sexta-feira, 8 de maio de 2015

Reconciliação

A poesia, menina má,
as vezes quer ir embora,
fugir desse infortúnio
que é morar em um peito turbulento
como o meu!

Mas eu, que não aceito gente fujona,
seguro ela pela gola
e a obrigo a se sentar
para termos aquela antiga conversa
sobre onde é o lugar de quem.

Ela, a poesia, vem me falar toda brava
que eu a deixei de lado,
que não penso mais nela como antigamente.

E não é que a bandida tem faro?
Mas a verdade é que eu amo essa ingrata,
quero ela morando dentro de mim,
dançando, desfilando
e colocando para o mundo
tudo o que ela mesma cultiva dentro de mim.

Vencida, então, digo que a amo.
Peço perdão, fico de joelhos
e prometo flores rosas toda noite
como prova da minha remissão.

Ela, coitadinha, sem muita escolha,
aceita o que tenho a lhe oferecer.
E jeitosamente se aconchega no meu coração,
diz que também me ama
e que nunca iria embora de verdade.

Eu sei que ela nunca vai me deixar
porque nunca vou deixar que ela me escape.
Vou trancá-la para sempre no peito
e deixar que adormeça.

Mas hora ou outra, 
quando ela quiser acordar,
vou deixar que me use
e coloque em palavras 
tudo o que ela faz comigo!






quarta-feira, 15 de abril de 2015

Falta

Sinto falta do que falta,
que talvez já tenha faltado
nas faltas do meu caminho.

Sinto falta do que faltou,
do que ainda falta
na falta que não percebi.

Sinto uma falta.
E essa falta, faz falta
mas não faz sentido!




terça-feira, 14 de abril de 2015

As pedras coloridas

‘’No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho’’
(Carlos Drummond de Andrade)

Quando eu era criança tinha o costume de procurar pedras coloridas nas areias que tinham em casa quando estávamos fazendo alguma reforma.  Eu me divertia por horas enfiando o braço e cavando a areia úmida até encontrar diversas pedras dos mais variados formatos e tamanhos. Quando conseguia juntar uma boa quantia de pedras, saia correndo pelo quintal a procura de minha mãe para lhe mostrar minha grande descoberta:
- Mãe, olha só, a areia está cheia de pedras preciosas!
Minha mãe, cheia de paciência com as minhas descobertas de todo dia, respondia:
- Não, filha! São apenas pedrinhas coloridas. Elas têm a cor diferente, mas só são pedras comuns. A maioria das areias possui várias dessas pedras!
E eu abaixava a cabeça e ficava olhando para as pequenas preciosidades na palma de minha mão com um olhar de tristeza. Saia de dentro de casa e ia de novo para a areia. Não podia ser verdade! Aquelas pedras eram preciosas, sim! Então, ficava sentada em cima da areia que já começava a cheirar coco de gato, pensando que minha mãe não entendia nada de pedras preciosas.
Então, eu entrava de novo dentro de casa, pegava um potinho e guardava com carinho todas aquelas pedrinhas. Para mim elas eram preciosas fosse a realidade essa ou não. Elas eram diferentes, nunca tinha visto pedras parecidas, portanto elas não podiam ser qualquer coisa!
Hoje, depois de crescida, sempre lembro esses episódios normais da infância e bate aquela saudade gostosa daquele tempinho onde tudo eram flores, ou melhor, pedras coloridas. Bate uma falta imensa daquela capacidade de enxergar beleza nas coisas simples da vida e saber encontrá-las nas coisas mais fáceis e corriqueiras. Perdemos tanto tempo de nossa existência para compreender que a felicidade não está apenas nos grandes acontecimentos. Ela está ali, quietinha, guardadinha em sua simplicidade, talvez no fundo da areia úmida do coração.
Decidi que quero ser como a menina que fui um dia: procurar minhas pedrinhas preciosas e guardá-las dentro de um potinho para nunca perdê-las. Quero encontrar minhas pequenas alegrias, aproveitá-las, curti-las e depois guardá-las dentro de um lugarzinho só meu para que eu nunca mais as perca de vista.
Quero ter olhos infantis para enxergar o valor das coisas simples e a beleza que ninguém parece perceber. É bom estar vivo! Mas ninguém parece mais notar a preciosidade da vida.



Coisas que chegaram ao fim...

Sempre fui do tipo ingênuo de pessoa que acredita que amizades verdadeiras duram para sempre. Quando temos afinidade com outra pessoa, sempre haverá uma ligação inexplicável que fará com que haja harmonia. Na adolescência, e mais ainda na época da escola, é normal que tenhamos muitos amigos e colegas. E também é normal que em algum momento da vida nos afastemos deles. A gente cresce e o tempo diminui. Tornamo-nos jovens adultos e temos que, inevitavelmente, dedicar muito tempo ao nosso trabalho, faculdade, pós graduação, relacionamento amoroso, afazeres domésticos e dependendo do caso, até filhos. Porém, eu sempre acreditei em uma coisa: relacionamentos de qualquer tipo, quando bem construídos, resistem as pressões do dia a dia e as pessoas envolvidas conseguem compreender que o tempo passou e a vida mudou. Na minha concepção, considero burrice permanecer agindo do mesmo jeito que se agia no passado. O tempo passa e pede mudanças de nossa parte, senão corremos o risco de ficar para trás na escada rolante do mundo. 
Onde eu gostaria de chegar com esse texto é na maneira como me sinto com relação a amizades que ficaram para trás. Ás vezes fico um pouco triste por algumas terem se afastado e terem se perdido no meio dessa correria que  é nossa vida atual. Tentei mantê-las, mas nada acontece quando o interesse não surge de ambas as partes. Tentei resgatar contato com aquelas que achei que talvez ainda valesse a pena, mas percebo que as coisas mudaram muito mais do que eu imaginava. Já tentei iniciar diálogos, mas percebo que as coisas não andam e eu nunca aceitei ser do tipo de pessoa que fica falando sozinha. Notei que algumas coisas realmente se perderam e seria uma tremenda imbecilidade da minha parte tentar, sozinha, resgatar o que há muito está entre escombros. 
Sinto uma grande pena por ter visto algumas coisas legais morrerem no decorrer do tempo, mas não me sinto mal porque tentei fazer o que foi possível para salvar, mas como diz aquele velho ditado sem graça: ''quando um não quer, dois não brigam''. 
Odeio a falsidade que as pessoas transmitem nas redes sociais. Curtem, comentam, compartilham suas coisas e aparentemente, parecem sentir um grande sentimento por você. Mas, na realidade, todos sabemos que a história é outra. As pessoas apenas querem saber da sua vida, sentem curiosidade por suas ações, relacionamento, trabalho e gostam de espionar através das redes sociais tudo aquilo que você deixar transparecer para o mundo. São raros aqueles que querem conversar, construir uma amizade e manter um interesse mutuo e sincero. 
O tempo fez com que eu ficasse com problema nos olhos: não consigo mais enxergar boas intenções nas pessoas, exceto algumas raras exceções. Não gostaria de ser assim, acredito que isso seja um grave defeito, mas percebo que o interesse nem sempre é sincero. Pode não ser por maldade, mas também não passa de mera curiosidade.
Fico um pouco triste por ter assistido minhas grandes amizades do passado se acabarem por causa de bosta, mas também fico feliz que o tempo tenha me trazido novas pessoas que aprendi a gostar muito mais do que imaginava. Tenho pessoas muito legais a minha volta e considero que elas sejam o suficiente. Nunca precisei de restos, deixo isso para os ratos que moram debaixo das pias das casas. Eu quero coisas inteiras!



segunda-feira, 13 de abril de 2015

Homenagem à poetisa Júlia Maria da Costa

Sonha e mente

Uma mulher com um fardo pesado,
inteligência aguçada,
beleza em olhos estrábicos
dos quais apenas se podem presumir
a direção para que tanto olham.

Uma menina que ainda não é mulher,
uma mulher que ainda é menina,
que sonha e que mente,
que voa, cai e levanta
na beira de uma praia.

Um homem bem mais velho,
um casarão enorme cheio de escravos,
festas, política e discussões,
não podem deixar feliz
um coração que nasceu para a sensibilidade
de uma paz discreta e com amor.

Sonha em poder amar um rosto pálido,
emoldurado por cabelos cacheados,
beijar mãos que são habilidosas no violão
que conseguiram tocar fundo seu coração.

Essa mulher só queria ter sido feliz,
ter dado uma chance a sua vida.
Queria ter aproveitado cada momento,
vivido de outra maneira,
tocado outras canções.

Não conheci essa mulher,
mas cegamente torci pela sua felicidade.
E até hoje, torço...
Para que em algum tempo,
em algum lugar perdido no espaço,
algum lugar secreto só para os apaixonados,
ela possa se perder
e mergulhar de cabeça
nos pequenos lábios que a seduziram.

E possa acariciar o  rosto branco de seus sonhos
e ser feliz para sempre deitada na areia de uma praia,
com o homem que ama,
vivendo de poesia.

Essa mulher que hoje é nome de rua,
que pouca gente sabe da história,
que até pouco tempo tinha o corpo sepultado
no centro de uma praça,
chama-se Júlia Maria da Costa,
poetisa da ilha de São Francisco.


Escrevi este poema em homenagem à poetisa Júlia Maria da Costa, uma mulher que fez com que eu me apaixonasse pela sua história. Em breve, aqui no blog, farei questão de publicar uma resenha com as minhas impressões sobre o livro ''Júlia'', um romance de Roberto Gomes, escrito em homenagem a esta grande mulher e também com algumas de minhas pesquisas sobre a vida desta poetisa, que quero que todos conheçam mais a fundo.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Atitude

Não sou de sentar,
esperar
e conformar!

Prefiro levantar da cadeira,
desenhar um novo caminho
e apreciar o que há de maravilhoso
em cada canto do mundo.

Sou movida a novos caminhos,
novas forças e novos ninhos.
Dispenso o conforto de uma espera qualquer
e desfruto meus direitos de mulher.

Os pés foram feitos para andar
e conhecer novos trajetos.
A língua foi feita para beijar
e falar novos dialetos. 






segunda-feira, 23 de março de 2015

Procura-se

Fiz um anúncio e pendurei na porta do meu coração:
Procura-se gente capaz de enxergar a vida com bons olhos. Não quero encontrar pessoas ''perfeitinhas'', burguesas, sem nenhum problema com o que esquentar a caixola; mas sim gente que apesar de todas as decepções que a vida faz questão de nos esfregar na cara, continue amando viver e nunca se deixe desistir da busca da felicidade. 
Procura-se gente de verdade. Ser de verdade é falar a verdade, viver e buscar a verdade. Estou farta de gente que finge ser feliz só para ter o que postar nas redes sociais, gente que gasta mais do que jamais conseguiria ganhar só para fazer uma média para os infelizes que chama de amigos. Gente que esconde lágrimas e finge amor, que não conhece o significado de ser honesto consigo mesmo! Nem ligo se você é branco, negro, amarelo, azul, sardento, gordo, magro, bonito, feio, gay, lésbica, punk, milionário ou sem-teto. Mas ligo muito se você não ''se vestir de si mesmo'' e enfrentar o mundo de cabeça erguida, sendo você mesmo, lutando pelos seus ideais e fazendo sua vida acontecer. 
Procura-se gente que ama. Quero conhecer somente quem ama a vida, a rua, a praça, os animais, a música, a natureza, o tempo e o vento. Gente que ama sorrir, que ama brincar, ama dançar, ama cantar, ama cair, levantar, subir, descer, beijar, abraçar, viajar e viver. Quero gente que transborde amor pelos poros. Gente que derrube amor pelas beiradas da alma e escorra sentimentos pelos cantos dos olhos.
Procura-se quem goste de sonhar. Nada é pior do que viver sem sonhos a não ser quem não gosta ou tenha medo de sonhar. Gosto de gente que sonha, flutua, mergulha de cabeça e imagina o mais belo verão da existência humana. Não tenho mais paciência com pessoas rasas, apáticas, de alma magra e sonho milimetrado. Gente de verdade sabe como transbordar!


 


sexta-feira, 13 de março de 2015

Nossa corrupção

Ultimamente, ainda mais do que antes, estamos escutando a todo o momento e em todos os lugares um bando de gente ‘’pregando o pau’’ na corrupção, escancarando a boca para dizer que todos os políticos são ladrões, ficam apontando os erros que fulano fez a dezenas de anos, repetindo as palavras de um, escangalhando um partido e defendendo outro e enumerando uma série de erros políticos que já não é de hoje que existem.
É claro que concordo que temos que ter senso crítico apurado, mente aberta, olhos observadores e principalmente que temos o direito e até o dever de cobrar e questionar um candidato. Mas será que somos assim tão santinhos quanto achamos? A maioria da população brasileira se sente no direito de sentar no sofá da sala e ficar xingando a política como se só ela fosse o problema e como se esta fosse a única fonte de corrupção. Mas eu pergunto: a corrupção existe apenas na política? E as ‘’pequenas corrupções’’ do nosso dia a dia devem ou não ser levadas em consideração?
Aposto que você, brasileiro, é do tipo que gosta de arrumar um jeitinho para tudo, contar uma mentirinha aqui, outra lá; roubar internet do vizinho, adulterar contas, falsificar carteirinha de estudante ou de aposentado, colar em provas, assinar o livro de ponto e não ir trabalhar, apresentar atestado médico falso, fingir que está doente para não cumprir com as obrigações, subornar guardas de trânsito e policiais porque não quer pagar multa e pagar pelo que fez de errado, não devolver o troco quando alguém te dá dinheiro a mais e as vezes até tentar pagar com menos, conseguir cargos ilegais e viver furando filas de bancos, lotéricas e até de postos de saúde. E agora, meu caro colega brasileiro, você não é corrupto?
E por falar em filas, lembro-me de quando fui prestar a prova teórica da autoescola e enquanto eu aguardava pacientemente na fila a minha vez de entrar na sala de aula, tive que praticamente lutar corpo a corpo com uma jovem senhora que insistia em me esmagar literalmente para passar na minha frente na fila. A mulher vinha como quem não quer nada e ia entrando na minha frente, tapando minha visão, pisando no meu pé e levemente ia se enfiando na minha frente, como se nada estivesse acontecendo e isso fosse muito normal. E quando o assunto é banco e lotéricas a história das filas vai muito mais longe. Quantas ‘’inocentes’’ mulheres não pegam no colo uma criança enorme de quase oito anos de idade só para passar na sua frente com a desculpa de que está com criança de colo?
A questão que quero abordar é que todo mundo gosta de criticar a política e a corrupção, mas não quer deixar de lado as pequenas corrupções do dia a dia e que sim, fazem toda a diferença na sua e na minha vida. A corrupção não começa na política. Ela existe acentuadamente lá, mas a origem dela é dentro de nós. A corrupção começa na nossa casa, na nossa mente e é de lá que temos que tirá-la antes de querermos modificar o que está do lado de fora.



quarta-feira, 11 de março de 2015

Pérolas negras

Uma vez, quando estudava no ensino médio, conheci um garoto com olhos de pérolas negras. E coincidentemente, depois que o conheci, a cor preta passou a me chamar mais atenção. Eram duas pérolas bem negras e bem brilhantes, dessas que ou cegam ou conquistam totalmente o coração da gente. E foi isso que elas fizeram comigo: cegaram-me. E como se não bastasse carregar duas jóias escuras no lugar dos olhos, ainda tinha uma pele bonita dessas que parecem uma folha de papel bem branquinha e lisinha recém saída de uma máquina e também era dono de lábios finos e vermelhos, belos como o adeus de um viajante. Ele todo era beleza e devaneios para o meu já cego ponto de vista. E para terminar o pacote da doçura, devo descrever como eram os cabelos que emolduravam e davam vida para tamanha riqueza. Eram cabelos tão negros quanto os olhos, ou melhor, as pérolas. Negros e espessos, desses que despertam aquela vontadezinha de colocar os cinco dedos de uma mão dentro e ficar apreciando, de forma tipicamente humana, a maciez desses protagonistas que se parecem mais com uma noite sem estrelas, nem luar.
Outro dia, dormindo para descansar das canseiras da vida, sonhei de madrugada com os olhos de pérolas que brilhavam só para mim, exclusivamente na minha direção. Brilhavam e chamavam por mim, como se quisessem dizer sem palavras alguma coisa que nunca fora dita no tempo certo. E eu fiquei ali tentando interpretar aquelas pérolas, inocentemente cega por aquele brilho misterioso. O sonho acabou quando acordei ainda meio flutuando em cima do lençol de nuvem e não me encontrei mais com brilhos de pérolas ou cabelos de noite sem luar esvoaçando em um vento calmo e morno. Acordei somente com um coração distante e um sonho que aos poucos ia se esvaindo, escapando pelos dedos da memória que já se preparava para as agitações da vida real.
O tempo passou e só posso dizer que as pérolas negras ainda aparecem, vez ou outra, em algum sonho por aí. Criei uma lenda: quando elas aparecem é porque o amor está no coração. Nunca me esqueci daquele brilho negro, afinal, jóias negras são sempre mais elegantes e raramente serão esquecidas.
Nunca na minha vida vi aqueles olhos brilharem só para mim, mas meus sonhos, esses privilegiados filhinhos de papai presenciaram essa cenas várias e várias vezes.
O tempo, às vezes amigo, às vezes cruel apagou um pouco o brilho daqueles olhos negros e os deixaram um tanto opacos. Algumas outras coisas também mudaram um pouco, acompanhando naturalmente o que a vida exige de nossa existência. Mas o que uma vez foi fotografado pela memória de uma garota jamais será revertido. As pérolas permanecem negras e ainda mais brilhantes, mas não como forma de atração. Hoje elas são apenas a lembrança que as cores e os brilhos são as tatuagens da memória.

 


quarta-feira, 4 de março de 2015

Religião versus Deus

Nasci e cresci em uma família evangélica. Mesmo não sendo aqueles fervorosos, sempre fomos adeptos de tudo o que a Palavra de Deus ensina. Desde criança fui ensinada a ir à igreja, ler a Bíblia, orar, temer e respeitar Aquele que acredito ser o criador de tudo o que existe. Na adolescência, senti vontade de ir um pouco mais a fundo e fiquei três anos e meio como obreira voluntária. Para quem não sabe, obreiro é aquele que ''faz a obra'', cuida da limpeza e da ordem da igreja, ora pelas pessoas, faz trabalho de evangelização e outras coisas, tudo sem receber nenhuma ajuda monetária, ou seja, é totalmente voluntário. Eu, além de ser obreira, participei por um tempo do grupo de louvor da igreja pois sempre gostei de tudo relacionado à música, principalmente de cantar. Passei por diversos sacrifícios e lutas para conseguir um lugarzinho nesse grupo, mas não é hoje que quero relatar minha experiência como obreira. Quem me conhece bem e há algum tempo, sabe perfeitamente bem que não foi uma das melhoras coisas que aconteceram na minha vida, mas prefiro deixar a parte ruim de lado.
O que realmente quero abordar neste texto é um dos assuntos mais chatos do universo perdendo apenas para a política. Sim, quero falar de religião. Bom, querer eu não quero. Mas estou sentindo uma pontada de vontade de abordar sobre esse tema ridículo que não deveria existir nem como tema e menos ainda como realidade. A religião tem cegado as pessoas e as transformado em meros fantoches! Ah, conta uma novidade? Pois é, eu sei que isso não é mais novidade e blá, blá, blá. Mas se é tão óbvio assim, por que ainda existe? Acabei de falar sobre minha crença em Deus e vou falar uma coisinha só para reiterar: crer em Deus é totalmente diferente de ser escravizado por uma religião ou doutrina religiosa. É uma diferença absurda. Eu diria que é o que separa os meninos dos homens ou as meninas da mulheres.
A Bíblia diz no livro de João que ''Deus é amor''. E todo mundo repete isso o tempo todo: ''Deus é amor'', ''Jesus te ama'' etc. Mas será que as pessoas realmente compreendem o que é ''ser amor''? O que mais nos deparamos no mundo é com pessoas que acreditam em castigos divinos e em um deus carrasco, ruim e que parece ter prazer no sofrimento alheio. A verdade é uma só: o que for plantado, será colhido um dia e isso a própria natureza é quem se encarrega de cuidar. Mas Deus, o criador, não é maléfico! Cá entre nós: com um deus desses em que muita gente acredita, nem precisaria existir diabo ou forças das trevas! Eu, sinceramente, não consigo imaginar que Deus seja um castigador de força maior, um ser que escraviza e doutrina maldosamente seus filhos. Para mim, Deus é pai.
Talvez pareça meio infantil da minha parte, mas eu acredito que Deus nos colocou no mundo para sermos felizes. Ele quer que sejamos felizes e eu quero acreditar nisso. Deus é amor de verdade e não paixão passageira. Ele não ia querer nos ver sofrendo, tristes, abatidos e escravizados, sendo que Ele é a própria misericórdia e liberdade. Por isso não me atenho a religiões. A religião é o maior motivo de discórdia, sofrimento e dúvida no ser humano. É ela que nos faz sentir medo de sermos nós mesmos e sermos castigados. Eu, no entanto, não acredito e não quero religiões. Mas eu acredito em um Deus que ama!


Obs: amo essa música!

Conhecimento imundo

Quanto menos se sabe da vida, mais feliz se é! Quanto menos se entende os mistérios e as teorias deste mundo, mais possibilidades há para o encontro da felicidade! A ignorância é vida, é luz, esperança que se atiça no fundo das almas mais puras e intocadas pelo sujo conhecimento. Saber demais é padecer no paraíso! Quanto mais se sabe, mais infeliz se é. Agora, quando não se tem compreensão das coisas do mundo e da vida, quando não se entende o fundamento, a necessidade e o decorrer de uma crise, tudo passa tranquilamente e nada nos atinge. Conhecimento, quase sempre resulta em desespero!
As vezes penso que gostaria de estar enfurnada no meio de um mato verde, descalça, usando um modelo de blusa de 2001, voltando com uma bacia nas costas após lavar no rio as roupas dos ''homens da casa''. Sinto inveja de quem não entende esse frenesi maluco que vivemos no mundo urbano. De quem não anda em ônibus e metrôs lotados, de quem acha que engarrafamento é só guardar algo em uma garrafa. Sinto inveja de onde o sinal da televisão não chega, onde o Jornal Nacional não entra, o Datena não tem voz e a crise não tem lugar. Bate todo dia, uma pontinha de inveja branca de quem não sabe a diferença entre PT e PSDB e ainda pode dormir na varanda de casa, sem se preocupar com ladrão. Dá ciúme de quem ainda acredita em assombração, tira aquele leite espumante da vaca todo dia de manhã, não precisa da luz da eletricidade para enxergar nitidamente a beleza da vida e das coisas simples.
O mesmo conhecimento que dá, também tira! Nosso conhecimento urbano, barato e sacana. Esse ''conhecimento'' que gosta de passar a perna nos outros, de tirar vantagem da fragilidade alheia. O ser humano está sujo... sujo de conhecimento! 
E só para deixar bem claro, não estou criticando ou condenando o conhecimento e o aprendizado, os quais, assim como tantas outras pessoas, luto para passar em sala de aula. Não passar no sentido de transmitir, mas no sentido de passar adiante e construir um resultado satisfatório. 
O conhecimento a que me refiro neste texto, é aquele que tira a paz, polui o coração e a mente, mancha as mãos e o caráter, provoca ganância, ilude a alma. Conhecimento arrogante, hipócrita, insolente e insípido. É deste conhecimento que provém as angústias, os roubos, as chantagens e as vitórias imundas. Por isso, defendo a ideia de que ser ignorante é ser feliz. A ignorância tem pureza nos olhos. A ignorância ainda cultiva a flor azul da esperança. Estar distante do conhecimento e evitar a sabedoria imunda garante a vitória sobre o universo.


É mensalão, mensalinho, ele é meu amigo, ele é meu padrinho. Na eleição prometeu, mas depois no seu bairro nunca apareceu!'' (Brothers of Brazil - Tudo pelo poder)



''Lá o tempo espera, lá é primavera. Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar. Em todas as mesas pão, flores enfeitando os caminhos, os destinos, os vestidos e esta canção...'' (Marisa Monte - Vilarejo)

terça-feira, 3 de março de 2015

Quatro estrofes de amor

Necessito que teus beijos
Derramem desejos pelo caminho da minha alma.
Que meu corpo seja saciado
Com o mais quente dos teus calores.

Teus olhos me sorriem calados.
Doces e negras expressões de afeto e paixão.
Gosto dessa pele branca
Que faz a minha se arrepiar de emoção.

Lábios com gosto de alegria,
Beijos com cheiro de felicidade.
Você é todo delícias de viver
E eu sou toda vontade de você.

Peço licença para tomar em mim seu amor.
Mergulhar em teus braços protetores,
Deitar nesse colo quente
E me abrigar para sempre das dores do mundo.



segunda-feira, 2 de março de 2015

Mergulharei neste buraco

Tem dias que quero desaparecer
dentro de um enorme buraco negro 
que me leve para qualquer lugar.
Lugar de refúgio, de saída;
lugar novo, lugar meu.
O ser humano não é ser humano,
eu não sei quem sou,
não sei se quero descobrir,
não sei se quero decidir,
mas sei que quero fugir.
Eu e minha rima pobre,
andando por aí,
procurando um rumo,
perdendo o rumo,
engolindo o sumo.
Não quero ser despedaçada
por uma vida que não entendo,
por um sonho que não vendo.
Não me exijam lucidez
em um mundo de triste embriaguez
onde muitos perdem sua mesquinha vez.
Só quero descobrir um novo caminho,
me libertar desse carinho
que me prende ao que não tenho.
Com licença, estou mergulhando no  buraco...
não sei onde vou parar
e nem se vou voltar.
As vezes estar longe é se encontrar.



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Uma pausa e uma meditação

Eu entendo da vida muito mais do que gostaria de entender. Sei o quanto ela é passageira, conheço, pelo menos de ouvir falar, a maioria dos riscos que estamos expostos o tempo inteiro. Mas também sei de uma coisa: eu gosto de viver. Gosto de respirar ar puro, comer o que há de melhor, trabalhar no que gosto, passear, conversar, ler livros, ouvir músicas. Gosto de abraçar, beijar, dançar, cantar e estar com gente que também gosta da vida, assim como eu. Apesar das dificuldades encontradas pelo caminho, não gosto de ficar triste, de ficar matutando uma coisa que já foi e não tem mais volta, ficar remoendo mágoa de quem já devia se ter perdoado ou simplesmente ficar pensando sobre coisas das quais não tenho o poder de decisão. Aprendi a olhar o ser humano de uma outra maneira e consequentemente aprendi a me respeitar. Não aceito mais migalhas de amor, amizade ou sobras de atenção. Não dou mais importância para aquilo que não me faz bem. Aprendi que algumas coisas e pessoas não merecem o menor resquício de importância. E o que fazer com essas coisas e pessoas desimportantes? A resposta é muito simples: ignore. Ignore tudo o que não acrescenta, tudo o que suga suas energias sem lhe oferecer nada em troca. Não brigue, não discuta com os outros e menos ainda consigo próprio. Respeite a todos, mas você deve vir em primeiro lugar. 
Antigamente, fui fácil de abaixar a cabeça para os outros. Fui mole em engolir sapos e aceitar calada o que colocavam em uma bandeja e me faziam digerir constantemente. Já fiquei triste para agradar os outros e já deixei minhas prioridades para satisfazer as vontades alheias. Já deixei que metessem pitaco nas minhas decisões e já suportei situações mesquinhas em que me sentia absurdamente infeliz. Mas hoje eu aprendi o quanto o tempo e a própria vida são capazes de fazer bem para o ser humano. 
Hoje eu sei o que é me respeitar. Coloco minhas prioridades e minha felicidade na frente de qualquer coisa. Não deixo mais qualquer banalidade corromper de graça a minha sanidade. Respeito meus limites e quando quero superá-los, sei que sou capaz. Respeito meus medos e minhas sensibilidades, sei que eles estão aqui comigo por algum motivo e evito tentar escondê-los. Hoje, não fez bem eu jogo pela lata do lixo! Se um lugar me fez mal, levanto-me e vou embora. Não sou uma árvore! Ninguém pode te obrigar a permanecer na infelicidade. Proporcione a si mesmo o privilégio de ser livre.
Enxergue-se da melhor maneira possível. Você merece o melhor! Merece confiança, merece confiar. Merece carinho, amor, beijo sincero, intenções acompanhadas de ações e tudo o que lhe dá prazer. Merece se sentir bem, leve e livre. Merece recomeçar quantas vezes forem necessárias e merece todas as chances que você é capaz de dar a si mesmo. Não deixe que a mente te impeça de viver e aproveitar o que há de melhor nesta existência. Mantenha sua mente saudável e o seu corpo irá acompanhá-la. Saia de perto de pessoas negativas, não assimile palavras de derrota e pessimismo. Você, melhor do que ninguém, sabe no que deve acreditar em sua vida!



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Pela janela do ônibus

Pela janela do ônibus
passa branco, passa preto,
passa teto, passa casa,
passa pássaro, passa asa.

Pela janela do ônibus
passa tormenta, passa vento,
passa criança gritando no relento,
passa um velho desatento.

Pela janela do ônibus
passa loja, passa hotel,
passa moça usando anel,
passa abelha atrás do mel.

Pela janela do ônibus,
passa ônibus, passa carro,
passa mendigo com catarro,
passa pobre com pé no barro.

Pela janela do ônibus,
passa janela, passa porta,
passa o espaço que comporta
o tudo e o nada da vida que transporta.




Resenha: O duque e eu, série Os Bridgertons - 1

Não esperava que tudo o que desejava lhe fosse entregue numa bandeja de prata, mas sempre achara que, se batalhasse bastante por algo e tratasse todas as pessoas da forma como gostaria de ser tratada, seria recompensada.


Título: O duque e eu
Autor: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 288

O livro que vou falar hoje pertence a um dos meus gêneros favoritos: romance de época. Ele é o primeiro livro de uma série chamada ''Os Bridgertons''. Já fazia um bom tempo que eu estava com vontade de ler os livros dessa série e tenho que dizer que o primeiro livro já me deixou muito feliz e tenho esperança de que com os próximos não será diferente. A autora, Julia Quinn, possui uma escrita divertida que deixa a história ainda mais gostosa de ler. Estão dizendo que ela é a Jane Austen contemporânea e eu concordo plenamente com esses dizeres, já que o romance me envolveu da primeira até a última página, assim como os livros da autora de Orgulho e preconceito
A história é narrada em terceira pessoa (o que eu acho muito melhor do que em primeira) e tem como protagonista uma linda moça chamada Daphne Bridgerton, nascida em uma família grande e amorosa, de oito filhos, irmãos mais velhos capazes de tudo para defender sua honra e uma mãe desesperada em arranjar casamento para suas crias que já estavam na idade. Daphne era bonita e bem humorada, mas não conseguia encontrar um noivo para se casar e realizar seu desejo de formar uma família tão grande quanto a que foi criada. Os rapazes pareciam vê-la apenas como uma boa amiga e não como uma noiva. 
Quando Simon Basset, o lindo e irresistível duque de Hastings, amigo de seu irmão mais velho retorna à Londres depois de seis anos viajando pelo mundo, as mães e as moças da sociedade caem aos seus pés. No entanto, o duque, rapaz sofrido que foi horrorosamente desprezado pelo falecido pai porque tinha dificuldades para falar quando era criança, tem em em mente o desejo de nunca se casar. 
Na tentativa de afastar suas pretendentes, Simon faz um acordo quase secreto com Daphne: fingiriam estar comprometidos. Dessa forma, Simon afastaria as mocinhas insistentes e Daphne conseguiria atrair atenções masculinas para si, já que pareceria muito mais interessante acompanhada do duque de Hastings. Porém, será que esse relacionamento ficará apenas nisso ou se transformará em algo muito maior e intenso? É isso o que você descobrirá ao ler o livro. Aparentemente, a história pode se mostrar um tanto clichê, mas posso garantir por experiência própria de que isso é apenas uma pequena introdução e muitos acontecimentos sucederão a partir do acordo entre Simon e Daphne. Posso adiantar que o livro possui muitas cenas sensuais, mas tudo na medida certa e sem perder a essência principal da história. Como muitos, esse realmente é um livro que eu recomendo para leitura, principalmente para as mulheres. E outra coisa: meu próximo livro da série já está garantido e se chama ''O visconde que me amava''. Se tudo seguir neste ritmo, quero a série completa! 
Desejo a todos uma ótima leitura!




domingo, 22 de fevereiro de 2015

Eu quero meu livre arbítrio

Dizem por aí que todos nascem com o livre arbítrio, que isso é um direito de todo ser humano e que ninguém nunca poderá, nem conseguirá tirar do outro o direito de fazer suas próprias escolhas e tomar suas próprias decisões. Nossa, que emocionante! Realmente, na teoria tudo é muito lindo e perfumado e você pode até ser que concorde que temos sim o livre arbítrio, que todos gozam deste direito e pode até dizer que isto é o que o ser humano possui de mais belo e exclusivo. Eu seria uma chata se tentasse provar que o livre arbítrio não é tão livre assim quanto maquina nossa ilusão, mas infelizmente eu não consigo respirar em falso em um mundo onde tudo tenta engolir a gente vivo e mal dá tempo de decidir qual é a função do ser humano em cima disso que chamamos de Terra. 
Longe de mim querer dizer que esse nosso direito com nome composto discutido neste texto não existe. É claro que existe! Espero que ninguém tenha te obrigado a ler este texto e sim que você esteja aqui por livre arbítrio... está vendo, ele está nas coisas mais simples. Mas será que está também nas mais importantes? É muito bom saber que temos o direito de escolher com quem, quando e como vamos casar, o que vamos comer no jantar de sábado, com quem vamos conversar, qual programa de televisão vamos assistir, dentre tantas outras coisas. Mas será que podemos escolher não nascer? Sim, não é uma pergunta muito comum, mas não deixa de ser uma! Só para constar, não estou falando de aborto. É muito diferente você mesmo escolher se quer ou não nascer do que outra pessoa decidir isso por você. Já que temos um coração e um cérebro formados ou em formação, por que os outros acham que tem o direito de decidir se nos quer vivos ou não?
Bom, mas como eu odeio discutir religião e feminismo, temas e grupos dos quais considero os mais chatos do mundo, vamos retornar para nossa livre decisão. Você, caro leitor, teve o direito de escolher se queria ou não nascer? E o seu nome, foi você mesmo quem escolheu ou decidiram te chamar de Hermengarda sem o seu consentimento? Você vai querer morrer um dia ou prefere continuar vivo e saudável para sempre? Você gostaria de ser loiro ou preferia ser moreno? Eu, mera mortal que sou, não pude escolher o que quis. Nem me perguntaram se eu queria nascer e bum! Jogaram-me aqui neste mundo cruel e pretensioso. E o pior, não perguntaram se eu queria morrer um dia, mas já deixaram o contrato assinado e nem me deram a chance de ler. 
Honestamente, não conheço muito bem esse tal de livre arbítrio. Já ouvi falar bastante, principalmente nos livros de História, mas não sei dizer até que ponto ele é real ou se ele realmente existe e se é igual para todos. Não sei até quando vai essa nossa liberdade mesquinha. Não sei sequer exemplificar o sentido real da palavra liberdade e menos ainda sei abordar o que é ser livre. Só sei que estamos aqui agora e não podemos escolher entender nossa existência.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Resenha: As piedosas

''As piedosas é um romance sobre romances, sobre a avidez, a feiura e a vingança.''

Título: As piedosas
Autor: Federico Andahazi
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 158

Este livro é exatamente o que meu inconsciente estava procurando para ler: estilo gótico, meio mistério, meio terror, meio realidade e ao mesmo tempo ficção. É um livro pouco conhecido e sinto mencionar que isso é uma pena, porque realmente a obra é muito boa e imperdível. A história contém de tudo um pouco: mistério, terror, sexo e eu diria até um pouco de filosofia.

Trocando em miúdos, o livro conta a história (provavelmente fictícia) de William Polidori, secretário do famoso escritor europeu que foi uma grande influência para a segunda geração do Romantismo brasileiro Lord Byron. Polidori sonha em ser tão famoso e escrever tão bem quanto seu patrão, que só vive o humilhando. Ele não quer mais ser a sombra de Byron e sim ter sua própria personalidade e se destacar mais do que o lorde. Um certo dia, William Polidori recebe uma misteriosa carta muitíssimo bem escrita, a qual é redigida por um monstro de sexo feminino. Uma espécie de cisto com vida humana, totalmente disforme, fétido e com pelos cinzentos espalhados pelo horroroso corpo. Esse monstro é a trigêmea de duas adoráveis mulheres e necessita de um alimento muito inusitado para sua sobrevivência, a qual depende também por meio de uma estranha ligação, a vida de suas irmãs: o sêmen humano. O monstro faz um trato com Polidori: ele lhe dá o que ela precisa e em troca ela pode lhe conceder o antigo e flamejante desejo que é o de ter em seu nome alguma obra melhor do que a de Byron. Mas será que esse acordo vai dar certo? Para saber mais sobre essa história intrigante, é necessário fazer a leitura do livro. O exemplar é curto e a leitura é bastante prazerosa. Esta é a segunda obra de Federico Andahazi e ouso dizer que ele é um escritor fantástico, que merecia o triplo de reconhecimento dos leitores de todo o mundo. Bom, a editora publicadora do livro fala por si só. O que poderíamos esperar da Companhia das Letras a não ser algo extremamente maravilhoso e surpreendente? Desejo a todos uma boa leitura e deixo abaixo um link em que encontrei o livro para download. 

As piedosas



Flor de memória

E só para dizer que não falei das flores,
meu caríssimo Geraldo Vandré,
aqui estou eu para ''hablar'' de flores
e consequentemente, de amores. 

Querido Arnaldo Antunes,
as flores de plástico não morrem.
E o que você me diz das flores da memória?

A flor da memória,
a rosa de Hiroshima de Vinicius de Moraes,
a flor que some e depois reaparece azul
diante do olhar navegante.

Vejo flores em você,
vejo amores para você.
Minha miopia não me impede de ver
que haverá alegrias em um dossiê!

Com flores na cabeça,
os pés descalços, meu caro Thedy Corrêa.
As flores seguem musicalizando e poetizando
o que um dia se transformará em flor de memória.




Menina cabeçuda

Acho essa vida tão engraçada! Em um dia estamos vivos e com saúde e no outro talvez a situação seja outra. Por que não conseguimos e nem podemos ser estáveis o tempo todo? Por que as coisas possuem um poder incrível de transformação? É claro que este fenômeno as vezes tem suas vantagens, mas nem sempre queremos ou estamos aptos para ver as coisas mudarem. Aqui, escrevendo com minha caneta Bic mastigada na ponta (como todas as minhas outras canetas), começo a me lembrar de que várias vezes, assim como tantas outras pessoas, eu me pego pensando para quê, afinal, serve a vida e nossa mesquinha e efêmera existência. É claro que as conclusões finais variam de belas, otimistas até melancólicas, assustadoras e tipicamente ultrarromânticas. Acredite, pensar muito não é vantagem, nem nos torna mais felizes ou superiores aos outros animais. Repita comigo: felizes são os seres não pensantes. Nos momentos mais difíceis, aqueles em que realmente fico ''puta'' com essa vida, começo a pensar que Deus é malvado e que só nos colocou aqui para assistir nossa existência repleta de altos e baixos e que sempre acabará no mesmo maldito buraco, literalmente! Imediatamente tento me libertar dessa reflexão insana, afinal, se ''Deus é amor'', Ele faria uma coisa dessas? Com certeza, não! Deve haver um motivo muito mais nobre para nossa vivência e esse com certeza não seria a opção mais poética e reconfortante. Melhor não pensar mais nisso! O que eu havia dito mesmo sobre os seres não pensantes serem mais felizes? Já esqueci! Perdão, Deus! Eu e minha cabeça grande, atribuindo a mim o divertido adjetivo de ''cabeçuda''. Eta menina cabeçuda!