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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Poema de declaração

E eu que nunca acreditei em amor a primeira vista,
fiquei arrepiada na primeira vez
que o verde dos seus olhos
penetrou minha visão. 

Seu cheiro foi logo dominando meus sentidos...
e quando toquei suas mãos
já sabia que te queria só pra mim,
pra sempre no meu caminho.

Logo eu tão difícil
me derramei diante de ti,
me entreguei no seu beijo
e desejei ser só sua.

Tudo o que eu quero é estar com você
de corpo e alma, porque meu coração já te pertence
desde aquele primeiro olhar.

Não sei o que aconteceu,
mas quando dei por mim
percebi que tudo o que eu queria era ficar para sempre
deitada nos seus braços com as mãos nos seus cabelos. 


(Para: A.Z.N)

segunda-feira, 28 de março de 2016

Caminhadas e céu de outono

Dentre as coisas que gosto de fazer para me sentir bem, uma delas está em caminhar no final da tarde. Não sou uma pessoa muito afeita a esportes, mas caminhar tanto na rua, quanto na esteira, são exercícios que realmente me fazem bem e que sempre gostei muito de praticar. Nessas minhas caminhadas na rua, costumo sempre ir com os fones de ouvido, escutando músicas agradáveis, sejam elas animadas, lentas ou românticas, dependendo do meu estado de humor. Gosto também de aproveitar para observar o movimento das pessoas e carros na rua, já que sempre costumo ir no horário em que a maioria está voltando de seus empregos, sentir o vento, mas principalmente admirar o céu. Apreciar o céu sempre foi um dos meus passatempos favoritos, que me garante alguns segundos ou minutos de meditação e paz. O céu, na minha opinião, é um dos elementos mais belos e talvez até inexplicáveis da natureza, mas ele se torna ainda mais atraente na estação do outono, que é quando ele fica com aquelas cores meio alaranjadas ou amareladas. Nesse período, o céu fica parecendo uma pintura ou qualquer obra de arte com traços extremamente prazerosos de se apreciar. Então, dentre as coisas que gosto de fazer quando caminho, além da própria caminhada, é observar as cores do céu e permitir que elas me tragam um pouco mais de tranquilidade. 



O céu de outono é o único que difere das demais estações. É um céu cheio de esperança, que enche os olhos e faz a alma voar... Desde que nasci, encontro inspiração nesse cenário alaranjado cheio de vida e abarrotado de coisas boas.Todos deveriam parar de vez em quando para observar o céu, interromper um pouco a correria do dia a dia para admirar esse maravilhoso santuário da natureza que Deus colocou acima de nossas cabeças para nos lembrar que nunca estamos sozinhos e que a vida, apesar de dura, tem sua beleza! Por isso, gosto de dedicar algumas tardes para caminhar, pois além de me exercitar, posso parar alguns minutos para meditar! 
Emoticon smile

terça-feira, 8 de março de 2016

Sendo livre

Quero liberdade financeira,
psicológica, social e amorosa.
Quero o direito de não ir,
ou vir e não ir nunca mais
e vice-versa para tudo.

Quero o vento me tocando
e meus desejos realizados e saciados,
tudo aquilo que por medo foi reprimido
quero ver despertado.

Quero crescer em mim mesma,
aflorar minha própria feminilidade
sem compromisso com a dúvida
de quem não aceita minha novidade.



sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Ao altar

Pra ti
minha alma sorri.

Canta, chora, grita
e até implora
pra que você a afague
quando chegar a tal,
a tal sonhada hora.

Hora de dizer carinhos, 
falar de amor,
entrelaçando, assim, pouco a pouco,
nossos alegres caminhos.

E de destinos traçados
seguiremos abraçados
descalços ou calçados
ao amor dos predestinados.

domingo, 25 de outubro de 2015

Meus trovões

Converso com os trovões...
é estranho, mas acho que fazem parte de mim.

Sou formada de trovões!

Em outra vida, fui uma gota de chuva.
Dessas que molham uma rosa
ou caem alegres em um girassol atraente.

Os trovões me dizem coisas
que a ninguém confesso.
Estão comigo
até quando andam calados.

Considero trovões como uma partícula da minha alma
ou talvez um pedaço do meu leve ser
que grita de alegria
e com a chuva vive encantado.

Declarado

Se até pro nada eu faço poema
por que não farei eu pra você
nem que seja um esboço
ou talvez um poeminha?

Pois aqui está ele,
minha beleza encantadora,
diferente, amável
e inspiradora.

Já invadiu meu coração, 
pois invada agora meus versos
e entre na minha canção.
Por você,
já fiz até oração.

Usarei do meu romantismo
talvez um pouco alencariano.
Desses que sobram amor
pra muito mais de um ano.

No pedestal da minha vida
só tu tens o lugar.
Idealização, fantasia
ou apenas a arte de amar.

Amo, amando, amado,
já falei tudo errado.
Era pra ser segredo
o que nesta estrofe
acabou de ser confessado.


Liquidificador

Solto o cabelo, piso na terra,
tomo sorvete no regime.
Não quero ter medo de ser feliz
ou medo de viver.
Encurto a saia, tomo chuva,
escuto bossa, canto Caetano,
leio Drummond
e beijo amor.

Vivo pra viver.
Existo pra ser.
Ando sem medo, cabeça erguida,
com esmalte ou sem,
batom vermelho pra ficar mais zen...

Durmo do lado contrário,
escorrego de cima do meu eu.
Saio dançando com o mundo,
vou vivendo com tudo.

O vento é quem penteia os cabelos,
o sol deixa a pele vermelha
mas também aquece a alma...
Os sonhos surgem na alma
daqueles que têm calma.

Breguinha

Numa dessas noites
tive um encontro.
Encontrei com uns olhos vivos
que mais pareciam estrelas.

Os belos astros luminosos
que me perdoem,
mas aqueles olhos...

Aqueles olhos
brilhavam em torno 
de um universo
chamado meu coração.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O Drummond no meio do caminho

Encontro Drummond 
cada vez que tropeço
nessa bendita pedra
que insiste em ficar
no meu único caminho.

Encontro Drummond
nos cantos da sala, 
do quarto e da vida.
E quando vejo que tudo se perdeu,
mas a vida ainda existe!

Encontro Drummond 
cada vez que perco o bonde
e também a esperança.
Quando percebo que a rua é inútil
e a vida...
nem preciso completar!

Encontro Drummond 
porque quero!
Porque o guardei aqui dentro
nessa pedra do coração.

Ah! Nunca me esquecerei
que bem no meio da minha vida
tinha um Drummond!

Alma exausta

Não sinto prazer em ser humano.
A humanidade em nada me agrada.
Prefiro um livro
a ter que aturar conversas estúpidas.

As pessoas não conhecem mais seu devido lugar...
E para falar a verdade:
qual é o meu lugar também?

Ainda não encontrei as respostas
para todas aquelas perguntas
que de noite, 
espalham-se sobre meu travesseiro.

Durmo para encontrar a razão,
acordo com o peso da emoção
entortando minhas costas,
cansando meus ossos.

Sonho com pássaros, montanhas, 
lugares distantes...
outras vidas, outros amores,
um novo começo
pra uma alma exausta.



sexta-feira, 24 de julho de 2015

Reconhecimento

Não conheço a mim mesma. 
Carrego sentimentos 
que nem lembrava que um dia existiram...
E que de vez em quando, alfinetam meu peito.

Cutucam de um lado,
se remexem de outro.
Gritam daqui, 
sussurram de lá...
e eu?
Não sei quem escutar!

Não sei se quero o sonho antigo
ou o desejo novo.

Se quero fazer as mesmas coisas
ou se preciso de um renovo.

Ainda não sei quem sou
e não sei se um dia virei a saber.

Enquanto isso vou sendo eu mesma
sem saber que sou a própria...
A própria imagem de mim. 




sábado, 27 de junho de 2015

A vida é um gerúndio

Tem horas que refletir é sagrado!
Momentos que a mente voa,
a alma corre,
o tempo soa
e o corpo escorre.

Sentado no balanço da vida,
tudo vai, tudo vem
e você não sabe
se voa ou se contém.

O dia vai passando,
você vai lutando
cansado do eterno gerúndio
que a vida nos faz permanecer.

Indo...
Vivendo...
Amando...
Tentando...
Chorando...
Cantando...

E o tempo vai correndo...
Tudo segue andando...
Até que um dia
só nos reste o infinitivo. 

terça-feira, 26 de maio de 2015

O que ainda resta

Dia que vem, 
noite que vai.
Hábito que vem,
rotina que vai.

Sonho mal despertado,
amor não interpretado,
medo assombrado,
coração atrapalhado.

Decepção que amanheceu
ainda do mesmo lado.

Desejos ocultos
ainda calados.

O travesseiro não comporta mais
a grandeza do meu ser.
O mundo não suporta
minha eterna pequenez.

Não tenho onde encostar.
Só me resta esperar...






sexta-feira, 8 de maio de 2015

Reconciliação

A poesia, menina má,
as vezes quer ir embora,
fugir desse infortúnio
que é morar em um peito turbulento
como o meu!

Mas eu, que não aceito gente fujona,
seguro ela pela gola
e a obrigo a se sentar
para termos aquela antiga conversa
sobre onde é o lugar de quem.

Ela, a poesia, vem me falar toda brava
que eu a deixei de lado,
que não penso mais nela como antigamente.

E não é que a bandida tem faro?
Mas a verdade é que eu amo essa ingrata,
quero ela morando dentro de mim,
dançando, desfilando
e colocando para o mundo
tudo o que ela mesma cultiva dentro de mim.

Vencida, então, digo que a amo.
Peço perdão, fico de joelhos
e prometo flores rosas toda noite
como prova da minha remissão.

Ela, coitadinha, sem muita escolha,
aceita o que tenho a lhe oferecer.
E jeitosamente se aconchega no meu coração,
diz que também me ama
e que nunca iria embora de verdade.

Eu sei que ela nunca vai me deixar
porque nunca vou deixar que ela me escape.
Vou trancá-la para sempre no peito
e deixar que adormeça.

Mas hora ou outra, 
quando ela quiser acordar,
vou deixar que me use
e coloque em palavras 
tudo o que ela faz comigo!






quarta-feira, 15 de abril de 2015

Falta

Sinto falta do que falta,
que talvez já tenha faltado
nas faltas do meu caminho.

Sinto falta do que faltou,
do que ainda falta
na falta que não percebi.

Sinto uma falta.
E essa falta, faz falta
mas não faz sentido!




segunda-feira, 13 de abril de 2015

Homenagem à poetisa Júlia Maria da Costa

Sonha e mente

Uma mulher com um fardo pesado,
inteligência aguçada,
beleza em olhos estrábicos
dos quais apenas se podem presumir
a direção para que tanto olham.

Uma menina que ainda não é mulher,
uma mulher que ainda é menina,
que sonha e que mente,
que voa, cai e levanta
na beira de uma praia.

Um homem bem mais velho,
um casarão enorme cheio de escravos,
festas, política e discussões,
não podem deixar feliz
um coração que nasceu para a sensibilidade
de uma paz discreta e com amor.

Sonha em poder amar um rosto pálido,
emoldurado por cabelos cacheados,
beijar mãos que são habilidosas no violão
que conseguiram tocar fundo seu coração.

Essa mulher só queria ter sido feliz,
ter dado uma chance a sua vida.
Queria ter aproveitado cada momento,
vivido de outra maneira,
tocado outras canções.

Não conheci essa mulher,
mas cegamente torci pela sua felicidade.
E até hoje, torço...
Para que em algum tempo,
em algum lugar perdido no espaço,
algum lugar secreto só para os apaixonados,
ela possa se perder
e mergulhar de cabeça
nos pequenos lábios que a seduziram.

E possa acariciar o  rosto branco de seus sonhos
e ser feliz para sempre deitada na areia de uma praia,
com o homem que ama,
vivendo de poesia.

Essa mulher que hoje é nome de rua,
que pouca gente sabe da história,
que até pouco tempo tinha o corpo sepultado
no centro de uma praça,
chama-se Júlia Maria da Costa,
poetisa da ilha de São Francisco.


Escrevi este poema em homenagem à poetisa Júlia Maria da Costa, uma mulher que fez com que eu me apaixonasse pela sua história. Em breve, aqui no blog, farei questão de publicar uma resenha com as minhas impressões sobre o livro ''Júlia'', um romance de Roberto Gomes, escrito em homenagem a esta grande mulher e também com algumas de minhas pesquisas sobre a vida desta poetisa, que quero que todos conheçam mais a fundo.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Atitude

Não sou de sentar,
esperar
e conformar!

Prefiro levantar da cadeira,
desenhar um novo caminho
e apreciar o que há de maravilhoso
em cada canto do mundo.

Sou movida a novos caminhos,
novas forças e novos ninhos.
Dispenso o conforto de uma espera qualquer
e desfruto meus direitos de mulher.

Os pés foram feitos para andar
e conhecer novos trajetos.
A língua foi feita para beijar
e falar novos dialetos. 






terça-feira, 3 de março de 2015

Quatro estrofes de amor

Necessito que teus beijos
Derramem desejos pelo caminho da minha alma.
Que meu corpo seja saciado
Com o mais quente dos teus calores.

Teus olhos me sorriem calados.
Doces e negras expressões de afeto e paixão.
Gosto dessa pele branca
Que faz a minha se arrepiar de emoção.

Lábios com gosto de alegria,
Beijos com cheiro de felicidade.
Você é todo delícias de viver
E eu sou toda vontade de você.

Peço licença para tomar em mim seu amor.
Mergulhar em teus braços protetores,
Deitar nesse colo quente
E me abrigar para sempre das dores do mundo.



segunda-feira, 2 de março de 2015

Mergulharei neste buraco

Tem dias que quero desaparecer
dentro de um enorme buraco negro 
que me leve para qualquer lugar.
Lugar de refúgio, de saída;
lugar novo, lugar meu.
O ser humano não é ser humano,
eu não sei quem sou,
não sei se quero descobrir,
não sei se quero decidir,
mas sei que quero fugir.
Eu e minha rima pobre,
andando por aí,
procurando um rumo,
perdendo o rumo,
engolindo o sumo.
Não quero ser despedaçada
por uma vida que não entendo,
por um sonho que não vendo.
Não me exijam lucidez
em um mundo de triste embriaguez
onde muitos perdem sua mesquinha vez.
Só quero descobrir um novo caminho,
me libertar desse carinho
que me prende ao que não tenho.
Com licença, estou mergulhando no  buraco...
não sei onde vou parar
e nem se vou voltar.
As vezes estar longe é se encontrar.



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Pela janela do ônibus

Pela janela do ônibus
passa branco, passa preto,
passa teto, passa casa,
passa pássaro, passa asa.

Pela janela do ônibus
passa tormenta, passa vento,
passa criança gritando no relento,
passa um velho desatento.

Pela janela do ônibus
passa loja, passa hotel,
passa moça usando anel,
passa abelha atrás do mel.

Pela janela do ônibus,
passa ônibus, passa carro,
passa mendigo com catarro,
passa pobre com pé no barro.

Pela janela do ônibus,
passa janela, passa porta,
passa o espaço que comporta
o tudo e o nada da vida que transporta.