segunda-feira, 7 de julho de 2014

Alfinete

Cansada do cansaço que se apodera
da mente vazia e as vezes desocupada.
Cansada de pensamentos meio vagos,
que me sufocam na esperança de me manter calada.

Dores pequenas que alfinetam o coração.
Dores pequenas, miúdas e inconvenientes.
São as pequenas raposinhas que destroem as vinhas,
esgotando desde as plantas dos pés até aos cantos dos dentes.

Ilusão querer moldar a vida aos nossos desejos!
Fantasia mirabolante querer uma constante felicidade,
que não fosse embora nem na hora de tomar um xarope,
que permanecesse, mostrando sua lealdade.

Quero impedir as alfinetadas da vida,
que fazem de mim uma boneca sem escolha.
Não quero mais sentir nenhum alfinete,
Deixem, de uma vez por todas, de me compararem a uma frágil bolha!

Por: Miriã Pinheiro






sexta-feira, 4 de julho de 2014

Imaginação

Imaginação: eis o dom mais belo!
Imaginar que se está na lua, caminhando calmamente.
Imaginar outros lugares, outras brisas,
climas amenos, solos firmes.

Imaginar uma poesia doce a soar nos ouvidos
já cansados de ouvir as próprias lamúrias.
Imaginar, por fim, um coração que vive transbordando
amor, tranquilidade e pequenas belezas.

Imaginar que se imagina.
Deixar que o pássaro azul da alma encontre o seu abrigo
e volte feliz e orgulhoso dos ninhos que criou.
Deixar que escorram pelos olhos, os desejos mais profundos.

Aprender a fazer sozinho o transbordar da vida.
Construir qualquer alicerce com as próprias mãos,
deixando que o próprio barro nos instrua.
Permitir que o céu seja a morada dos anseios humanos.

Por: Miriã Pinheiro

Inimigo

Eu, que observo vagamente as metamorfoses da vida,
acabo ficando com medo do relógio.
Eu, que vibro com cada mudança,
pego-me pensando em tentar escapar do receio.

Quando o cansaço me invade,
relembro o quanto gostaria de ter sido melhor,
feito melhor, levado as coisas mais a sério.
Choro, então, a dor da incompetência.

Já foi comprovado: o inimigo mora ao lado.
Pior, o inimigo mora dentro.
O inimigo é tocável e não invisível.
Lutar com ele nem sempre é vantajoso.

Noites são sinônimos de reflexão e cura.
Tudo fala mais alto quando o céu está escuro.
No entanto, as estrelas não gostam de nos dar ouvidos.
Ninguém ousa se meter na luta com o inimigo enrustido.

Por: Miriã Pinheiro

Perdida: um amor que ultrapassa as barreiras do tempo

Logo quando vi a capa desse livro em uma revista, já fiquei louca de curiosidade para saber do que se tratava ali. Após ler a sinopse e descobrir de que falava de uma garota que ficou perdida no século dezenove,  minha curiosidade só aumentou e tive que comprá-lo. Essa contagiante e irresistível obra, nada mais é do que o segundo livro publicado da jovem escritora Carina Rissi. Segundo a mesma, ela começou a escrever esse livro meio que as escondidas, achando suas ideias meio absurdas. Um dia, porém, decidiu mostrar os escritos para seu marido, que ficou encantado e ajudou-a, no inicio, a publicar a obra por conta própria. Confesso, que no início da leitura, eu fiquei pensando que não conseguiria me prender muito a história, mas no decorrer do enredo, notei que estava totalmente presa e ligada a protagonista Sofia. Pode parecer loucura, mas cheguei a pensar que não gostaria que o livro terminasse, pois me apeguei a personagem como se ela fosse real.
O livro é inteiro narrado em primeira pessoa pela própria Sofia. Sofia, tem vinte e quatro anos e aparentemente é uma jovem como qualquer outra, incapaz de viver sem a bendita tecnologia e extremamente apegada aos celulares. No entanto, Sofia parecia viver uma vida um tanto vazia. Trabalhava em um escritório, morava sozinha, pois havia perdido seus pais em um acidente e não acreditava muito no amor, pelo fato de até então, nunca ter se apaixonado de verdade.
Um dia, sua amiga Nina decidiu que iria morar junto com o namorado Rafa e chamou Sofia para uma comemoração. Durante o encontro, Sofia sentiu vontade de ir ao banheiro e acabou derrubando o celular dentro do vaso sanitário. Enojada com a situação e sem a menor coragem de colocar a mão lá dentro, decidiu que na manhã do dia seguinte compraria um novo, já que não podia sobreviver uma hora sequer sem o que ela chamava de ''monstrinho''. 
Durante a compra do novo celular, Sofia notou que a vendedora era extremamente estranha e misteriosa, chamava-a de ''querida'' constantemente e parecia gostar muito dela sem nunca a ter visto. Essa mulher,  induziu-a a comprar um determinado aparelho sem lhe dar nenhuma outra opção. Sofia acabou aceitando, pois queria muito um celular e tinha gostado bastante daquele que lhe foi oferecido. Comprou o celular e no meio do caminho, quando tentava ligá-lo, percebeu que o mesmo não acendia de maneira alguma. Ficou desesperada, apertando todas as teclas, até que o aparelho acendeu uma insuportável luz branca que a cegou, fazendo-a tropeçar em uma pedra e se esborrachar no chão. Sofia desmaiou e acordou nos braços de um lindo rapaz do século dezenove. Sim, ela achou absurdo aquilo, mostrou-se relutante, abismada, mas realmente estava em 1830. O jovem Ian Clarke, juntamente com sua irmã, seus criados e uma amiga da família, acolheu Sofia em sua casa, mostrando-se sempre prestativo e ligeiramente educado e gentil de um jeito que a garota jamais havia visto em sua vida, já que os homens do nosso século são exatamente o oposto disso.
 No mesmo dia em que chegou a casa da família Clarke, o celular que não funcionava tocou e ela recebeu uma ligação da estranha vendedora que lhe vendeu o dito aparelho. A mesma, sempre muito misteriosa, disse que Sofia estava ali porque precisava cumprir uma jornada, precisava encontrar o que necessitava para ser feliz, precisava conhecer a si mesma e descobrir coisas novas, quando encontrasse o que sua alma procurava, poderia voltar para casa. Daí para frente, Sofia ficou tentando encontrar todos os tipos de pista para acabar logo com aquilo. Ela estava perdida, sem celular ou qualquer tecnologia, sem condicionador para o cabelo, tendo que usar vestidos longos e rodados e sem ter um banheiro para usar, já que naquela época existia a famosa ''casinha''.
A família Clarke tratou-a como se já a conhecesse. Sofia queria voltar mas ao mesmo tempo se sentia em casa. O que ela não imaginava é que se apaixonaria pelo gentil Ian Clarke. Em poucos dias após sua chegada, ambos estavam apaixonados e loucos um pelo outro. Sofia morria de medo de se entregar, pois sabia que voltaria para casa de uma forma ou de outra e acabaria machucando Ian e a si mesma. Mas, como diz a sinopse, seu coração tinha outros planos. 
As cenas de amor com Ian descritas por Sofia, são perfeitamente lindas e muito sensuais. Sofia descreve com clareza todas as sensações que Ian provocava em seu corpo e em seu coração. Sofia era totalmente diferente de tudo o que via naquele século, mas aprendeu que poderia ser feliz sem precisar de tanta tecnologia.
Bom, acho que não devo contar o final, pois estragaria os planos de quem almeja fazer a leitura desse livro, que é um pouco longo, mas possui uma leitura fácil e informal. Só sei que seria capaz de ir brigar na porta da casa da escritora, caso ela não desse um final feliz para aquele casal tão ''diferente''.
Espero que sintam vontade de ler!
Por: Miriã Pinheiro

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Minha busca

Quero a pacificidade, o sossego, o aconchego
de quem vive como se não tivesse o que temer.
De quem segue como se já fosse predestinado,
como se já estivesse programado para vencer.

Quero a paz que acalma a alma, 
relaxa o coração e apascenta a mente.
Quero despertar sabendo que o dia será melhor,
que darei de cara com gente sincera e benevolente.

Quero acreditar que tudo sempre volta ao normal,
que ser feliz sempre será uma causa possível.
Quero enxergar o medo como uma estátua sem vida
com feias feições de sentença não audível.

Por: Miriã Pinheiro

Limpeza

''Se pudesse abrir a cabeça, tirar tudo para fora, arrumar direitinho como quem arruma uma gaveta. Tomar um banho de chuveiro por dentro.''
(Caio Fernando Abreu)

Quem nunca leu o pensamento citado acima e quase ficou louco de tanto que se identificou? Tenho certeza de que a maioria das pessoas, já imaginou o quanto seria bom poder abrir a cabeça e tirar tudo o que está vagando lá dentro e colocar cada coisa em seu devido lugar, além de poder fazer uma completa faxina naquilo que fosse desnecessário. Sem dúvida alguma, Caio F. Abreu sabia muito bem como transformar suas brilhantes ideias e seus reais sentimentos em palavras fáceis de compreender, deixando que o leitor ''colocasse os pés em seus sapatos'' e entendesse o quanto os sentimentos humanos são parecidos.
Trazemos isso para a nossa vida e pensamos o quão bom seria se pudéssemos fazer uma faxina em nossas emoções. E até podemos, só que não é tão simples quanto dizem os psicólogos e seus afins. Colocar nossos pensamentos, emoções e sentimentos em seus devidos lugares e eliminar o desnecessário não é tão fácil o quanto parece. Se pararmos para refletir por alguns minutos, chegaremos a conclusão de que dentro de nós existem velharias cheias de teias de aranha, da qual não usamos mais, mas ainda temos uma certa dificuldade em nos desfazer. Desfazer do que já foi fincando em nosso interior é um processo bem complexo, porque sempre tem algo que já está embutido em nosso ser e é difícil se livrar tanto por uma forma de apego, quanto pela dificuldade em descolar algo que já está bem colado.
A maioria de nós passa o tempo todo remoendo mágoas passadas, acumulando dores desnecessárias e cultivando o que já passou da hora de jogar fora. Além de tudo, temos a incessante mania de ter medo de situações que provavelmente nunca ocorrerão. Ficamos com aquele pressentimento, aquele pensamento atrevido nos cutucando sem haver a menor necessidade dele estar ali.
É extremamente complicado se livrar do inútil, mas todo esforço é válido quando o objetivo é ''tomar um banho de chuveiro por dentro''. Não podemos mais viver na corrosão, na miséria psicológica e no medo fantasioso, precisamos limpar e deixar que escorra a vontade a água encardida da aflição.
Por: Miriã Pinheiro

Prematuros

Esses dias comecei a observar no Facebook e também na vida real, o comportamento de algumas garotas entre 10 - 12 anos. Confesso que fiquei um tanto decepcionada com a impressão que tive. Não vou dizer que eu não estava por dentro das ''mudanças'' do nosso mundo atual e nem que eu já não sabia o rumo que as coisas estavam tomando, mas a situação está um pouco pior do que eu imaginava. 
Abri, sem compromisso algum, o Facebook de uma garota e comecei a prestar atenção nas fotos. Realmente, ela é uma menina muito bonita e bem formada, embora tenha acabado de completar 11 anos. No entanto, a ''postura'' que ela tem em suas fotos, não é das melhores. Se eu não a conhecesse, com certeza começaria rapidamente a tirar conclusões precipitadas. Havia fotos em que ela estava somente de sutiã, outras com a blusa levantada mostrando a barriga e várias outras em que fazia gestos considerados sensuais por aquelas pessoas nojentas e sem escrúpulos. Já, que para mim, qualquer pessoa que acha sensual ver outro ser humano divulgando fotos em redes sociais tentando competir com alguns animais em seu período fértil, com certeza não pode ser uma boa pessoa. Mas, não é sobre isso que quero discutir!
O que mais me chama a atenção em algumas garotas é a pressa que elas tem de crescer, namorar, ter relações sexuais e fazer de tudo o que para sua idade, elas nem deveriam ter o devido conhecimento. Não estou me referindo a parte biológica, pois essa sim deve ser muito bem ensinada desde criança, mas existe uma parte sexual que é totalmente desnecessária para o conhecimento das crianças e pré-adolescentes. Acredito, que o maior problema seja os lugares e as pessoas com quem são adquiridos esses conhecimentos. Não haverá no mundo ninguém melhor do que a própria mãe para ir ensinando seus filhos e principalmente suas filhas, de acordo com a idade que vão adquirindo e as perguntas que vão fazendo sobre o assunto.
Todos nós sabemos que a pré-adolescência e a adolescência consiste em uma fase de curiosidade e descoberta dos instintos, no entanto, esses fatores estão começando a aparecer cada vez mais prematuramente, eliminando mais cedo a fase da infância. Do jeito que as coisas tem caminhado, daqui a alguns dias as crianças já vão nascer adolescentes. E isso é um sério problema! A infância é uma fase que deve ser aproveitada o máximo possível e não vivida as pressas, de qualquer jeito, na ânsia de se tornar adulto com mais rapidez.
Falando sobre mim, devo dizer que não faz muito tempo que tive 10 e 11 anos, porém, é terrível poder afirmar que há poucos anos as coisas ainda eram bem diferentes. Nessa época, ainda não haviam inventado nem o orkut e as meninas eram bem mais preocupadas em vestir suas Barbies do que em tirar fotos sensuais para divulgarem seu corpo púbere na internet. Não vou dizer que não existiam as chamadas ''pra frentes'' que entendiam de assuntos absurdos e que sempre davam um jeito de se oferecer para alguém, mas isso existe desde que o mundo é mundo, mas atualmente a situação perdeu o equilíbrio. As meninas devem ser ensinadas que é normal ter curiosidade, interesse e desejo pelo sexo oposto, mas se oferecer já são outros quinhentos. 
Outro problema é o fator da vestimenta. Crianças devem se vestir como crianças e ponto final. O mundo precisa entender que corpo não é objeto de uso nem de exposição, nem sequer um brinquedo ou uma atração turística. Corpo pode e deve ser respeitado, mais ainda o corpo recém formado. Crianças devem brincar, estudar, aprender e serem saudáveis e não uma espécie de atrativo para pedófilos e mal-intencionados de todos os tipos. O mundo só irá melhorar quando pararmos de dar importância a coisas que não foram feitas para serem cultuadas. Temos que parar de transformar a vida real em uma versão humana de um canal de televisão.
Por: Miriã Pinheiro

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Sonho e sono

Carrego em mim o sonho e o sono.
Sonhar não custa nada,
dormir descansa e é um bom remédio,
que faz da canseira, a nossa aliada.

Por hora é bom desligar a máquina da mente
e ligar a máquina dos sonhos.
Fazer todo o nosso ser repousar
dos problemas mais críticos e enfadonhos.

Maquinar soluções.
Despistar ilusões.
E, sobretudo, acalmar nossos corações.

Sonhar para planejar.
Dormir para descansar.
Despertar somente para amar.

Por: Miriã Pinheiro

Transformação

Há em mim uma necessidade incansável de respirar novos ares,
mudar o trajeto, derrubar a ficha,
correr e voar livre pelos campos da imaginação,
sobrevoar o medo e navegar outros mares.

Vidas repetitivas enjoam.
Falar o mesmo assunto esgota.
Coisas novas querem bater a porta.
Pensamentos recentes sempre arrojam.

Inverter a rota, abrir trilhas,
implantar portas em paredes duras.
Pular com coragem as janelas da decepção.
Sapatear em espinhos e soltar bravas matilhas.

Mudar e lapidar até a vida ser adequada.
Voar até respirar o ar puro.
Correr até os pés criarem a devida rapidez.
Cantar sempre com emoção para a canção não soar magoada.

Por: Miriã Pinheiro

domingo, 29 de junho de 2014

Dias de confusão



Vontade de correr, correr e correr,
até, quem sabe, chegar a algum lugar.
Lugar que possa me acolher.
Quero ouvir palavras, sem me entristecer

Tem dias que a vida nos machuca.
Faz-nos engolir a seco aquilo que dói.
Há coisas que simplesmente não digerem.
Sempre tem algo que corrói.

A vida nem sempre é macia.
Viver nem sempre é uma aventura.
Há dias repletos de desespero.
Dias em que não são ouvidos os apelos.

Nem sempre as coisas estão do nosso agrado.
O desejo da mudança nos consome até os ossos.
Fazendo com que depois da louca confusão,
só sobre nossos pequenos destroços. 

Por: Miriã Pinheiro

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Para ele

Tem nos olhos os meus mais fiéis transmissores de carinho.
Mãos, sempre quentes, repletas de carícias excelentes.
Coração que acolhe, seu abraço é meu ninho.

Proteção que provoca feminilidade.
Desejos sutis de um só remetente, que deliram em minha mente.
Beijos doces e sempre esperados, que em tudo, melhoram minha realidade.

Seja sempre meu, Diamante Precioso.
Que em teu colo gentil e fino, eu conheça meu destino.
Que eu siga sempre te amando com meu coração amoroso.

Em seus braços fui capaz de amar.
Suas palavras sinceras de azul anil e seu sorriso meio infantil,
sempre foram testemunhas do amor que fizestes respirar.

Quero caminhar para sempre ao teu lado.
Juntos sem temer, eu sei, que poderemos crescer.
Você é o meu pedido mais bonito, que dos céus foi enviado.

Por: Miriã Pinheiro

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Insatisfação

Insatisfação: eterna perseguidora do coração e da alma humana. É ela que me faz acordar todos os dias querendo ter uma vida diferente. Lembrando, que ''querer uma vida diferente'', não significa que se é infeliz, perfeccionista ou praticante ativo da arte de reclamar, mas sim uma demonstração da vontade que habita em  nós de crescer na vida. 
Por diversos momentos, me pego tentando descobrir qual será o dia em que vou acordar e perceber que minha vida está da maneira que eu gostaria que ela estivesse. O dia em que vou poder tomar meu café da manhã sem ficar matutando no que possivelmente me falta para, enfim, me sentir completa.
Queria também, poder saber, se verdadeiramente existem pessoas satisfeitas nesse mundo ou se apenas aprenderam a disfarçar suas insatisfações, o que me torna uma reclamadora de primeira classe. Queria conhecer mais a fundo a alma de quem aparentemente está sempre tranquilo. Seria mesmo possível alguém viver em uma constante tranquilidade ou isso seria somente uma mera impressão de minha mesquinha mente humana que insiste em acreditar que os outros possuem uma vida melhor do que a minha?
Insatisfação, essa musa vestida de roxo que ou nos faz levantar da poltrona da sala e sair em busca daquilo que almejamos ou nos perturba deliberadamente brincando de roda nas imaginações mais concretas e realistas. Musa constante, firme e mal humorada.
Quem dera, um dia, expulsar essa petulante do meu caminho e eleger a paz como a guia principal dos meus míseros anseios. Paz que nos faz acreditar, procurar e esperar, brigar mas também saber a hora de aceitar. Paz que conhece o dia, a hora, o lugar e a necessidade. Paz que neutraliza os resíduos negros de onde vamos caminhar.
Por: Miriã Pinheiro

Ventos

Que o vento sopre e traga alegrias.
Que o vento sopre e traga, quem sabe, mordomia.
Que sopre o vento e leve embora
a tristeza do hoje e do agora.

Que o vento sopre e traga desejos.
Que o vento sopre desde as metrópoles até os vilarejos.
Que sopre o vento e leve embora
as lágrimas de quem hoje chora.

Acima de tudo, que fiquemos silenciados
para escutar com o coração
o soprar dos ventos da emoção.

Não fiquemos embaraçados!
O vento está a nosso favor.
O mesmo vento que levou a dor e trouxe o amor.

Esse vento frio e as vezes quente,
áspero e de vez em quando macio.
Vento que esvoaça nossos cabelos
e nos braços, provoca arrepio.

Por: Miriã Pinheiro

terça-feira, 24 de junho de 2014

Sofrimento

Ouço uma música, ela sempre me eleva.
Há momentos em que não consigo saber
o que esperar dessa vida cansativa e amedrontada.
Há momentos em que não sei o quê e como fazer.

Dias que amanhecem nublados dentro do coração.
Dias que as vezes nem amanhecem.
Pergunto aos pássaros, aos céus e a vida,
se algum deles, o meu sofrimento conhecem.

Sofrimento, em algumas horas, desnecessário.
Sofrimento, que talvez eu pudesse evitar.
Sofrimento incapaz de acrescentar sabedoria.
Sofrimento, do qual, nem vale a pena pensar.

O ser humano e sua eterna necessidade de sofrer.
Ele, que busca sofrimento até na alegria.
Nós, que enxergamos o medo naquilo que é ameno.
Eu, que quero mandar a dor para longe de minha autoria.

Por: Miriã Pinheiro

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Refazer

 Por diversas vezes, sinto-me cansada por carregar tantos sentimentos dentro do peito. A desconfiança tem sido minha companheira. Acho que as pessoas são muito injustas umas com as outras e eu não me vejo mais capaz de acreditar nelas, pelo menos por enquanto. Eu gosto de colocar minha confiança em um pedestal e acreditar que ela é o tesouro mais precioso do mundo, até porque se eu não acreditar nisso, tenho certeza de que ninguém dará a mínima importância. Quando entrego esse tesouro nas mãos de alguém, não lhe dou o direito de quebrá-lo ou vende-lo. Dou muita importância para as coisas que cultivo em meu coração. 
Uma vez machucada, nunca mais serei a mesma. Posso até, quem sabe, ficar um pouco parecida ao que era antes, mas nunca voltarei a ser igual. Serei invadida pela insegurança, pelo medo e pela sensação de desconfiança. A questão é: eu quero ser tratada como uma pedra preciosa e ponto final. Mereço respeito, fidelidade, atenção e mereço ''poder confiar'' em todos aqueles que desejam, a fundo, fazer parte da minha vida.
Não quero mais carregar o peso da desconfiança nas minhas costas, nem o desgosto na minha mente. Quero que tudo volte a ser puro, intacto e inocente. Tenho pedido isso a Deus todos os dias, mesmo que em pensamento: quero voltar a acreditar e quero seguir em frente acreditando em mim e naqueles que ousaram me despertar amor. Quero tranquilidade, paz, desejos saciados e uma eterna confiança naquilo que eu não posso ver. Preciso de uma medida transbordante de alegria, paixão, carinho e segurança. Preciso, mais do que tudo, ser feliz.
Por: Miriã Pinheiro

Um dia de férias

Acordei as oito e meia, depois de sonhar que era um gorila que estava correndo loucamente em uma quadra de esportes. Olhei para o meu celular e vi que tinha uma mensagem da minha mãe perguntando se eu já havia acordado. Não respondi. Puxei mais as cobertas até cobrirem meu rosto e dei mais um cochilo de meia hora. Acordei novamente com a voz estridente da minha avó conversando empolgadamente no telefone com a fisioterapeuta, tentando agendar um dia e um horário. Hoje é segunda feira e já faz quatro anos, que todos os domingos, eu durmo na casa da minha avó. A voz falava agitadamente na porta do meu quarto e um pouco incomodada com a situação, decidi que estava na hora de levantar da cama.
Espreguicei-me lentamente, morrendo de preguiça de tirar a coberta e por os pés no chão gelado. Sentei-me na cama, estiquei a coluna até ouvir o estralo dos ossos, como tenho costume de fazer antes de me levantar. Coloquei os pés no chão e comecei a dobrar os cobertores e a arrumar a cama. Vesti minha blusa de frio, fui ao banheiro, lavei o rosto com a água gelada do mês de Junho, coloquei as sacolas que me esperavam no portão na lixeira da rua, despedi de minha avó e subi o quarteirão em direção a minha casa.
Chegando ao fim do meu trajeto, dei logo de cara com dois pedreiros que estão trabalhando em minha casa. Cumprimentei-os e recebi de volta um ''bom dia'' não muito entusiasmado. Perguntei-lhes se o material estava certo e se havia chegado todas as encomendas, responderam positivamente. Entrei em casa, acariciei minha cachorra, sentei no sofá, peguei o celular e comecei a responder a mensagem da minha mãe. Depois fui para a cozinha, pois estava faminta. Tomei um copo de leite com achocolatado e comi um pedaço de queijo, aliás, existe coisa mais gostosa do que um queijo branco de manhã? Terminei meu café da manhã e fui para minha cama com a intenção de ligar o notebook e ver meus e-mails e o Facebook. E cá estou eu.
Bom, um dia de férias, por mais monótono, tranquilo e frio que ele seja, sempre será um bom dia. Um dia sem ouvir o telefone tocar loucamente na busca incansável de uma professora, um dia sem ter que escutar aquela barulheira da criançada, um dia sem ter que carregar dez livros no braço, um dia para poder almoçar sem pressa de terminar, um dia sem tomar banho correndo e sair de casa com o cabelo pingando água ou até mesmo sem pentear o cabelo (misericórdia, Senhor!), um dia para viver tranquilo. E que seja um bom dia!
Por: Miriã Pinheiro


quinta-feira, 19 de junho de 2014

O meu lugar

Um lugar para sentar e pensar.
Um lugar para refletir e remendar.
Eu preciso de um lugar!

Com árvores ou até mesmo sem.
Solitário ou na presença de alguém.
Em São Paulo ou até mesmo em Belém.

Todos precisam de um lugar, um tempo,
um momento dedicado ao cansaço,
um momento para observar o vento.

Quero um lugar que acolha meu anseio,
remova minhas marcas
e me cole ao meio.

Não quero horas marcadas e vidas apressadas.
Não quero atrasos, correrias, tropeços.
Cansei de tentar lutar quando as mãos estão atadas.

Um dia, sem esperar, eu sei que vou encontrar.
Quando a vida parecer um tanto amarga,
Ei de descansar, no ''meu lugar''.

Por: Miriã Pinheiro





quarta-feira, 18 de junho de 2014

A chegada do que se espera

Sonho, esperança, desejo.
Vontade de abrir as asas e sobrevoar a realidade.
Juventude pulsando, pulsando, pulsando.
Anseio eletrizante de crescer e se tornar verdade.

Abrir caminhos, desenvolver rotas, cavar tuneis,
acender luzes, iluminar bosques e atrair olhares.
Subir, enfim, a sala da liberdade,
exalar muitos amores e respirar novos ares.

Romper os limites do senhor Medo,
destruir os planos da incompetência,
refletir perante os enganos, 
sem desprezar nossa mera existência.

Esperança que brilha desde as pontas dos dedos.
Há soluções correndo nas veias da nossa idade.
Que sopre com força os ventos contrários,
pois até eles soprarão felicidade.

Por: Miriã Pinheiro

terça-feira, 17 de junho de 2014

Perda de identidade

É triste saber que estamos vivendo a era da babaquice. A tecnologia foi muito bem aperfeiçoada para que   hoje pudéssemos ter toda essa facilidade. No entanto, a babaquice tem predominado no ser humano, deixando-o cego diante de tantos recursos. Mas, dentre tantas perdas que temos vivenciado, a maior delas é a perda de identidade. Sim, a tecnologia exagerada e as redes sociais tem tirado o pouco que restava da identidade da raça humana. Porém, é desnecessário jogar a culpa no Facebook, no Twitter, no Youtube e até mesmo nas estrelas. A culpa é nossa. A culpa é de quem não sabe fazer o uso correto daquilo que está disponível. Tudo está aí para que nós utilizemos, no entanto, é necessário saber como, quando e com quem usar nossos recursos.
A perda da identidade começou quando todos pararam de ser o que eram para começarem a ser o que todos estavam sendo. O exemplo mais fiel disso é a ''falsa felicidade'' que povoa o Facebook. Todo mundo finge ser feliz vinte e quatro horas por dia. Eu não sou feliz vinte e quatro horas por dia. Nem todo dia eu tenho vontade de pegar meu celular e tirar um ''selfie'' (nome ridículo e estrangeiro, como quase tudo que gostamos de aderir) com a boca escancarada cheia de dentes. As pessoas estão fingindo possuir algo que não possuem. Nós todos sabemos que a vida não é fácil, bom, pelo menos para mim ela nunca foi. Sabemos que não é sempre que temos dinheiro para viajar para qualquer lugar do mundo ou simplesmente ir para a praia. Pessoas fingem ter o dinheiro que não tem. Todos parecem viver em um eterno final de semana ou em uma férias de doze meses, regada a praia, clube sol escaldante. 
Não bastando essa '''falsa felicidade'', ainda há aqueles que fingem terem relacionamentos amorosos perfeitos, sem discussões e desentendimentos, onde tudo é um mar de rosas. Dizem ''eu te amo, mãe'' a todo momento no Facebook, mas se esquecem de dizê-lo pessoalmente. Fingem adorar a família inteira e amar os animais, quando a realidade é totalmente oposta. 
Eu, particularmente, adoro fotos e também uso as redes sociais, porém, acredito que o exagero tem tomado conta da população internauta. Não podemos nos esquecer que somos gente de verdade, com momentos de tristeza e mal humor, momentos sem dinheiro para comprar um bala, família imperfeita e relacionamentos complicados. Não há nada demais em ser normal. Tudo isso são fatores que compõem a nossa identidade. Cada um é o que é porque possui uma vida diferente da do outro. Tirar fotos é gostoso, férias e finais de semana também, mas fingir estar nisso todo dia é desagradável e forçado. Há momentos que pedem uma foto, outros nem tanto e outros de jeito maneira. Tirar foto de cada comida diferente que vai comer também transmite uma imagem péssima e miserável. Mas fazer isso de vez em quando não é o fim do mundo.
Temos que dar um jeito de não deixar que a babaquice nos domine. Somos seres humanos comuns, trabalhamos, suamos, fedemos e voltamos um trapo para a casa no final do dia. Não estamos com vontade de sorrir e tirar fotos o tempo todo, não temos a melhor família e o melhor relacionamento do mundo, da mesma forma que não temos dinheiro para viajar todo final de semana e há férias em que não temos condições de sair do estado. A vida é composta de devaneios, camuflá-los seria perder nossa identidade e o que temos de próprio e único.
Da mesma maneira, há quem não goste de ler ou assistir ''A culpa é das estrelas'' ou simplesmente não possa ou não goste de chocolate ou de cerveja e amigos falsos e oportunistas. Qual é o problema disso? Cada um que pague seus impostos, suas contas em dia e leve sua vida da maneira que considerar mais adequada. A identidade ainda deve ser o maior tesouro de um homem.
Por: Miriã Pinheiro

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Conto de terror: O susto de Marcelo

        Já era madrugada e Marcelo não conseguia pegar no sono. Rolava e rolava em sua cama de solteiro, como se a mesma estivesse cheia de espinhos ou alguma espécie de inseto que lhe picasse a carne. Era a segunda noite de sua família na nova casa. Na noite passada havia sido a mesma coisa: não pregara os olhos. Era incapaz de compreender o motivo, já que se sentia muito cansado e tinha trabalhado muito para alguém que estava sem sono. A noite anterior foi suficiente para deixar-lhe com olheiras. Essa noite, pelo que tudo indicava, não seria diferente. Cansado de se revirar, Marcelo levantou, acendeu a luz e meio aos tombos de cansaço, arrastou uma caixa cheia de livros de todos os gêneros, os quais pensou em arrumar um lugar na estante assim que amanhecesse. Marcelo era amante de livros. Revirou a caixa e logo veio a sua mão ''Noite na taverna'' de Álvares de Azevedo. Havia ganhado aquele livro de um colega mas ainda tinha lido. Resolveu, então, iniciar a leitura. Acostumado a ler histórias de vampiros, do Drácula e terror de todos os tipos, percebeu que ''Noite na taverna'' seria tão assustador quanto!
      Enquanto estava concentrado em sua leitura, Marcelo percebeu um barulho que parecia vir da sala. Pensou que alguém teria acordado para tomar água ou algo assim. Continuou, tentando retomar a concentração, quando de repente, ouve outro barulho, parecido com passos fortes de soldados. Impressionado, Marcelo interrompe a leitura, fecha o livro e fica atento, olhos arregalados para o nada. O que seria aquele barulho e será que ele realmente estava vindo da sala? Logo pensou em seu irmão caçula, dado a fazer ''pegadinhas'' com todos os que viam em sua frente. 
     O barulho pareceu cessar, no entanto, o medo ainda mantinha seu lugar. Marcelo achou melhor desistir de ler ou fazer qualquer outra coisa e tentar dormir, já que estava precisando muito e deveria se esforçar para conseguir descansar pelo menos por algumas horas. Apagou a luz e voltou para a cama. Já deitado, levantou a ponta da cortina ao lado de si para ver como andava a iluminação da noite naquele lugar deserto. Era pouca! Sentado na cama, ficou olhando ao longe, tentando captar todos os detalhes da nova moradia. Concluiu que não tinha vizinhos, pois a casa mais próxima ficava a uns três quarteirões dali, no entanto, o lugar ainda era considerado uma zona urbana, só que parecia estar literalmente abandonado e a margem do mundo. Marcelo se sentia no meio do nada! Observando o lugar, Marcelo notou a presença de pontos brancos e salientes no chão, vindo desde muito longe e chegando até embaixo de sua alta janela de segundo andar. Notou também que alguns pontos brancos pareciam ter formato quadrado e alguns tinham uma cruz desenhada ou ao lado. Imaginou ser um cemitério abandonado. Começou a se sentir zonzo, tinha pavor de cemitérios e sabia que havia algo de errado naquela casa, afinal, seu pai a comprou por um preço de banana.
       Marcelo, confuso e com medo de estar no meio ou dentro de um cemitério, abaixou a cortina, deitou-se na cama e cobrindo todo o rosto com o cobertor, decidiu que tinha que dormir logo e de uma vez por todas. Meia hora depois estava adormecido. Permaneceu assim por mais quatro horas, quando pulou da cama com o toque estridente do despertador. Eram sete horas, estava cansado, dormira pouco e tivera um sono agitado. Hoje seria seu dia de folga, mas havia prometido a mãe que levaria o irmão para a escola e organizaria os objetos da casa que ainda estavam em caixas, portanto, tinha mesmo que levantar.
       Durante o café, perguntou a mãe:
__ Vocês saíram alguma vez para olhar o quintal?
__ Demos uma olhada rápida, filho. Por que?
__ Estava olhando pela janela ontem e percebi que o terreno todo está repleto de túmulos, isso é um cemitério.
__ Não vai me dizer que está com medo disso? Aqui foi um cemitério, mas faz uns cinquenta anos que ninguém pisa aqui, foi abandonado junto com a casa. Seu pai disse que tentará se livrar de boa parte dos túmulos, mas não sei de que jeito. O importante é que agora temos uma casa e é o que nosso dinheiro pôde pagar.
__ Não concordo em morar em um cemitério. Essa casa devia ser do caseiro que olhava o cemitério. Adivinhei?
__ Adivinhou!
         Quando todos saíram, Marcelo quis inspecionar a casa. Desceu ao porão e começou a abrir as gavetas de um antigo armário de madeira. Quase desmaiou quando encontrou retratos de mais de cem anos, velas de várias cores, cruzes e um caderno totalmente amarelado. Abriu e leu a primeira página. Entendeu que era onde constavam os nomes dos mortos daquele lugar. Sentiu ânsia, frio na barriga, tontura e medo de estar sozinho e o pior, morando em um cemitério abandonado. Queria acreditar que tudo aquilo era uma piada, que estava sonhando ou que era fruto de sua imaginação. Mas o cheiro de morte daquele lugar não o deixava pensar em outra coisa. O próprio portão da casa era de cemitério, como não relacionou isso antes?
        Saiu correndo, queria ultrapassar aquele portão horroroso e sair daquele lugar o mais rápido possível mesmo que não soubesse nem tivesse para onde ir. Chegou ao portão, mas estava trancado. Voltou para casa para ver se sua mãe havia deixado a chave, mas as portas da casa também estavam trancadas, somente a portinha que acabara de sair do porão estava aberta e esta não levava para dentro de casa. Ficou aflito, desesperado e começou a gritar sem parar. Estava sozinho e preso entre centenas de túmulos. Em meio aos berros e suor, acordou, estava deitado em sua cama dentro de sua bela casa amena e sossegada, cercada por vizinhos gentis. Pegou o celular e olhou o calendário para saber que dia era e em que ano estava. O pesadelo parecia ter durado séculos. Era sexta feira 13.
Por: Miriã Pinheiro