segunda-feira, 14 de julho de 2014

Alívio

Do mais tormentoso esforço
creio que virá a recompensa.
Sei que o cansaço será respeitoso
e que toda luta sempre compensa.

Não farei da opressão minha companheira,
nem da angústia minha irmã.
Desde agora, lacro meus ouvidos perante a ilusão.
E deixo o último espaço para a dor derradeira.

Saia daqui o desprazer!
Deixem-me as vozes agoureiras!
Quero a virtude de quem prestígio acrescenta.
E o sabor de, enfim, conseguir um bela proeza exercer.

Por: Miriã Pinheiro

sábado, 12 de julho de 2014

Amanhã

Dia de amanhã: pequeno ramo de oliveira que um pássaro traz no bico, 
livro que ainda não foi escrito, árvore que não foi plantada.
O dia de amanhã é um mapa a ser estudado,
uma proposta esperando ser analisada.

É uma porta que ainda não foi encontrada,
um anel que um dia será ganhado.
Um sonho de quem ainda não dormiu,
o tormento de quem não quer viver desesperado.

O dia que está por vir sairá da cartola,
aparecerá ao abrir das cortinas vermelhas do teatro.
Nascerá feliz no seu pequeno mundo em formato de bola.

Vagará confiante como o pensamento da criança,
chegará alegre ao pé do ouvido
e nos dará tempo de correr para pegar a próxima dança.

Que o globo gire e nos conceda um novo amanhã.
E que não seja novo apenas de nome,
mas que faça da história uma bela façanha.

Por: Miriã Pinheiro




sexta-feira, 11 de julho de 2014

Espera

Dia mais dia tenho esperado o melhor do futuro,
jovem que é jovem é movido por sonhos.
O sofrimento, a angústia e a lágrima devem ser passageiros.
É preciso acreditar e deixar de ter o coração duro.

Os anseios e as vontades crescem por minuto,
as palavras embaralham-se tentando formar uma hipótese.
A vida segue traçando seus planos,
tudo terá o dia certo e o momento absoluto.

Lavar a mente, relaxar o coração e soltar os nós da garganta,
talvez seja a solução para aliviar a opressão do pensamento.
A alma que padece na ansiedade e no medo só ganha dor e infelicidade,
o melhor é estender as mãos e aguardar o fruto da planta.

Quantas lágrimas escorrem e ficam perdidas para sempre
na imensidão de emoções que jorram dos olhos?
Lágrimas não representam, nem provocam bons resultados.
Melhor cultivar coisas boas e deixar que a esperança entre.

Por: Miriã Pinheiro

O morro dos ventos uivantes

Não vou embora!
Não quero deixar sozinho o meu amado.
Não tive coragem de soltar meu sentimento,
magoei-lhe ontem e vou me livrar desse pensamento, agora!

Cansei de vagar sozinha pela charneca,
vim buscar o meu amor!
Meu coração já não existe, minha vida acabou,
o sonho da minha alma o vento levou em um capricho de boneca.

Meu amor me espera, ansioso.
Sua vingança está acabando.
Andei a caminhar por entre seus sonhos,
são eles os mais tristonhos suspiros de um caprichoso.

Voltarei, enfim, ao cigano de minha alma.
Colocarei fim ao meu tormento.
Encerrarei esse pesadelo regado a vento gelado.
Heathcliff, meu amado, em breve devolverei sua calma.

Por: Miriã Pinheiro

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Cansaço psicológico e problemas escolares

O cansaço psicológico é o pior tipo de cansaço que existe na face da Terra. Você sabe que está bem e descansado fisicamente, porém sua mente está trabalhando a mil por hora, fazendo com que você fique exausto de tanto matutar naquilo que você tem que se preocupar em fazer (ou não). 
Último semestre da faculdade já está dando as caras, trazendo consigo o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) e seiscentas maravilhosas horas de estágio em escolas. Logo, chegará o momento de dizer adeus às férias e tudo recomeçará novamente da mesma forma (melhor, eu espero). Só de imaginar que a vida sofrida de professor eventual está retornando a minha porta, bate uma vontade imensa de se trancar no quarto e ali permanecer o resto do ano. Sim, essa vida não é nada fácil. Se os benditos dos professores efetivos (e velhos) já não estão conseguindo dar conta da molecada, imagina o coitado do eventual que tem menos respeito do que os latões de lixo do pátio da escola. Pior ainda é ser uma professora jovem ou uma jovem professora, acho que dá no mesmo! Apesar, de que me deparo sempre com eventuais de meia idade que são tão desrespeitados quantos os jovens como eu. 
 A verdade, é que não dá para esperar muito dos adolescentes de hoje. O respeito é algo que está em falta no mercado da educação já há algum tempo e a tendência, infelizmente, é piorar cada dia mais. Certa vez, ouvindo uma conversa por aí, escutei algo que me chamou muito a atenção. Alguém disse que ''a educação não é para todos e sim para quem quer.'' Acho que essa frase deveria ser a definição de tudo o que está acontecendo. O erro começou quando proibiram a criança e o adolescente de trabalhar. Você pode até dizer que haviam muitas crianças que gostariam de estudar e que eram exploradas cruelmente, por isso veio a lei da proibição do trabalho infantil. No entanto, como poderemos obrigar alguém a estudar? É uma questão difícil, já que muitos adolescentes dizem na cara dura que preferiam muito mais estar na rua vendendo sorvete do que dentro de uma escola olhando para o infeliz do professor. Você pode dizer também que o elemento em questão não está na idade adequada para trabalhar e menos ainda na idade de decidir o que quer para a própria vida, porém não é certo ele atrapalhar a vida de outrem por ser obrigado a usufruir de um direito que quer abrir mão. 
A educação é um direito de todos, mas não são todos que servem para compartilhar desse direito. Não são todos que sabem valorizar os materiais didáticos e todos os recursos do governo que são investidos na educação. Há quem pense que esses materiais são uma bela de uma porcaria, porém eu digo que não. Até há alguns anos não havia esse material. Hoje, as crianças ganham cadernos e outros materiais escolares de qualidade para fazerem uso durante o ano letivo. As apostilas são razoáveis, porém os livros didáticos são excelentes. Todos os anos, recebem também um belo kit com livros de literatura. O ensino é bom e é melhor ainda para quem tem vontade de aprender. A escola é boa e tem sido boa até demais para o tipo de gente que tem recebido ultimamente. O único problema é a extrema valorização da quantidade e o esquecimento total da importância da qualidade dentro de uma instituição de ensino.
Por: Miriã Pinheiro

Amor pela poesia

Por você sinto minha vida pulsar
Olhos que jamais deixarão de inspirar meu coração;
Encaixando em meu ser, cada peça dos meus sonhos.
Serei eternamente sua, minha dama companheira!
Imaginarei que tu caminhas ao meu lado em todos os momentos.
Amarei suas palavras e desejarei ainda mais conhecer seus segredos.

Eternamente quero atender seus pedidos.
Uma vez mais, brincarei com as palavras, adotando seu belo nome.

Trabalharei pensando em ti,
Estudarei para desvendar seus mistérios.

Arduamente seguirei cantando seus versos
Mandarei seus sinais para quem quiser ouvi-los.
Obedecerei seus comandos e fielmente morarei em ti.

Por: Miriã Pinheiro

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Chuva

A chuva cai suave lá fora, despejando levemente
seus pingos macios e esperados.
Que chova a chuva mansa
e lave a alma dolorida dos condenados.

Misturam-se chuva e vento,
unindo-se com o objetivo de trazer novos ares.
Tornam-se uma as gotas de água e a brisa gelada,
acalmando dentro de mim os tormentosos mares.

Que a chuva lave a terra e não tenha medo
de derramar pingos de esperança em nosso chão.
Chuva mansa, vida suave, vento que levemente bate.
Venha, chuva! Encharque sem dó, as gavetas do meu coração.

Por: Miriã Pinheiro 

Mafalda: a crítica que não envelhece

Todo mundo pode dizer que uma vez ou outra na vida já se deparou com alguma tirinha da famosa garotinha do cabelo volumoso. É muito comum encontrar tirinhas da Mafalda nos livros didáticos de Língua Portuguesa de todas as séries e é mais fácil ainda encontrá-las nas provas de concursos públicos. A verdade, é que essa garotinha é mais conhecida do que nota de um real pelo fato de sempre ter uma pergunta e uma resposta ideal para todas as situações na ponta de sua língua afiada. 
A personagem foi criada por Quino, um desenhista argentino, por volta de 1968. Seu maior objetivo é contestar e discutir por meio dos quadrinhos humorísticos, temas polêmicos nas mais diversas épocas. Mafalda, logo na primeira leitura, transmiti-nos sua curiosidade contagiante de menina de seis anos e uma enorme inquietação política. No entanto, existem pesquisas que afirmam que Mafalda não foi criada com o objetivo de retratar a situação em que se encontrava a Argentina, mas com o tempo foi adquirindo um tom crítico, usando a sua inteligência como forma de contestação.
Mafalda é uma garota como outra qualquer que tenta encontrar uma explicação palpável para as coisas da realidade. Porém, suas dúvidas são voltadas para os problemas sociais, as desigualdades e conflitos políticos. 
Dentro dos quadrinhos de Mafalda, podemos observar também o comportamento de seus amigos. Cada um possui uma determinada personalidade e um jeito diferente de enxergar a realidade, mostrando como realmente são as pessoas da sociedade. 
Com toda a sua fama claramente crítica, Mafalda foi se destacando cada vez mais em muitos países, inclusive no Brasil. A linguagem de suas tirinhas é altamente compreensível e é incrível como as questões debatidas ainda sejam tão atuais nos dias em que estamos vivendo. Suas histórias pararam de serem produzidas no ano de 1973, porém suas críticas e principalmente o seu humor inconfundível, continuam e continuarão a persistir enquanto o mundo for capaz de compreender os seus mais sinceros recados de menina questionadora. 
Por: Miriã Pinheiro

terça-feira, 8 de julho de 2014

Cultura

É muito comum ver por aí um monte de gente sem conhecimento criticando a cultura do Brasil e outros até achando que ela não existe. Dizem que só pensamos em carnaval e futebol. E sim, é verdade. Mas não é porque a população tem um conceito errado de cultura, que podemos afirmar livremente que somos um país sem cultura. Cultura é a história e os costumes de um povo e assim como todos os povos, nós também temos uma cultura. E não, ela não é somente composta por carnaval e futebol. Para quem não sabe, o carnaval não tem origem brasileira e nem sempre foi organizado da maneira que é atualmente. A ideia da festa sempre foi proporcionar diversão por meio de bailes, desfiles e danças com máscaras. No entanto, decidiram que vulgarizar a festa tornaria a comemoração mais amada e assistida, transformando-a na maior festa do Brasil. E é verdade que o Brasil gosta de ver uma bunda suada na televisão. A bunda é a diversão nacional!
Com relação ao futebol, posso dizer que obviamente tenho pouco ou nenhum conhecimento sobre o assunto, mas é um pouco triste considerá-lo como ''o maior espetáculo da Terra''. Admiro muito a seleção brasileira e em todos os momentos torci de todo o coração para que ganhássemos o Hexa. Somente o maior dos ignorantes seria capaz de dizer que não torce para o Brasil só porque não gosta de futebol. Não gostar de futebol é uma coisa, ir contra a torcida da sua nação é outra totalmente diferente. A propósito, com relação a perda do Brasil para a Alemanha, prefiro acreditar que a seleção fez tudo o que pôde para que o jogo fosse diferente, mas infelizmente não deu certo. E o pior é ver nos telejornais um bando de idiotas dando uma de vândalo por causa da derrota. Sabedoria não é o forte desse povo, com certeza!
Mas deixando um pouco de lado o futebol e o carnaval (coisa que muita gente deveria fazer), quero ver se consigo ressaltar um pouco alguns dos aspectos que fazem de nós um povo com cultura, sim senhor! Primeiro de tudo, pense no que você faria se tivesse que passar o resto da vida comendo macarrão. Pense em como se sentiria se nunca mais comesse arroz e feijão e nunca mais provasse uma feijoada. Nossas comidas, assim como nós, foram resultados de uma mistura de vários elementos. Os portugueses não conheciam a feijoada, ela é resultado da mistura que os escravos faziam com os restos de carne que lhes eram concedido. Portanto, a feijoada é literalmente uma comida brasileira, por isso faz parte da nossa cultura.
Quando o assunto é Literatura, os leitores de plantão com certeza já leram algo considerado Literatura Brasileira. Todo mundo já está cansado (ou pelo menos deveria) de ouvir falar de Machado de Assis. Sim, o escritor que precisa ser dividido em três fases para ser estudado, é brasileiro. Se formos falar sobre os poetas, seriam necessárias cinquenta postagens de blog, já que é imenso o arsenal de poetas maravilhosos que contribuíram fielmente com a formação da nossa literatura e mais ainda no enriquecimento da nossa cultura. Existe cultura maior do que Literatura? Não importa a época ou o movimento a que pertence, a Literatura faz parte da história de um povo. Literatura é sinônimo de identidade.
Pior ainda é escutar nego falando que música brasileira não presta. E seria verdade mesmo, dependendo da música, é óbvio. Porém, seria tolice afirmar que não temos música boa! A MPB (música popular brasileira), como o nome já diz, é inteiramente nossa e possui infinitas canções maravilhosas. Seria até desagradável citar dois ou três nomes, quando é imenso o estoque de poetas que temos e tivemos dentro da nossa música. A MPB é um mistura de ritmos africanos, indígenas, cantigas populares, fanfarras militares, músicas religiosas e até europeias.
Sem dúvida alguma, ainda existem muitos fatores que formam, colaboram e fazem parte diretamente da composição da nossa cultura. E para quem acha que não, eu digo que sim. Nós temos uma cultura e uma cultura muito rica, misturada e exuberante como toda cultura deve ser. Os personagens folclóricos, por exemplo, é um pedaço importantíssimo da nossa história, deixar de passá-los às gerações seguintes seria um erro imperdoável. O Brasil é rico e abençoado. É maravilhoso viver em um lugar onde terremotos e furacões são praticamente lendas. Não tome os problemas sociais dos país como falta de cultura. Educação, saúde, moradia e trabalho são problemas sociais e não culturais. Não culpe os canais de televisão se você é o primeiro a dar ibope. Não confunda problemas sociais com culturais. Procure, sobretudo, exaltar o que seu país tem de bom. A política, com certeza, não é ruim só aqui. Bandidos, não existem só aqui. Problemas não são exclusivamente brasileiros. 
Por: Miriã Pinheiro

Gabriela

''Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim.'' (Dorival Caymmi)

 Sempre que paro para pensar sobre meu jeito e algumas de minhas atitudes mais banais, acabo tendo ainda mais certeza de que sofro do ''complexo de Gabriela''. Não estou nenhum pouco presa a risos, gargalhadas ou críticas sem fundamentos. Odeio perder meu tempo com conversa fiada e gente sem objetivo. Tenho pavor de ficar desperdiçando saliva com quem nada tem para acrescentar, a não ser vergonhas, invejas e decepções. Não estou nenhum pouco disposta a participar de reuniões que incluam pessoas viciadas em qualquer tipo de droga que converta seu comportamento já ridículo por natureza em algo ainda muito pior e indecente. Não tenho o menor saco para aturar gente vazia que tenta se encher de qualquer coisa que encontra pela frente. Minha tolerância não existe para quem acha que a vida é um Reality Show! Eu sou assim: arcaica, ultrapassada e conservadora.
Eu nasci assim e não vou perder o sono só por engordar alguns quilos ou por ter saído de casa com o cabelo molhado. Não vou abaixar a cabeça se for surpreendida na rua de chinelo verde e calça desbotada. Sem dúvidas, não ficarei com vergonha em falar que tenho estrias como qualquer outra mulher de carne e osso e menos ainda em dizer que não sou louca por sapatos. 
Talvez, seja a maior novidade dizer que estou pouco me lixando para horóscopos e que saber que sou de Touro, jamais seria suficiente para prever minhas atitudes.
Quando o assunto é cozinha ou casa, tenho que dizer que me sinto muito bem cozinhando e não tenho medo de que pensem que sou tapada ou submissa. Desde quando gosto é sinônimo de submissão? Sou tão submissa que prefiro abolir os filmes de romance e dar lugar para os de terror, já que emoções fortes me definem melhor. 
Pedir para os outros fazerem o que eu tenho que fazer também é assunto delicado. Ninguém parece fazer tão bem minhas coisas quanto eu mesma. Dou o melhor de mim em tudo o que faço e sempre almejo a primeira colocação. Eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim, Gabriela, sempre Gabriela.
Por: Miriã Pinheiro

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Alfinete

Cansada do cansaço que se apodera
da mente vazia e as vezes desocupada.
Cansada de pensamentos meio vagos,
que me sufocam na esperança de me manter calada.

Dores pequenas que alfinetam o coração.
Dores pequenas, miúdas e inconvenientes.
São as pequenas raposinhas que destroem as vinhas,
esgotando desde as plantas dos pés até aos cantos dos dentes.

Ilusão querer moldar a vida aos nossos desejos!
Fantasia mirabolante querer uma constante felicidade,
que não fosse embora nem na hora de tomar um xarope,
que permanecesse, mostrando sua lealdade.

Quero impedir as alfinetadas da vida,
que fazem de mim uma boneca sem escolha.
Não quero mais sentir nenhum alfinete,
Deixem, de uma vez por todas, de me compararem a uma frágil bolha!

Por: Miriã Pinheiro






sexta-feira, 4 de julho de 2014

Imaginação

Imaginação: eis o dom mais belo!
Imaginar que se está na lua, caminhando calmamente.
Imaginar outros lugares, outras brisas,
climas amenos, solos firmes.

Imaginar uma poesia doce a soar nos ouvidos
já cansados de ouvir as próprias lamúrias.
Imaginar, por fim, um coração que vive transbordando
amor, tranquilidade e pequenas belezas.

Imaginar que se imagina.
Deixar que o pássaro azul da alma encontre o seu abrigo
e volte feliz e orgulhoso dos ninhos que criou.
Deixar que escorram pelos olhos, os desejos mais profundos.

Aprender a fazer sozinho o transbordar da vida.
Construir qualquer alicerce com as próprias mãos,
deixando que o próprio barro nos instrua.
Permitir que o céu seja a morada dos anseios humanos.

Por: Miriã Pinheiro

Inimigo

Eu, que observo vagamente as metamorfoses da vida,
acabo ficando com medo do relógio.
Eu, que vibro com cada mudança,
pego-me pensando em tentar escapar do receio.

Quando o cansaço me invade,
relembro o quanto gostaria de ter sido melhor,
feito melhor, levado as coisas mais a sério.
Choro, então, a dor da incompetência.

Já foi comprovado: o inimigo mora ao lado.
Pior, o inimigo mora dentro.
O inimigo é tocável e não invisível.
Lutar com ele nem sempre é vantajoso.

Noites são sinônimos de reflexão e cura.
Tudo fala mais alto quando o céu está escuro.
No entanto, as estrelas não gostam de nos dar ouvidos.
Ninguém ousa se meter na luta com o inimigo enrustido.

Por: Miriã Pinheiro

Perdida: um amor que ultrapassa as barreiras do tempo

Logo quando vi a capa desse livro em uma revista, já fiquei louca de curiosidade para saber do que se tratava ali. Após ler a sinopse e descobrir de que falava de uma garota que ficou perdida no século dezenove,  minha curiosidade só aumentou e tive que comprá-lo. Essa contagiante e irresistível obra, nada mais é do que o segundo livro publicado da jovem escritora Carina Rissi. Segundo a mesma, ela começou a escrever esse livro meio que as escondidas, achando suas ideias meio absurdas. Um dia, porém, decidiu mostrar os escritos para seu marido, que ficou encantado e ajudou-a, no inicio, a publicar a obra por conta própria. Confesso, que no início da leitura, eu fiquei pensando que não conseguiria me prender muito a história, mas no decorrer do enredo, notei que estava totalmente presa e ligada a protagonista Sofia. Pode parecer loucura, mas cheguei a pensar que não gostaria que o livro terminasse, pois me apeguei a personagem como se ela fosse real.
O livro é inteiro narrado em primeira pessoa pela própria Sofia. Sofia, tem vinte e quatro anos e aparentemente é uma jovem como qualquer outra, incapaz de viver sem a bendita tecnologia e extremamente apegada aos celulares. No entanto, Sofia parecia viver uma vida um tanto vazia. Trabalhava em um escritório, morava sozinha, pois havia perdido seus pais em um acidente e não acreditava muito no amor, pelo fato de até então, nunca ter se apaixonado de verdade.
Um dia, sua amiga Nina decidiu que iria morar junto com o namorado Rafa e chamou Sofia para uma comemoração. Durante o encontro, Sofia sentiu vontade de ir ao banheiro e acabou derrubando o celular dentro do vaso sanitário. Enojada com a situação e sem a menor coragem de colocar a mão lá dentro, decidiu que na manhã do dia seguinte compraria um novo, já que não podia sobreviver uma hora sequer sem o que ela chamava de ''monstrinho''. 
Durante a compra do novo celular, Sofia notou que a vendedora era extremamente estranha e misteriosa, chamava-a de ''querida'' constantemente e parecia gostar muito dela sem nunca a ter visto. Essa mulher,  induziu-a a comprar um determinado aparelho sem lhe dar nenhuma outra opção. Sofia acabou aceitando, pois queria muito um celular e tinha gostado bastante daquele que lhe foi oferecido. Comprou o celular e no meio do caminho, quando tentava ligá-lo, percebeu que o mesmo não acendia de maneira alguma. Ficou desesperada, apertando todas as teclas, até que o aparelho acendeu uma insuportável luz branca que a cegou, fazendo-a tropeçar em uma pedra e se esborrachar no chão. Sofia desmaiou e acordou nos braços de um lindo rapaz do século dezenove. Sim, ela achou absurdo aquilo, mostrou-se relutante, abismada, mas realmente estava em 1830. O jovem Ian Clarke, juntamente com sua irmã, seus criados e uma amiga da família, acolheu Sofia em sua casa, mostrando-se sempre prestativo e ligeiramente educado e gentil de um jeito que a garota jamais havia visto em sua vida, já que os homens do nosso século são exatamente o oposto disso.
 No mesmo dia em que chegou a casa da família Clarke, o celular que não funcionava tocou e ela recebeu uma ligação da estranha vendedora que lhe vendeu o dito aparelho. A mesma, sempre muito misteriosa, disse que Sofia estava ali porque precisava cumprir uma jornada, precisava encontrar o que necessitava para ser feliz, precisava conhecer a si mesma e descobrir coisas novas, quando encontrasse o que sua alma procurava, poderia voltar para casa. Daí para frente, Sofia ficou tentando encontrar todos os tipos de pista para acabar logo com aquilo. Ela estava perdida, sem celular ou qualquer tecnologia, sem condicionador para o cabelo, tendo que usar vestidos longos e rodados e sem ter um banheiro para usar, já que naquela época existia a famosa ''casinha''.
A família Clarke tratou-a como se já a conhecesse. Sofia queria voltar mas ao mesmo tempo se sentia em casa. O que ela não imaginava é que se apaixonaria pelo gentil Ian Clarke. Em poucos dias após sua chegada, ambos estavam apaixonados e loucos um pelo outro. Sofia morria de medo de se entregar, pois sabia que voltaria para casa de uma forma ou de outra e acabaria machucando Ian e a si mesma. Mas, como diz a sinopse, seu coração tinha outros planos. 
As cenas de amor com Ian descritas por Sofia, são perfeitamente lindas e muito sensuais. Sofia descreve com clareza todas as sensações que Ian provocava em seu corpo e em seu coração. Sofia era totalmente diferente de tudo o que via naquele século, mas aprendeu que poderia ser feliz sem precisar de tanta tecnologia.
Bom, acho que não devo contar o final, pois estragaria os planos de quem almeja fazer a leitura desse livro, que é um pouco longo, mas possui uma leitura fácil e informal. Só sei que seria capaz de ir brigar na porta da casa da escritora, caso ela não desse um final feliz para aquele casal tão ''diferente''.
Espero que sintam vontade de ler!
Por: Miriã Pinheiro

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Minha busca

Quero a pacificidade, o sossego, o aconchego
de quem vive como se não tivesse o que temer.
De quem segue como se já fosse predestinado,
como se já estivesse programado para vencer.

Quero a paz que acalma a alma, 
relaxa o coração e apascenta a mente.
Quero despertar sabendo que o dia será melhor,
que darei de cara com gente sincera e benevolente.

Quero acreditar que tudo sempre volta ao normal,
que ser feliz sempre será uma causa possível.
Quero enxergar o medo como uma estátua sem vida
com feias feições de sentença não audível.

Por: Miriã Pinheiro

Limpeza

''Se pudesse abrir a cabeça, tirar tudo para fora, arrumar direitinho como quem arruma uma gaveta. Tomar um banho de chuveiro por dentro.''
(Caio Fernando Abreu)

Quem nunca leu o pensamento citado acima e quase ficou louco de tanto que se identificou? Tenho certeza de que a maioria das pessoas, já imaginou o quanto seria bom poder abrir a cabeça e tirar tudo o que está vagando lá dentro e colocar cada coisa em seu devido lugar, além de poder fazer uma completa faxina naquilo que fosse desnecessário. Sem dúvida alguma, Caio F. Abreu sabia muito bem como transformar suas brilhantes ideias e seus reais sentimentos em palavras fáceis de compreender, deixando que o leitor ''colocasse os pés em seus sapatos'' e entendesse o quanto os sentimentos humanos são parecidos.
Trazemos isso para a nossa vida e pensamos o quão bom seria se pudéssemos fazer uma faxina em nossas emoções. E até podemos, só que não é tão simples quanto dizem os psicólogos e seus afins. Colocar nossos pensamentos, emoções e sentimentos em seus devidos lugares e eliminar o desnecessário não é tão fácil o quanto parece. Se pararmos para refletir por alguns minutos, chegaremos a conclusão de que dentro de nós existem velharias cheias de teias de aranha, da qual não usamos mais, mas ainda temos uma certa dificuldade em nos desfazer. Desfazer do que já foi fincando em nosso interior é um processo bem complexo, porque sempre tem algo que já está embutido em nosso ser e é difícil se livrar tanto por uma forma de apego, quanto pela dificuldade em descolar algo que já está bem colado.
A maioria de nós passa o tempo todo remoendo mágoas passadas, acumulando dores desnecessárias e cultivando o que já passou da hora de jogar fora. Além de tudo, temos a incessante mania de ter medo de situações que provavelmente nunca ocorrerão. Ficamos com aquele pressentimento, aquele pensamento atrevido nos cutucando sem haver a menor necessidade dele estar ali.
É extremamente complicado se livrar do inútil, mas todo esforço é válido quando o objetivo é ''tomar um banho de chuveiro por dentro''. Não podemos mais viver na corrosão, na miséria psicológica e no medo fantasioso, precisamos limpar e deixar que escorra a vontade a água encardida da aflição.
Por: Miriã Pinheiro

Prematuros

Esses dias comecei a observar no Facebook e também na vida real, o comportamento de algumas garotas entre 10 - 12 anos. Confesso que fiquei um tanto decepcionada com a impressão que tive. Não vou dizer que eu não estava por dentro das ''mudanças'' do nosso mundo atual e nem que eu já não sabia o rumo que as coisas estavam tomando, mas a situação está um pouco pior do que eu imaginava. 
Abri, sem compromisso algum, o Facebook de uma garota e comecei a prestar atenção nas fotos. Realmente, ela é uma menina muito bonita e bem formada, embora tenha acabado de completar 11 anos. No entanto, a ''postura'' que ela tem em suas fotos, não é das melhores. Se eu não a conhecesse, com certeza começaria rapidamente a tirar conclusões precipitadas. Havia fotos em que ela estava somente de sutiã, outras com a blusa levantada mostrando a barriga e várias outras em que fazia gestos considerados sensuais por aquelas pessoas nojentas e sem escrúpulos. Já, que para mim, qualquer pessoa que acha sensual ver outro ser humano divulgando fotos em redes sociais tentando competir com alguns animais em seu período fértil, com certeza não pode ser uma boa pessoa. Mas, não é sobre isso que quero discutir!
O que mais me chama a atenção em algumas garotas é a pressa que elas tem de crescer, namorar, ter relações sexuais e fazer de tudo o que para sua idade, elas nem deveriam ter o devido conhecimento. Não estou me referindo a parte biológica, pois essa sim deve ser muito bem ensinada desde criança, mas existe uma parte sexual que é totalmente desnecessária para o conhecimento das crianças e pré-adolescentes. Acredito, que o maior problema seja os lugares e as pessoas com quem são adquiridos esses conhecimentos. Não haverá no mundo ninguém melhor do que a própria mãe para ir ensinando seus filhos e principalmente suas filhas, de acordo com a idade que vão adquirindo e as perguntas que vão fazendo sobre o assunto.
Todos nós sabemos que a pré-adolescência e a adolescência consiste em uma fase de curiosidade e descoberta dos instintos, no entanto, esses fatores estão começando a aparecer cada vez mais prematuramente, eliminando mais cedo a fase da infância. Do jeito que as coisas tem caminhado, daqui a alguns dias as crianças já vão nascer adolescentes. E isso é um sério problema! A infância é uma fase que deve ser aproveitada o máximo possível e não vivida as pressas, de qualquer jeito, na ânsia de se tornar adulto com mais rapidez.
Falando sobre mim, devo dizer que não faz muito tempo que tive 10 e 11 anos, porém, é terrível poder afirmar que há poucos anos as coisas ainda eram bem diferentes. Nessa época, ainda não haviam inventado nem o orkut e as meninas eram bem mais preocupadas em vestir suas Barbies do que em tirar fotos sensuais para divulgarem seu corpo púbere na internet. Não vou dizer que não existiam as chamadas ''pra frentes'' que entendiam de assuntos absurdos e que sempre davam um jeito de se oferecer para alguém, mas isso existe desde que o mundo é mundo, mas atualmente a situação perdeu o equilíbrio. As meninas devem ser ensinadas que é normal ter curiosidade, interesse e desejo pelo sexo oposto, mas se oferecer já são outros quinhentos. 
Outro problema é o fator da vestimenta. Crianças devem se vestir como crianças e ponto final. O mundo precisa entender que corpo não é objeto de uso nem de exposição, nem sequer um brinquedo ou uma atração turística. Corpo pode e deve ser respeitado, mais ainda o corpo recém formado. Crianças devem brincar, estudar, aprender e serem saudáveis e não uma espécie de atrativo para pedófilos e mal-intencionados de todos os tipos. O mundo só irá melhorar quando pararmos de dar importância a coisas que não foram feitas para serem cultuadas. Temos que parar de transformar a vida real em uma versão humana de um canal de televisão.
Por: Miriã Pinheiro

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Sonho e sono

Carrego em mim o sonho e o sono.
Sonhar não custa nada,
dormir descansa e é um bom remédio,
que faz da canseira, a nossa aliada.

Por hora é bom desligar a máquina da mente
e ligar a máquina dos sonhos.
Fazer todo o nosso ser repousar
dos problemas mais críticos e enfadonhos.

Maquinar soluções.
Despistar ilusões.
E, sobretudo, acalmar nossos corações.

Sonhar para planejar.
Dormir para descansar.
Despertar somente para amar.

Por: Miriã Pinheiro

Transformação

Há em mim uma necessidade incansável de respirar novos ares,
mudar o trajeto, derrubar a ficha,
correr e voar livre pelos campos da imaginação,
sobrevoar o medo e navegar outros mares.

Vidas repetitivas enjoam.
Falar o mesmo assunto esgota.
Coisas novas querem bater a porta.
Pensamentos recentes sempre arrojam.

Inverter a rota, abrir trilhas,
implantar portas em paredes duras.
Pular com coragem as janelas da decepção.
Sapatear em espinhos e soltar bravas matilhas.

Mudar e lapidar até a vida ser adequada.
Voar até respirar o ar puro.
Correr até os pés criarem a devida rapidez.
Cantar sempre com emoção para a canção não soar magoada.

Por: Miriã Pinheiro

domingo, 29 de junho de 2014

Dias de confusão



Vontade de correr, correr e correr,
até, quem sabe, chegar a algum lugar.
Lugar que possa me acolher.
Quero ouvir palavras, sem me entristecer

Tem dias que a vida nos machuca.
Faz-nos engolir a seco aquilo que dói.
Há coisas que simplesmente não digerem.
Sempre tem algo que corrói.

A vida nem sempre é macia.
Viver nem sempre é uma aventura.
Há dias repletos de desespero.
Dias em que não são ouvidos os apelos.

Nem sempre as coisas estão do nosso agrado.
O desejo da mudança nos consome até os ossos.
Fazendo com que depois da louca confusão,
só sobre nossos pequenos destroços. 

Por: Miriã Pinheiro