, dramas intensos e até aquilo que é chamado de clichê ou carne de vaca, desde que me acrescente e inspire. O senhor, no entanto, é insípido e isso me decepcionou, pois como uma boa leitora econômica eu não gastaria meus pobres cascalhos com algo de vosso nível.
Eu, que jamais critico o gosto literário de outrem ou que critico menos ainda a leitura de best-sellers ou quaisquer trilogias, sinto-me traída com vossa inconsistência e superficialidade. Vossa sensualidade, além de ser especialmente vulgar, é cansativa e repetitiva. Além do mais, obrigada por deixar claro que algumas mulheres se excitam quando são espancadas, alguns dos mais terríveis bandidos do nosso Brasil varonil gostarão muito de saber disso, ainda mais sabendo que o senhor não é brasileiro, e nós adoramos uma moda importada.
A propósito, antes que eu me esqueça, deixo abaixo alguns sinônimos da palavra ''enrubescer'', verbo utilizado 455 vezes pelo senhor. Termino aqui esta carta e espero que não se sinta ofendido, apenas tente melhorar da próxima vez que tiver a oportunidade, embora a minha credibilidade o senhor já não tenha mais (não que eu a considere grande coisa!) e acredite, ver o senhor nos cinemas seria a última coisa que eu faria.
Sucesso na carreira cinematográfica e receba os meus humildes cinquenta tons de reprovação.

Enrubescer: Tornar (-se) vermelho. Ruborizar (-se), corar. 


Sinônimos:  vermelhar-se, corar, envaidecer- se, afoguear, abrasar, esbrasearinceder, incendiar, queimar, avermelhar,ruborizar, vermelhar, colorir, envergonhar-se, purpurearrosaji-se, tauxiar, tingir,pejar, perturbar-se, confundir, ruborizar-se, ruborejar, nacarabrasear, escandescer ,esfoguear, rosear, acarminar, carminar, rubificar,envermelhecer, inflamarerubescer, rosar, rubescer, ruborescer.



segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Nuvem negra

Hoje foi uma das poucas manhãs em que eu acordei com uma nuvem bem negra pairando sobre minhas ideias. Não tenho tanta certeza se quero isso ou aquilo, não sei se aposto tudo ou saio correndo só para garantir o pouco que me resta. Tive uma boa noite de sono, mas sonhos nem tão desejáveis. Tenho medo de alguma coisa, sinto uma pitada de insegurança embaçando toda a minha natural felicidade de estar em pé e respirando plenamente. Vejo uma nuvem cinza-escuro fazendo sombra em minhas reflexões mais brandas e não sei se devo observá-la como um início das boas temporadas de chuva, um alarme falso do tempo ou como apenas uma tempestade passageira, dessas que chegam quando o calor se acentua insuportavelmente. Carrego incertezas quanto a origem da nuvem e se devo mesmo ter o trabalho de olhar para cima e notá-la ou se devo simplesmente ignorá-la, já que não foi eu quem a invoquei. Meu raciocínio amanheceu um tanto embaçado neste dia e isto me deixa meio fora do ar... Quero esclarecer meu pensamento, deixar tudo em ordem e esperar pacientemente pela melhor estação. Deixe-me acompanhada de minhas metáforas , livros e canções. Tenho a liberdade de fazer meu caminho, destruir meus perigos, persuadir meus medos, acordar meus sonhos. Sou capaz de enxergar a beleza do meu eu, de valorizar tudo o que posso fazer de bom e assim seguir cantando e respirando os novos ares que deverão encher meus pulmões de paz. 
Apesar de toda e qualquer nuvem negra, sei quem sou e no fundo, lá no íntimo do meu ser eu tenho a certeza de que posso dissipar qualquer elemento duvidoso que ouse pairar acima de mim. 




quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Cacos de amor



''As pessoas possuem total direito de simplesmente não nos quererem. Não importa o quão bom sejamos ou o quão fortes e verdadeiros sejam nossos sentimentos. É sempre opção do outro não nos querer. A rejeição é uma merda, rasga o coração em 18 pedacinhos, mas a aceitação é necessária.''

Hoje, passeando pela internet, deparei-me com esta frase, que marcava o link que dava acesso a um blog que falava justamente sobre o tema incorporado à frase acima: amor não correspondido, ou sei lá, como você preferir chamar. Não sei se sou a melhor pessoa para me considerar uma adulta em estágio completo, mas sei que já passei um pouco da adolescência. Bem pouco, mas já passei! E como toda boa adolescente que se preze, eu também tive diversos amores não correspondidos, mas é claro, sempre tem aquele que marca mais nosso dolorido coração e eventualmente nos pegamos pensando nesse determinado individuo, seja ele homem ou mulher, depende de sua opção sexual, obviamente. É claro que, na maioria das vezes, quando pensamos nas pessoas com quem desperdiçamos nosso amor que dolorosamente não foi correspondido, pensamos nela olhando as demais vertentes da situação passada e não necessariamente lamentando o amor ou a falta dele. 
Na minha adolescência e acredito que na maioria das pessoas também, eu acreditava que gostando demais de uma pessoa, dedicando e demonstrando todo o meu afeto por ela, faria, automaticamente que ela, um dia, gostasse de mim com a mesma intensidade. Doeu bastante, o tempo passou, como sempre passa e eu finalmente aprendi que ninguém é obrigado a gostar de mim, da mesma forma que eu não sou nenhum pouco obrigada a gostar de ninguém. Quantas pessoas já foram descartadas da minha vida? Quantos rapazes eu avaliei como legais, inteligentes, mas nunca fui capaz de sentir uma mínima atração física sequer? Pois é, parando para refletir, cheguei a conclusão de que a lista é imensa! Da mesma forma, quantas vezes fui desprezada e rejeitada? Eu diria, para não exagerar, um milhão de vezes. E o que eu pude fazer com relação a isso? A resposta é dura, crua, gelada, mas é a única: absolutamente nada. Infelizmente, não pude obrigar, convencer, persuadir ou estimular ninguém a gostar de mim ou a sentir alguma atração pelo que sou. E foi lendo a frase citada acima do blog Deu ruim, que minhas conclusões se tornaram ainda mais firmes e bem-sucedidas. Ser rejeitado não é gostoso, emocionante, prazeroso e nem sempre deixa boas lembranças, mas a aceitação é necessária e não há meios de fugir dela. De um jeito ou de outro, você precisa acabar entendendo que todo ser humano é livre e felizmente, ninguém pode ser obrigado a ter sentimentos do qual se sinta incapaz de sentir. No começo, aceitar uma rejeição não é nada fácil. Você vai querer sair correndo, não ver a cara de ninguém por um bom tempo, isolar-se do mundo (e isso nem sempre é ruim), além de outras reações necessárias e comuns para a situação, mas um belo dia você vai acordar e vai perceber que finalmente aceitou e entendeu que nem o seu poder, nem o de ninguém é suficiente para obrigar um ser humano a sentir algo por você ou por qualquer outra pessoa. E não adianta chorar, ajoelhar e pedir para Deus colocar um sentimento no coração do individuo. Deus respeita a privacidade e o direito de escolha de cada um e não vai ser por suas lágrimas que Ele vai voltar atrás com Suas palavras. 

Por: Miriã Pinheiro





quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Poetinha do amor

Apaixonei-me por Vinicius quando ainda era criança e lia alguns de seus poemas no livro didático da escola. A paixão por Vinicius veio sem avisar: invadiu o meu peito e tomou conta dos meus sentimentos. Na verdade, lembro-me exatamente do dia em que o conheci. Era começo de fevereiro, o céu estava nublado e havia chovido muito pela manhã, o tempo daquele mês ainda trazia consigo um restinho da chuvarada do mês anterior. Era o típico dia que me atrai: clima europeu, ar limpo de chuva enchendo meus pulmões ainda meio infantis, o livro didático nas mãos e a Rosa de  Hiroxima passou pela primeira vez diante dos meus olhos. Pela idade, não entendia muito bem essa história de Hiroxima, mas uma coisa eu sempre soube: poema nem sempre se entende, poema se sente. E eu senti em minhas mãos de dedos brancos e compridos a rosa de Hiroxima, vi com meus próprios olhos as crianças mudas telepáticas e o amor por Vinicius explodiu em meu peito como uma bomba de guerra. Durante minha adolescência e até os dias de hoje, quando penso em Vinicius, já logo penso na delícia do Soneto de fidelidade e saboreio cada palavra e absorvo o mel e o cheiro de flores raras que exalam delas e torço para que esse prazer que só Vinicius proporciona não seja imortal, posto que é chama/ Mas que seja infinito enquanto dure... e eu quero que dure para sempre, assim como Vinicius deveria ter durado para sempre! O amor aumentou e se instalou bravamente em meu ser quando conheci o Soneto de contrição e eu nunca consegui entender como poderia existir ou ter existido pessoas tão leves a ponto de conseguirem tocar nossa alma; nossa sensível, carente e incomparável alma e foi dessa maneira que eu cresci e sonhei em um dia poder tocar almas, assim como Vinicius tocou e toca a minha cada vez que o leio. Inundada em palavras doces, sempre adequadas, acabo querendo ser a garota de Ipanema e fazer da minha vida a aquarela feita por Vinicius e Toquinho. Amo infinitos poetas, mas um poetinha conseguiu tocar minha alma com seus sonetos de sensibilidade e seus versos sublimes desde a infância e eu nunca esquecerei do amor que ele me fez sentir. Ler Vinicius é amar!  

Por: Miriã Pinheiro


Soneto de Contrição

Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.

Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.

Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma…

E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.

(Vinicius de Moraes)


Os 10 melhores poemas de Vinicius de Moraes

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Meu inocente coração



Naqueles dias em que a vida me dá um choque da realidade triste e lamentável da existência que temos como seres humanos, acabo sempre numa reflexão sobre a preciosidade da fase da infância. Começo imediatamente a sentir falta da época em que eu achava que a morte não existia na vida real, apenas em filmes, novelas e nos livros de romance que eu sempre gostei de ler. Frequentemente me lembro da reação que eu tinha quando escutava as notícias ruins do telejornal. Achava que tudo aquilo só existia em cidades grandes e que aqui no interior tudo seria sempre mil maravilhas e todos viveriam felizes e livres de perigo eternamente. Recordo-me do quanto gostava de fantasiar como seria minha adolescência e vida adulta. Eu imaginaria que cresceria e me transformaria em uma mulher linda, loira, independente, magra e feliz assim como a Barbie. Eu poderia jurar que um dia encontraria um príncipe encantado loiro de olhos azuis, rico, compreensivo e que me amaria eternamente. E eu teria dois filhos: um menino e uma menina, muito lindos, educados e obedientes. E eu seria cantora ou dançarina, já que estava muito bem adiantada nas minhas turnês pelo banheiro e quarto. E tudo sempre daria certo, nada daria errado e não haveria motivos para existir tristeza. A vida seria um eterno sorrir debaixo da chuva de janeiro, brincando de achar que a enxurrada era o maior oceano da face da Terra. O mundo seria para sempre rosa e meu príncipe seria uma estrela do rock.
Quando eu era pequena, achava que se eu me jogasse de um prédio seria impossível morrer. Achava que havia cura para todas as doenças e eu sempre poderia fazer qualquer coisa, nada seria inatingível, tudo poderia ser meu. Mas a vida, essa garota mal-educada, tira da gente nosso mais precioso sorriso ingênuo e troca pela malícia insaciável das pessoas grandes. Um dia, acordei e aprendi que todas as pessoas morrem, inclusive eu, um dia, morreria também. Entendi o quanto vivemos em uma condição limitada e absurdamente humana, a ponto de ser considerada ''desumana''. Notei que a maioria das notícias dos telejornais eram verídicas e que esses acontecimentos não gostavam muito de escolher um lugar para acontecer, mas sim preferiam acontecer em qualquer lugar que lhe dessem na telha. Tive que aceitar que o mundo nunca me pertenceria e eu nunca poderia conquistar tudo o que quisesse e seria impossível caminhar pelo arco-íris. Minha adolescência e vida adulta seria repleta de problemas, os quais somente eu teria que resolver. Minha vida não seria sempre mil maravilhas, meu príncipe encantado não seria perfeito e minha família não seria como a dos comerciais de margarina. Meu sorriso nem sempre seria sincero e a dor viria, vez ou outra, fazer uma visita neste simples coração alimentado de alegrias.

Por: Miriã Pinheiro






sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Quem roubou?

As vezes somos jovens. Sentimo-nos felizes, relaxados e sorrimos sem parar. Achamos que a vida é uma brincadeira sem fim. Levantamos dispostos pela manhã, cantamos as mais estranhas músicas, assistimos aos mais diversos gêneros de filmes e amamos intensamente tudo o que cai no nosso caminho. Nossa paixão é ardente e nosso amor é profundo. Mas, de repente, alguma coisa acontece. Acordamos em um belo dia e percebemos que falta algo. Alguém veio e puft, roubou nosso sorriso! Levou embora nosso olhar de simplicidade, nossa alegria insana e despreocupada e nos deixou a ver navios pela janela do quarto. Aquele sentimento de felicidade, antes tão comum, irreverente e automático, parece se transformar em algo dissimulado, desenfreado e desnecessário. Você acaba por se sentir idiota sendo feliz daquele jeito juvenil e incoerente.Você se sente uma carta fora de todos os baralhos do universo. E ficamos só nós. Nós e nosso peito furado, de onde arrancaram com toda força, o que nos levava para frente. Quem roubou? Não sei. Não tive tempo de perceber. Quando dei por mim, já estava aqui, sentindo-me adulta, rabugenta, desconfiada e cheia de compromissos. Assim que percebi que me faltava algo, já era tarde, já levaram tudo o que eu tinha dentro do peito. E essa enorme cratera vazia que habita o peito, não pode ser preenchida pelo dia-a-dia. Ela precisa de algo mais! 
Quem escreve, acaba acostumado à dramatizar. E eu, obviamente, não sou nenhum pouco diferente dos demais ''dramatizantes'' ou porque não ''dramaturgos'' da vida. Dramatizo a dor e acrescento-lhe poesia para ser uma ''dor enfeitada'' ou uma ''dor poética''. Sou perfeccionista. Acho que até as minhas mais insignificantes dores devem ter a obrigação de serem bonitas!
E o meu drama de agora é esse: voltar a possuir a inocente alegria juvenil que outrora habitava esse meu peito revestido de pele branca. Quero de volta o que é meu por direito e que deixei escapar por nem saber que possuía tão profunda beleza em meu ser. Se eu soubesse que era dona dessa beleza, não teria gritado sua existência aos quatro ventos. As vezes nós achamos que algumas coisas não são roubáveis. Doce engano! Tudo o que se pode possuir, também pode ser roubado!

Por: Miriã Pinheiro