domingo, 25 de outubro de 2015

Meus trovões

Converso com os trovões...
é estranho, mas acho que fazem parte de mim.

Sou formada de trovões!

Em outra vida, fui uma gota de chuva.
Dessas que molham uma rosa
ou caem alegres em um girassol atraente.

Os trovões me dizem coisas
que a ninguém confesso.
Estão comigo
até quando andam calados.

Considero trovões como uma partícula da minha alma
ou talvez um pedaço do meu leve ser
que grita de alegria
e com a chuva vive encantado.

Declarado

Se até pro nada eu faço poema
por que não farei eu pra você
nem que seja um esboço
ou talvez um poeminha?

Pois aqui está ele,
minha beleza encantadora,
diferente, amável
e inspiradora.

Já invadiu meu coração, 
pois invada agora meus versos
e entre na minha canção.
Por você,
já fiz até oração.

Usarei do meu romantismo
talvez um pouco alencariano.
Desses que sobram amor
pra muito mais de um ano.

No pedestal da minha vida
só tu tens o lugar.
Idealização, fantasia
ou apenas a arte de amar.

Amo, amando, amado,
já falei tudo errado.
Era pra ser segredo
o que nesta estrofe
acabou de ser confessado.


Liquidificador

Solto o cabelo, piso na terra,
tomo sorvete no regime.
Não quero ter medo de ser feliz
ou medo de viver.
Encurto a saia, tomo chuva,
escuto bossa, canto Caetano,
leio Drummond
e beijo amor.

Vivo pra viver.
Existo pra ser.
Ando sem medo, cabeça erguida,
com esmalte ou sem,
batom vermelho pra ficar mais zen...

Durmo do lado contrário,
escorrego de cima do meu eu.
Saio dançando com o mundo,
vou vivendo com tudo.

O vento é quem penteia os cabelos,
o sol deixa a pele vermelha
mas também aquece a alma...
Os sonhos surgem na alma
daqueles que têm calma.

Breguinha

Numa dessas noites
tive um encontro.
Encontrei com uns olhos vivos
que mais pareciam estrelas.

Os belos astros luminosos
que me perdoem,
mas aqueles olhos...

Aqueles olhos
brilhavam em torno 
de um universo
chamado meu coração.


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Crônica produzida por uma aluna do 6º ano. Tema: criança lendo no lixão.

Título: Uma lição para mim

        Em um lindo dia de verão, avistei um menino pobre que estava procurando latas para vender em um lixão, quando encontrou um belo livro, sentou-se e começou a folhear as páginas.
       Olhei para ele e perguntei o que ele estava lendo. Ele então me respondeu que não estava lendo, mas apenas olhando as figuras. 
        Fiquei curiosa, pois o José estava muito atento com o seu livro. Perguntei se ele sabia ler e ele me disse que até sabia um pouco, porque fazia pouco tempo que estava fora da escola. Pedi para que me lesse um trecho do que estava lendo, mas ele todo vermelho, recusou-se!
    Depois desse encontro, pensei comigo mesma: eu, com tantos livros, na escola E.M.E.F.E.M Benedito Teixeira de Macedo e ainda frequentando o educandário Joanna de Ángelis, tenho praticamente tudo, enquanto ele tem tantas dificuldades...
          Resolvi então tentar ajudar o José! Levei-o até o educandário e a dona Zilá deu para ele uma direção maravilhosa: telefonou à escola mais próxima e arrumou uma vaga. Ela também avisou José que uma condução iria pegá-lo pela manhã e que a tarde ele iria ao educandário Bezerra de Menezes.
      Na escola, meu amigo José foi bem acolhido por todos! Recebeu material escolar, uniformes, tênis e para minha maior alegria, conseguiu até uma cesta básica para sua mãe dona Joaquina. 
          Então eu pude perceber o quanto era feliz e aprendi muito com a amizade de José, pois por meio dela, aprendi a dar valor a tudo o que tenho em minha vida.
    Hoje José é muito feliz com seus livros, com as escolas, seus novos amigos e principalmente com sua mãe, pois ele não precisa mais ir ao lixão para procurar latas para vender, porque agora tem uma vida digna e acredita em um futuro melhor para si e sua família. 
         De coração, eu digo: que bom que pude ajudá-lo!

Rafaela Vitória dos Santos.




O que é crônica?


Crônica é uma narrativa histórica que expõe os fatos seguindo uma ordem cronológica. A palavra crônica deriva do grego ''chronos'' que significa ''tempo''. Nos jornais e revistas, a crônica é uma narração curta escrita pelo mesmo autor e publicada em uma seção habitual do periódico, na qual são relatados fatos do cotidiano e outros assuntos relacionados a arte, esporte, ciência etc.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O Drummond no meio do caminho

Encontro Drummond 
cada vez que tropeço
nessa bendita pedra
que insiste em ficar
no meu único caminho.

Encontro Drummond
nos cantos da sala, 
do quarto e da vida.
E quando vejo que tudo se perdeu,
mas a vida ainda existe!

Encontro Drummond 
cada vez que perco o bonde
e também a esperança.
Quando percebo que a rua é inútil
e a vida...
nem preciso completar!

Encontro Drummond 
porque quero!
Porque o guardei aqui dentro
nessa pedra do coração.

Ah! Nunca me esquecerei
que bem no meio da minha vida
tinha um Drummond!

Alma exausta

Não sinto prazer em ser humano.
A humanidade em nada me agrada.
Prefiro um livro
a ter que aturar conversas estúpidas.

As pessoas não conhecem mais seu devido lugar...
E para falar a verdade:
qual é o meu lugar também?

Ainda não encontrei as respostas
para todas aquelas perguntas
que de noite, 
espalham-se sobre meu travesseiro.

Durmo para encontrar a razão,
acordo com o peso da emoção
entortando minhas costas,
cansando meus ossos.

Sonho com pássaros, montanhas, 
lugares distantes...
outras vidas, outros amores,
um novo começo
pra uma alma exausta.



sexta-feira, 24 de julho de 2015

Reconhecimento

Não conheço a mim mesma. 
Carrego sentimentos 
que nem lembrava que um dia existiram...
E que de vez em quando, alfinetam meu peito.

Cutucam de um lado,
se remexem de outro.
Gritam daqui, 
sussurram de lá...
e eu?
Não sei quem escutar!

Não sei se quero o sonho antigo
ou o desejo novo.

Se quero fazer as mesmas coisas
ou se preciso de um renovo.

Ainda não sei quem sou
e não sei se um dia virei a saber.

Enquanto isso vou sendo eu mesma
sem saber que sou a própria...
A própria imagem de mim. 




sábado, 27 de junho de 2015

A vida é um gerúndio

Tem horas que refletir é sagrado!
Momentos que a mente voa,
a alma corre,
o tempo soa
e o corpo escorre.

Sentado no balanço da vida,
tudo vai, tudo vem
e você não sabe
se voa ou se contém.

O dia vai passando,
você vai lutando
cansado do eterno gerúndio
que a vida nos faz permanecer.

Indo...
Vivendo...
Amando...
Tentando...
Chorando...
Cantando...

E o tempo vai correndo...
Tudo segue andando...
Até que um dia
só nos reste o infinitivo. 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O terror da água

Quantas pessoas você conhece que ficam de meia hora a quarenta minutos tomando um simples banho? Quantas que lavam o carro sem ter a menor necessidade? E aquelas que escovam os dentes com a torneira aberta, lavam roupa do mesmo jeito e ficam enchendo e esvaziando piscinas? Fora aquelas criaturas demoníacas que ficam três horas lavando a porcaria de um quintal ou ainda ficam jogando água atoa na calçada e até mesmo no meio da rua. 
Todo mundo já está cansado de saber sobre a crise de água que estamos enfrentando. Basta ligar a televisão e ela já está lá, estampada na nossa frente, para todos aqueles que ainda tinham alguma dúvida sobre o tema. E cá entre nós, mesmo se a água não estivesse em crise, por que você sentiria prazer em desperdiçar um recurso natural que nos foi concedido pela natureza para ser usado com consciência? Tudo bem, idiotas sem respeito como somos, podemos até afirmar que a culpa da falta de água não é exclusivamente da nossa pessoa. Mas eu trouxe uma novidade para você: a culpa é toda nossa! A culpa é minha e também é sua!
Desde pequena, descobri que tenho sentimentos assassinos. Isso mesmo! Você pode até ficar assustado e querer chamar a polícia e fique a vontade para tal. Mas sempre que vejo alguém desperdiçando esse recurso natural tão belo, maravilhoso e essencial para a existência humana, sinto vontade de matar a criatura (porque para mim, isso não pode e não deve ser chamado de ser humano, já que de humano não tem absolutamente nada!), esfaquear, atirar um machado na cabeça e ver o sangue escorrer com a maior alegria já sentida. Porém, INFELIZMENTE, eu AINDA estou com o juízo são e não farei isso. Mas, com certeza, atenho-me a desejar o pior destino para essa pessoa. Desejo que tenha a pior morte da face da terra e que sofra muito. Porque, sinceramente, uma pessoa que não respeita algo que ela própria usa e necessita, não merece viver. Eu penso da seguinte maneira: se você é infeliz e não gosta do mundo e da vida, pegue uma corda, uma arma carregada e suicide-se. Mas, por favor, não prejudique a existência de outro ser humano que não possui a menor culpa pela sua ignorância, falta de respeito e de cultura. Pense nas gerações seguintes, nos seus filhos e netos que você tanto diz que ama. Se os ama tanto assim, prove! Economize água e respeite a natureza para garantir-lhes um futuro feliz e de qualidade.


Resenha - A hora da estrela de Clarice Lispector

Mas não sabia enfeitar a realidade. Para ela a realidade era demais para ser acreditada. Aliás a palavra ''realidade'' não lhe dizia nada. Nem a mim, por Deus.
E então, eu li ''A hora da estrela''. Já tinha tentando ler esse livro umas três vezes, mas por algum motivo, eu nunca conseguia ir até o fim. Parecia que a linguagem da Clarice, o dito cujo do eu-lírico e o enredo da história se misturava todo na minha cabeça e acabava em nada! Mas, um belo dia, decidi que iria terminar essa leitura querendo ou não. E estou surpresa, porque logo no comecinho já percebi que estava envolvida e que dessa vez eu iria mesmo até o final.  
Vou contar um segredinho, cá entre nós: não sou uma das maiores fãs da Clarice Lispector! Já li outros livros dela e não gostei nenhum pouco. Principalmente aquele tal de ''Laços de família''. Mas tenho curiosidade de ler muitos outros que ainda não adquiri! Bem, quem sou eu para falar que não curto muito uma escritora tão amada e aclamada pelos mais importantes críticos literários? Exatamente, não sou ninguém! Mas, como todo leitor, eu também tenho minhas preferências. Na verdade, acho que essa minha implicância com alguns livros da Clarice, é porque ela é demais para minha capacidade de raciocínio. Pois é. Clarice possui uma escrita muito reflexiva, introspectiva, que mexe nas feridas da alma, que chega ao mais profundo da miséria humana. E a linguagem dela também não é tão simples quanto esses trechos de efeito que o pessoal insiste em ficar postando e repostando nas redes sociais. Ela é uma escritora que vai muito, muito além de uma frasezinha com mil curtidas. 
E foi tudo isso e muito mais que eu vi com meus próprios olhos em ''A hora da estrela''. 
Esse livro conta a história de Macabéa. Uma moça de 19 anos, alagoana, órfã, com pouco estudo, apenas umas noções bem reles de datilografia, que decide tentar a vida no Rio de Janeiro após a morte da tia que era a sua única, maldosa, porém companheira. Ela passa a trabalhar como datilógrafa e a morar em um quarto de pensão junto com outras moças. O emprego vai mal! A moça não tem noções de higiene, escreve muito mal, erra muito e sempre suja os papéis com as suas mãos mal lavadas. O patrão, com pena do jeito simples da protagonista, acaba deixando que ela fique mais um pouco no emprego, embora tenha desejado despedi-la. Macabéa meio que odeia  a si mesma, não possui o menor rastro de autoestima, aprendeu a reprimir todos os seus impulsos, é virgem, suja, mal cheirosa, tem uma péssima alimentação, não sabe se expressar direito e é invisível, ou seja, ninguém nota sua existência. Até chegou a arrumar um namorado, mas as coisas vão de mal a pior. Além do mais, ele não tinha nada do ''bom moço'' que ela imaginava. A personalidade dele era meio psicopata, perigosa, questionável.
Enfim, é impossível descrever totalmente as características da protagonista. Macabéa é a personagem mais miserável que já conheci na literatura! 

Acredito que cada leitor possui uma interpretação diferente do livro e da protagonista. Mas para mim ele proporcionou diversas reflexões sobre a nossa própria existência humana, sobre como deve existir outras macabéas por aí e como as vezes, nós mesmos, nos deixamos ser Macabéa. É uma leitura rápida e curta, apesar de não ser muito simples, mas que recomendo muito para os que gostam de refletir sobre a pequenez da vida. 


O vídeo acima é o filme ''A hora da estrela''. E vale muito a pena assistir, porque é muito fiel ao livro. 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Chatice e eu

''Ué, criatura, você mudou a cor e o modelo desse blog DE NOVO?'' Fui eu mesma quem me fiz essa pergunta. Até esses dias o meu blog estava todo cor de rosa e com o nome bem destacado lá no início. Mas sabe o que é... eu não estava feliz com isso!
O template rosa que eu estava usando foi criado por uma menina simpaticíssima que conheci no Facebook e ela até me cobrou pouco, para fazer um bom trabalho. Fui eu mesma, que de teimosa, escolhi a cor rosa, mesmo sabendo plenamente que enjoaria ao passar de alguns meses. E não deu outra! Já não conseguia mais nem escrever no blog, nem sequer abri-lo, porque por algum motivo aquela cor estava me dando asco. Foi então que eu fiz o que eu faria com qualquer outra coisa na vida e que inclusive fiz com o cabelo: voltei ao estado inicial. Sim, estou usando novamente o modelo simples do blog e sei que logo, logo a cor dele e o estilo também vão me deixar enojada e causar dor nos olhos, mas pelo menos ficou muito mais discreto e transmite um pouco mais de seriedade. Acho que prefiro deixar os blogues cor de rosa para as meninas que falam de maquiagens, produtos ou qualquer outra coisa para o público feminino. Achei que aquele rosa lindo não estava combinando com a cor natural dos meus poemas. Mas quem pode garantir que eu não vá voltar para ele? Isso mesmo, ninguém! O nível de enjoo estava tão alto que cheguei até a criar um outro blog só para publicar poemas. Mas depois eu pensei: para quê, se eu já tenho esse que está prontinho da silva, todo arrumadinho, com as minhas visualizações, seguidores, perfil etc? Então, voltei para o original, organizei-o de maneira bem simples e estou felicíssima. Como é bom se livrar de um peso, né?
Além do mais, eu também acho que muita cor, brilho e anúncios, tiram a atenção do leitor, que com certeza não entrou em um blog para ver ''ostentações'' e sim textos. Eu mesma me sinto um pouco incomodada quando o site é muito atrativo, que até prejudica a leitura das postagens. Quero que os textos, os poemas sejam o centro da atenção e não os reles acessórios que compõe a página. 
Bom, pode não parecer tão claramente, ou talvez pareça muito mais do que eu imagino, mas eu sou meio chata mesmo em alguns aspectos. Algumas cores me incomodam profundamente e seria capaz de fazer uma lista enorme com coisas que eu jamais toleraria. Mas, resolvido o problema, voltarei a publicar aqui com a frequência que me for permitida e espero poder contar com a leitura de todos. 


A dor e o ser humano

Ontem, dia 24 de junho, recebemos a trágica notícia do falecimento do cantor sertanejo Cristiano Araújo e da namorada de apenas 19 anos, por causa de um acidente de carro, onde supostamente o motorista teria pegado no sono durante a viagem da madrugada. 
Essa notícia abalou os amantes do sertanejo universitário, cantores famosos e pessoas comuns, como eu, que não sendo amante da música sertaneja, valorizo e amo a vida de qualquer ser humano. 
Infelizmente, como efêmeros seres racionais que somos, estamos sujeitos a isso e a coisa muito pior em cima dessa terra em que fomos jogados. Revoltamo-nos, pois é claro, todos queremos morrer de velhos e desde criança temos infiltrado na mente esse conceito de que só velho pode morrer. E deveria ser assim. Isso deveria ser muito mais do que um conceito mental, deveria ser uma realidade!
A verdade é que ninguém quer morrer. Você pode até repetir para o mundo que odeia a sua vida, mas já é clássico que se te for dada uma oportunidade para tal, você recua ferozmente. Todos amamos a vida, ainda que inconscientemente. Mas já que temos que fazer isso um dia, então desejamos que seja quando estivermos bem, bem, bem velhinhos mesmo!
Como humana que sou, não sentirei falta de um cantor sertanejo. Mas lamento eternamente a dor que sente neste momento a família do Cristiano Araújo e também da família da garota, namorada dele, que é o segundo filho que os pais dela já perderam. Sinto um pesar enorme por essas famílias e também pelos amigos. Essa é uma dor que um dia poderá ser mascarada, mas jamais poderá ser esquecida ou apagada. 
E mais uma vez digo que como seres humanos finitos que somos e como cristã que sou, proponho que devemos orar, ou até mesmo interceder mentalmente por essas pessoas que estão aprofundadas no terror do luto. E não devemos orar apenas por essas famílias específicas, mas por todas as famílias que um dia perderam alguém que tanto amam. Orar por todos os pais que perderam seus filhos, por todos os filhos que perderam os pais, as pessoas que perderam os avós, amigos próximos, cônjuges, namorados, noivos e até mesmo por aquela sua vizinha que perdeu o animal de estimação e sentiu que a dor fosse rasgar-lhe o peito. Por todas as grávidas que perderam seus bebês no ventre e também por todos aqueles que estão vivos fisicamente, mas que a muito já perderam as esperanças da vida. 
Devemos, sim, orar e não nos esquecer de que a dor do outro, também é a nossa dor. Porque somos uma única raça! Não importa se branco, negro, pobre, rico, famoso ou o João anônimo do bar da esquina, quando a dor nos toca, somos todos seres humanos. Podemos ser qualquer coisa e ser dono de qualquer título na face desse universo, mas somos apenas humanos quando as emoções tomam conta do nosso ser.  

terça-feira, 26 de maio de 2015

O que ainda resta

Dia que vem, 
noite que vai.
Hábito que vem,
rotina que vai.

Sonho mal despertado,
amor não interpretado,
medo assombrado,
coração atrapalhado.

Decepção que amanheceu
ainda do mesmo lado.

Desejos ocultos
ainda calados.

O travesseiro não comporta mais
a grandeza do meu ser.
O mundo não suporta
minha eterna pequenez.

Não tenho onde encostar.
Só me resta esperar...






sexta-feira, 8 de maio de 2015

Reconciliação

A poesia, menina má,
as vezes quer ir embora,
fugir desse infortúnio
que é morar em um peito turbulento
como o meu!

Mas eu, que não aceito gente fujona,
seguro ela pela gola
e a obrigo a se sentar
para termos aquela antiga conversa
sobre onde é o lugar de quem.

Ela, a poesia, vem me falar toda brava
que eu a deixei de lado,
que não penso mais nela como antigamente.

E não é que a bandida tem faro?
Mas a verdade é que eu amo essa ingrata,
quero ela morando dentro de mim,
dançando, desfilando
e colocando para o mundo
tudo o que ela mesma cultiva dentro de mim.

Vencida, então, digo que a amo.
Peço perdão, fico de joelhos
e prometo flores rosas toda noite
como prova da minha remissão.

Ela, coitadinha, sem muita escolha,
aceita o que tenho a lhe oferecer.
E jeitosamente se aconchega no meu coração,
diz que também me ama
e que nunca iria embora de verdade.

Eu sei que ela nunca vai me deixar
porque nunca vou deixar que ela me escape.
Vou trancá-la para sempre no peito
e deixar que adormeça.

Mas hora ou outra, 
quando ela quiser acordar,
vou deixar que me use
e coloque em palavras 
tudo o que ela faz comigo!






quarta-feira, 15 de abril de 2015

Falta

Sinto falta do que falta,
que talvez já tenha faltado
nas faltas do meu caminho.

Sinto falta do que faltou,
do que ainda falta
na falta que não percebi.

Sinto uma falta.
E essa falta, faz falta
mas não faz sentido!




terça-feira, 14 de abril de 2015

As pedras coloridas

‘’No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho’’
(Carlos Drummond de Andrade)

Quando eu era criança tinha o costume de procurar pedras coloridas nas areias que tinham em casa quando estávamos fazendo alguma reforma.  Eu me divertia por horas enfiando o braço e cavando a areia úmida até encontrar diversas pedras dos mais variados formatos e tamanhos. Quando conseguia juntar uma boa quantia de pedras, saia correndo pelo quintal a procura de minha mãe para lhe mostrar minha grande descoberta:
- Mãe, olha só, a areia está cheia de pedras preciosas!
Minha mãe, cheia de paciência com as minhas descobertas de todo dia, respondia:
- Não, filha! São apenas pedrinhas coloridas. Elas têm a cor diferente, mas só são pedras comuns. A maioria das areias possui várias dessas pedras!
E eu abaixava a cabeça e ficava olhando para as pequenas preciosidades na palma de minha mão com um olhar de tristeza. Saia de dentro de casa e ia de novo para a areia. Não podia ser verdade! Aquelas pedras eram preciosas, sim! Então, ficava sentada em cima da areia que já começava a cheirar coco de gato, pensando que minha mãe não entendia nada de pedras preciosas.
Então, eu entrava de novo dentro de casa, pegava um potinho e guardava com carinho todas aquelas pedrinhas. Para mim elas eram preciosas fosse a realidade essa ou não. Elas eram diferentes, nunca tinha visto pedras parecidas, portanto elas não podiam ser qualquer coisa!
Hoje, depois de crescida, sempre lembro esses episódios normais da infância e bate aquela saudade gostosa daquele tempinho onde tudo eram flores, ou melhor, pedras coloridas. Bate uma falta imensa daquela capacidade de enxergar beleza nas coisas simples da vida e saber encontrá-las nas coisas mais fáceis e corriqueiras. Perdemos tanto tempo de nossa existência para compreender que a felicidade não está apenas nos grandes acontecimentos. Ela está ali, quietinha, guardadinha em sua simplicidade, talvez no fundo da areia úmida do coração.
Decidi que quero ser como a menina que fui um dia: procurar minhas pedrinhas preciosas e guardá-las dentro de um potinho para nunca perdê-las. Quero encontrar minhas pequenas alegrias, aproveitá-las, curti-las e depois guardá-las dentro de um lugarzinho só meu para que eu nunca mais as perca de vista.
Quero ter olhos infantis para enxergar o valor das coisas simples e a beleza que ninguém parece perceber. É bom estar vivo! Mas ninguém parece mais notar a preciosidade da vida.



Coisas que chegaram ao fim...

Sempre fui do tipo ingênuo de pessoa que acredita que amizades verdadeiras duram para sempre. Quando temos afinidade com outra pessoa, sempre haverá uma ligação inexplicável que fará com que haja harmonia. Na adolescência, e mais ainda na época da escola, é normal que tenhamos muitos amigos e colegas. E também é normal que em algum momento da vida nos afastemos deles. A gente cresce e o tempo diminui. Tornamo-nos jovens adultos e temos que, inevitavelmente, dedicar muito tempo ao nosso trabalho, faculdade, pós graduação, relacionamento amoroso, afazeres domésticos e dependendo do caso, até filhos. Porém, eu sempre acreditei em uma coisa: relacionamentos de qualquer tipo, quando bem construídos, resistem as pressões do dia a dia e as pessoas envolvidas conseguem compreender que o tempo passou e a vida mudou. Na minha concepção, considero burrice permanecer agindo do mesmo jeito que se agia no passado. O tempo passa e pede mudanças de nossa parte, senão corremos o risco de ficar para trás na escada rolante do mundo. 
Onde eu gostaria de chegar com esse texto é na maneira como me sinto com relação a amizades que ficaram para trás. Ás vezes fico um pouco triste por algumas terem se afastado e terem se perdido no meio dessa correria que  é nossa vida atual. Tentei mantê-las, mas nada acontece quando o interesse não surge de ambas as partes. Tentei resgatar contato com aquelas que achei que talvez ainda valesse a pena, mas percebo que as coisas mudaram muito mais do que eu imaginava. Já tentei iniciar diálogos, mas percebo que as coisas não andam e eu nunca aceitei ser do tipo de pessoa que fica falando sozinha. Notei que algumas coisas realmente se perderam e seria uma tremenda imbecilidade da minha parte tentar, sozinha, resgatar o que há muito está entre escombros. 
Sinto uma grande pena por ter visto algumas coisas legais morrerem no decorrer do tempo, mas não me sinto mal porque tentei fazer o que foi possível para salvar, mas como diz aquele velho ditado sem graça: ''quando um não quer, dois não brigam''. 
Odeio a falsidade que as pessoas transmitem nas redes sociais. Curtem, comentam, compartilham suas coisas e aparentemente, parecem sentir um grande sentimento por você. Mas, na realidade, todos sabemos que a história é outra. As pessoas apenas querem saber da sua vida, sentem curiosidade por suas ações, relacionamento, trabalho e gostam de espionar através das redes sociais tudo aquilo que você deixar transparecer para o mundo. São raros aqueles que querem conversar, construir uma amizade e manter um interesse mutuo e sincero. 
O tempo fez com que eu ficasse com problema nos olhos: não consigo mais enxergar boas intenções nas pessoas, exceto algumas raras exceções. Não gostaria de ser assim, acredito que isso seja um grave defeito, mas percebo que o interesse nem sempre é sincero. Pode não ser por maldade, mas também não passa de mera curiosidade.
Fico um pouco triste por ter assistido minhas grandes amizades do passado se acabarem por causa de bosta, mas também fico feliz que o tempo tenha me trazido novas pessoas que aprendi a gostar muito mais do que imaginava. Tenho pessoas muito legais a minha volta e considero que elas sejam o suficiente. Nunca precisei de restos, deixo isso para os ratos que moram debaixo das pias das casas. Eu quero coisas inteiras!



segunda-feira, 13 de abril de 2015

Homenagem à poetisa Júlia Maria da Costa

Sonha e mente

Uma mulher com um fardo pesado,
inteligência aguçada,
beleza em olhos estrábicos
dos quais apenas se podem presumir
a direção para que tanto olham.

Uma menina que ainda não é mulher,
uma mulher que ainda é menina,
que sonha e que mente,
que voa, cai e levanta
na beira de uma praia.

Um homem bem mais velho,
um casarão enorme cheio de escravos,
festas, política e discussões,
não podem deixar feliz
um coração que nasceu para a sensibilidade
de uma paz discreta e com amor.

Sonha em poder amar um rosto pálido,
emoldurado por cabelos cacheados,
beijar mãos que são habilidosas no violão
que conseguiram tocar fundo seu coração.

Essa mulher só queria ter sido feliz,
ter dado uma chance a sua vida.
Queria ter aproveitado cada momento,
vivido de outra maneira,
tocado outras canções.

Não conheci essa mulher,
mas cegamente torci pela sua felicidade.
E até hoje, torço...
Para que em algum tempo,
em algum lugar perdido no espaço,
algum lugar secreto só para os apaixonados,
ela possa se perder
e mergulhar de cabeça
nos pequenos lábios que a seduziram.

E possa acariciar o  rosto branco de seus sonhos
e ser feliz para sempre deitada na areia de uma praia,
com o homem que ama,
vivendo de poesia.

Essa mulher que hoje é nome de rua,
que pouca gente sabe da história,
que até pouco tempo tinha o corpo sepultado
no centro de uma praça,
chama-se Júlia Maria da Costa,
poetisa da ilha de São Francisco.


Escrevi este poema em homenagem à poetisa Júlia Maria da Costa, uma mulher que fez com que eu me apaixonasse pela sua história. Em breve, aqui no blog, farei questão de publicar uma resenha com as minhas impressões sobre o livro ''Júlia'', um romance de Roberto Gomes, escrito em homenagem a esta grande mulher e também com algumas de minhas pesquisas sobre a vida desta poetisa, que quero que todos conheçam mais a fundo.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Atitude

Não sou de sentar,
esperar
e conformar!

Prefiro levantar da cadeira,
desenhar um novo caminho
e apreciar o que há de maravilhoso
em cada canto do mundo.

Sou movida a novos caminhos,
novas forças e novos ninhos.
Dispenso o conforto de uma espera qualquer
e desfruto meus direitos de mulher.

Os pés foram feitos para andar
e conhecer novos trajetos.
A língua foi feita para beijar
e falar novos dialetos. 






segunda-feira, 23 de março de 2015

Procura-se

Fiz um anúncio e pendurei na porta do meu coração:
Procura-se gente capaz de enxergar a vida com bons olhos. Não quero encontrar pessoas ''perfeitinhas'', burguesas, sem nenhum problema com o que esquentar a caixola; mas sim gente que apesar de todas as decepções que a vida faz questão de nos esfregar na cara, continue amando viver e nunca se deixe desistir da busca da felicidade. 
Procura-se gente de verdade. Ser de verdade é falar a verdade, viver e buscar a verdade. Estou farta de gente que finge ser feliz só para ter o que postar nas redes sociais, gente que gasta mais do que jamais conseguiria ganhar só para fazer uma média para os infelizes que chama de amigos. Gente que esconde lágrimas e finge amor, que não conhece o significado de ser honesto consigo mesmo! Nem ligo se você é branco, negro, amarelo, azul, sardento, gordo, magro, bonito, feio, gay, lésbica, punk, milionário ou sem-teto. Mas ligo muito se você não ''se vestir de si mesmo'' e enfrentar o mundo de cabeça erguida, sendo você mesmo, lutando pelos seus ideais e fazendo sua vida acontecer. 
Procura-se gente que ama. Quero conhecer somente quem ama a vida, a rua, a praça, os animais, a música, a natureza, o tempo e o vento. Gente que ama sorrir, que ama brincar, ama dançar, ama cantar, ama cair, levantar, subir, descer, beijar, abraçar, viajar e viver. Quero gente que transborde amor pelos poros. Gente que derrube amor pelas beiradas da alma e escorra sentimentos pelos cantos dos olhos.
Procura-se quem goste de sonhar. Nada é pior do que viver sem sonhos a não ser quem não gosta ou tenha medo de sonhar. Gosto de gente que sonha, flutua, mergulha de cabeça e imagina o mais belo verão da existência humana. Não tenho mais paciência com pessoas rasas, apáticas, de alma magra e sonho milimetrado. Gente de verdade sabe como transbordar!


 


sexta-feira, 13 de março de 2015

Nossa corrupção

Ultimamente, ainda mais do que antes, estamos escutando a todo o momento e em todos os lugares um bando de gente ‘’pregando o pau’’ na corrupção, escancarando a boca para dizer que todos os políticos são ladrões, ficam apontando os erros que fulano fez a dezenas de anos, repetindo as palavras de um, escangalhando um partido e defendendo outro e enumerando uma série de erros políticos que já não é de hoje que existem.
É claro que concordo que temos que ter senso crítico apurado, mente aberta, olhos observadores e principalmente que temos o direito e até o dever de cobrar e questionar um candidato. Mas será que somos assim tão santinhos quanto achamos? A maioria da população brasileira se sente no direito de sentar no sofá da sala e ficar xingando a política como se só ela fosse o problema e como se esta fosse a única fonte de corrupção. Mas eu pergunto: a corrupção existe apenas na política? E as ‘’pequenas corrupções’’ do nosso dia a dia devem ou não ser levadas em consideração?
Aposto que você, brasileiro, é do tipo que gosta de arrumar um jeitinho para tudo, contar uma mentirinha aqui, outra lá; roubar internet do vizinho, adulterar contas, falsificar carteirinha de estudante ou de aposentado, colar em provas, assinar o livro de ponto e não ir trabalhar, apresentar atestado médico falso, fingir que está doente para não cumprir com as obrigações, subornar guardas de trânsito e policiais porque não quer pagar multa e pagar pelo que fez de errado, não devolver o troco quando alguém te dá dinheiro a mais e as vezes até tentar pagar com menos, conseguir cargos ilegais e viver furando filas de bancos, lotéricas e até de postos de saúde. E agora, meu caro colega brasileiro, você não é corrupto?
E por falar em filas, lembro-me de quando fui prestar a prova teórica da autoescola e enquanto eu aguardava pacientemente na fila a minha vez de entrar na sala de aula, tive que praticamente lutar corpo a corpo com uma jovem senhora que insistia em me esmagar literalmente para passar na minha frente na fila. A mulher vinha como quem não quer nada e ia entrando na minha frente, tapando minha visão, pisando no meu pé e levemente ia se enfiando na minha frente, como se nada estivesse acontecendo e isso fosse muito normal. E quando o assunto é banco e lotéricas a história das filas vai muito mais longe. Quantas ‘’inocentes’’ mulheres não pegam no colo uma criança enorme de quase oito anos de idade só para passar na sua frente com a desculpa de que está com criança de colo?
A questão que quero abordar é que todo mundo gosta de criticar a política e a corrupção, mas não quer deixar de lado as pequenas corrupções do dia a dia e que sim, fazem toda a diferença na sua e na minha vida. A corrupção não começa na política. Ela existe acentuadamente lá, mas a origem dela é dentro de nós. A corrupção começa na nossa casa, na nossa mente e é de lá que temos que tirá-la antes de querermos modificar o que está do lado de fora.



quarta-feira, 11 de março de 2015

Pérolas negras

Uma vez, quando estudava no ensino médio, conheci um garoto com olhos de pérolas negras. E coincidentemente, depois que o conheci, a cor preta passou a me chamar mais atenção. Eram duas pérolas bem negras e bem brilhantes, dessas que ou cegam ou conquistam totalmente o coração da gente. E foi isso que elas fizeram comigo: cegaram-me. E como se não bastasse carregar duas jóias escuras no lugar dos olhos, ainda tinha uma pele bonita dessas que parecem uma folha de papel bem branquinha e lisinha recém saída de uma máquina e também era dono de lábios finos e vermelhos, belos como o adeus de um viajante. Ele todo era beleza e devaneios para o meu já cego ponto de vista. E para terminar o pacote da doçura, devo descrever como eram os cabelos que emolduravam e davam vida para tamanha riqueza. Eram cabelos tão negros quanto os olhos, ou melhor, as pérolas. Negros e espessos, desses que despertam aquela vontadezinha de colocar os cinco dedos de uma mão dentro e ficar apreciando, de forma tipicamente humana, a maciez desses protagonistas que se parecem mais com uma noite sem estrelas, nem luar.
Outro dia, dormindo para descansar das canseiras da vida, sonhei de madrugada com os olhos de pérolas que brilhavam só para mim, exclusivamente na minha direção. Brilhavam e chamavam por mim, como se quisessem dizer sem palavras alguma coisa que nunca fora dita no tempo certo. E eu fiquei ali tentando interpretar aquelas pérolas, inocentemente cega por aquele brilho misterioso. O sonho acabou quando acordei ainda meio flutuando em cima do lençol de nuvem e não me encontrei mais com brilhos de pérolas ou cabelos de noite sem luar esvoaçando em um vento calmo e morno. Acordei somente com um coração distante e um sonho que aos poucos ia se esvaindo, escapando pelos dedos da memória que já se preparava para as agitações da vida real.
O tempo passou e só posso dizer que as pérolas negras ainda aparecem, vez ou outra, em algum sonho por aí. Criei uma lenda: quando elas aparecem é porque o amor está no coração. Nunca me esqueci daquele brilho negro, afinal, jóias negras são sempre mais elegantes e raramente serão esquecidas.
Nunca na minha vida vi aqueles olhos brilharem só para mim, mas meus sonhos, esses privilegiados filhinhos de papai presenciaram essa cenas várias e várias vezes.
O tempo, às vezes amigo, às vezes cruel apagou um pouco o brilho daqueles olhos negros e os deixaram um tanto opacos. Algumas outras coisas também mudaram um pouco, acompanhando naturalmente o que a vida exige de nossa existência. Mas o que uma vez foi fotografado pela memória de uma garota jamais será revertido. As pérolas permanecem negras e ainda mais brilhantes, mas não como forma de atração. Hoje elas são apenas a lembrança que as cores e os brilhos são as tatuagens da memória.

 


quarta-feira, 4 de março de 2015

Religião versus Deus

Nasci e cresci em uma família evangélica. Mesmo não sendo aqueles fervorosos, sempre fomos adeptos de tudo o que a Palavra de Deus ensina. Desde criança fui ensinada a ir à igreja, ler a Bíblia, orar, temer e respeitar Aquele que acredito ser o criador de tudo o que existe. Na adolescência, senti vontade de ir um pouco mais a fundo e fiquei três anos e meio como obreira voluntária. Para quem não sabe, obreiro é aquele que ''faz a obra'', cuida da limpeza e da ordem da igreja, ora pelas pessoas, faz trabalho de evangelização e outras coisas, tudo sem receber nenhuma ajuda monetária, ou seja, é totalmente voluntário. Eu, além de ser obreira, participei por um tempo do grupo de louvor da igreja pois sempre gostei de tudo relacionado à música, principalmente de cantar. Passei por diversos sacrifícios e lutas para conseguir um lugarzinho nesse grupo, mas não é hoje que quero relatar minha experiência como obreira. Quem me conhece bem e há algum tempo, sabe perfeitamente bem que não foi uma das melhoras coisas que aconteceram na minha vida, mas prefiro deixar a parte ruim de lado.
O que realmente quero abordar neste texto é um dos assuntos mais chatos do universo perdendo apenas para a política. Sim, quero falar de religião. Bom, querer eu não quero. Mas estou sentindo uma pontada de vontade de abordar sobre esse tema ridículo que não deveria existir nem como tema e menos ainda como realidade. A religião tem cegado as pessoas e as transformado em meros fantoches! Ah, conta uma novidade? Pois é, eu sei que isso não é mais novidade e blá, blá, blá. Mas se é tão óbvio assim, por que ainda existe? Acabei de falar sobre minha crença em Deus e vou falar uma coisinha só para reiterar: crer em Deus é totalmente diferente de ser escravizado por uma religião ou doutrina religiosa. É uma diferença absurda. Eu diria que é o que separa os meninos dos homens ou as meninas da mulheres.
A Bíblia diz no livro de João que ''Deus é amor''. E todo mundo repete isso o tempo todo: ''Deus é amor'', ''Jesus te ama'' etc. Mas será que as pessoas realmente compreendem o que é ''ser amor''? O que mais nos deparamos no mundo é com pessoas que acreditam em castigos divinos e em um deus carrasco, ruim e que parece ter prazer no sofrimento alheio. A verdade é uma só: o que for plantado, será colhido um dia e isso a própria natureza é quem se encarrega de cuidar. Mas Deus, o criador, não é maléfico! Cá entre nós: com um deus desses em que muita gente acredita, nem precisaria existir diabo ou forças das trevas! Eu, sinceramente, não consigo imaginar que Deus seja um castigador de força maior, um ser que escraviza e doutrina maldosamente seus filhos. Para mim, Deus é pai.
Talvez pareça meio infantil da minha parte, mas eu acredito que Deus nos colocou no mundo para sermos felizes. Ele quer que sejamos felizes e eu quero acreditar nisso. Deus é amor de verdade e não paixão passageira. Ele não ia querer nos ver sofrendo, tristes, abatidos e escravizados, sendo que Ele é a própria misericórdia e liberdade. Por isso não me atenho a religiões. A religião é o maior motivo de discórdia, sofrimento e dúvida no ser humano. É ela que nos faz sentir medo de sermos nós mesmos e sermos castigados. Eu, no entanto, não acredito e não quero religiões. Mas eu acredito em um Deus que ama!


Obs: amo essa música!

Conhecimento imundo

Quanto menos se sabe da vida, mais feliz se é! Quanto menos se entende os mistérios e as teorias deste mundo, mais possibilidades há para o encontro da felicidade! A ignorância é vida, é luz, esperança que se atiça no fundo das almas mais puras e intocadas pelo sujo conhecimento. Saber demais é padecer no paraíso! Quanto mais se sabe, mais infeliz se é. Agora, quando não se tem compreensão das coisas do mundo e da vida, quando não se entende o fundamento, a necessidade e o decorrer de uma crise, tudo passa tranquilamente e nada nos atinge. Conhecimento, quase sempre resulta em desespero!
As vezes penso que gostaria de estar enfurnada no meio de um mato verde, descalça, usando um modelo de blusa de 2001, voltando com uma bacia nas costas após lavar no rio as roupas dos ''homens da casa''. Sinto inveja de quem não entende esse frenesi maluco que vivemos no mundo urbano. De quem não anda em ônibus e metrôs lotados, de quem acha que engarrafamento é só guardar algo em uma garrafa. Sinto inveja de onde o sinal da televisão não chega, onde o Jornal Nacional não entra, o Datena não tem voz e a crise não tem lugar. Bate todo dia, uma pontinha de inveja branca de quem não sabe a diferença entre PT e PSDB e ainda pode dormir na varanda de casa, sem se preocupar com ladrão. Dá ciúme de quem ainda acredita em assombração, tira aquele leite espumante da vaca todo dia de manhã, não precisa da luz da eletricidade para enxergar nitidamente a beleza da vida e das coisas simples.
O mesmo conhecimento que dá, também tira! Nosso conhecimento urbano, barato e sacana. Esse ''conhecimento'' que gosta de passar a perna nos outros, de tirar vantagem da fragilidade alheia. O ser humano está sujo... sujo de conhecimento! 
E só para deixar bem claro, não estou criticando ou condenando o conhecimento e o aprendizado, os quais, assim como tantas outras pessoas, luto para passar em sala de aula. Não passar no sentido de transmitir, mas no sentido de passar adiante e construir um resultado satisfatório. 
O conhecimento a que me refiro neste texto, é aquele que tira a paz, polui o coração e a mente, mancha as mãos e o caráter, provoca ganância, ilude a alma. Conhecimento arrogante, hipócrita, insolente e insípido. É deste conhecimento que provém as angústias, os roubos, as chantagens e as vitórias imundas. Por isso, defendo a ideia de que ser ignorante é ser feliz. A ignorância tem pureza nos olhos. A ignorância ainda cultiva a flor azul da esperança. Estar distante do conhecimento e evitar a sabedoria imunda garante a vitória sobre o universo.


É mensalão, mensalinho, ele é meu amigo, ele é meu padrinho. Na eleição prometeu, mas depois no seu bairro nunca apareceu!'' (Brothers of Brazil - Tudo pelo poder)



''Lá o tempo espera, lá é primavera. Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar. Em todas as mesas pão, flores enfeitando os caminhos, os destinos, os vestidos e esta canção...'' (Marisa Monte - Vilarejo)