segunda-feira, 23 de março de 2015

Procura-se

Fiz um anúncio e pendurei na porta do meu coração:
Procura-se gente capaz de enxergar a vida com bons olhos. Não quero encontrar pessoas ''perfeitinhas'', burguesas, sem nenhum problema com o que esquentar a caixola; mas sim gente que apesar de todas as decepções que a vida faz questão de nos esfregar na cara, continue amando viver e nunca se deixe desistir da busca da felicidade. 
Procura-se gente de verdade. Ser de verdade é falar a verdade, viver e buscar a verdade. Estou farta de gente que finge ser feliz só para ter o que postar nas redes sociais, gente que gasta mais do que jamais conseguiria ganhar só para fazer uma média para os infelizes que chama de amigos. Gente que esconde lágrimas e finge amor, que não conhece o significado de ser honesto consigo mesmo! Nem ligo se você é branco, negro, amarelo, azul, sardento, gordo, magro, bonito, feio, gay, lésbica, punk, milionário ou sem-teto. Mas ligo muito se você não ''se vestir de si mesmo'' e enfrentar o mundo de cabeça erguida, sendo você mesmo, lutando pelos seus ideais e fazendo sua vida acontecer. 
Procura-se gente que ama. Quero conhecer somente quem ama a vida, a rua, a praça, os animais, a música, a natureza, o tempo e o vento. Gente que ama sorrir, que ama brincar, ama dançar, ama cantar, ama cair, levantar, subir, descer, beijar, abraçar, viajar e viver. Quero gente que transborde amor pelos poros. Gente que derrube amor pelas beiradas da alma e escorra sentimentos pelos cantos dos olhos.
Procura-se quem goste de sonhar. Nada é pior do que viver sem sonhos a não ser quem não gosta ou tenha medo de sonhar. Gosto de gente que sonha, flutua, mergulha de cabeça e imagina o mais belo verão da existência humana. Não tenho mais paciência com pessoas rasas, apáticas, de alma magra e sonho milimetrado. Gente de verdade sabe como transbordar!


 


sexta-feira, 13 de março de 2015

Nossa corrupção

Ultimamente, ainda mais do que antes, estamos escutando a todo o momento e em todos os lugares um bando de gente ‘’pregando o pau’’ na corrupção, escancarando a boca para dizer que todos os políticos são ladrões, ficam apontando os erros que fulano fez a dezenas de anos, repetindo as palavras de um, escangalhando um partido e defendendo outro e enumerando uma série de erros políticos que já não é de hoje que existem.
É claro que concordo que temos que ter senso crítico apurado, mente aberta, olhos observadores e principalmente que temos o direito e até o dever de cobrar e questionar um candidato. Mas será que somos assim tão santinhos quanto achamos? A maioria da população brasileira se sente no direito de sentar no sofá da sala e ficar xingando a política como se só ela fosse o problema e como se esta fosse a única fonte de corrupção. Mas eu pergunto: a corrupção existe apenas na política? E as ‘’pequenas corrupções’’ do nosso dia a dia devem ou não ser levadas em consideração?
Aposto que você, brasileiro, é do tipo que gosta de arrumar um jeitinho para tudo, contar uma mentirinha aqui, outra lá; roubar internet do vizinho, adulterar contas, falsificar carteirinha de estudante ou de aposentado, colar em provas, assinar o livro de ponto e não ir trabalhar, apresentar atestado médico falso, fingir que está doente para não cumprir com as obrigações, subornar guardas de trânsito e policiais porque não quer pagar multa e pagar pelo que fez de errado, não devolver o troco quando alguém te dá dinheiro a mais e as vezes até tentar pagar com menos, conseguir cargos ilegais e viver furando filas de bancos, lotéricas e até de postos de saúde. E agora, meu caro colega brasileiro, você não é corrupto?
E por falar em filas, lembro-me de quando fui prestar a prova teórica da autoescola e enquanto eu aguardava pacientemente na fila a minha vez de entrar na sala de aula, tive que praticamente lutar corpo a corpo com uma jovem senhora que insistia em me esmagar literalmente para passar na minha frente na fila. A mulher vinha como quem não quer nada e ia entrando na minha frente, tapando minha visão, pisando no meu pé e levemente ia se enfiando na minha frente, como se nada estivesse acontecendo e isso fosse muito normal. E quando o assunto é banco e lotéricas a história das filas vai muito mais longe. Quantas ‘’inocentes’’ mulheres não pegam no colo uma criança enorme de quase oito anos de idade só para passar na sua frente com a desculpa de que está com criança de colo?
A questão que quero abordar é que todo mundo gosta de criticar a política e a corrupção, mas não quer deixar de lado as pequenas corrupções do dia a dia e que sim, fazem toda a diferença na sua e na minha vida. A corrupção não começa na política. Ela existe acentuadamente lá, mas a origem dela é dentro de nós. A corrupção começa na nossa casa, na nossa mente e é de lá que temos que tirá-la antes de querermos modificar o que está do lado de fora.



quarta-feira, 11 de março de 2015

Pérolas negras

Uma vez, quando estudava no ensino médio, conheci um garoto com olhos de pérolas negras. E coincidentemente, depois que o conheci, a cor preta passou a me chamar mais atenção. Eram duas pérolas bem negras e bem brilhantes, dessas que ou cegam ou conquistam totalmente o coração da gente. E foi isso que elas fizeram comigo: cegaram-me. E como se não bastasse carregar duas jóias escuras no lugar dos olhos, ainda tinha uma pele bonita dessas que parecem uma folha de papel bem branquinha e lisinha recém saída de uma máquina e também era dono de lábios finos e vermelhos, belos como o adeus de um viajante. Ele todo era beleza e devaneios para o meu já cego ponto de vista. E para terminar o pacote da doçura, devo descrever como eram os cabelos que emolduravam e davam vida para tamanha riqueza. Eram cabelos tão negros quanto os olhos, ou melhor, as pérolas. Negros e espessos, desses que despertam aquela vontadezinha de colocar os cinco dedos de uma mão dentro e ficar apreciando, de forma tipicamente humana, a maciez desses protagonistas que se parecem mais com uma noite sem estrelas, nem luar.
Outro dia, dormindo para descansar das canseiras da vida, sonhei de madrugada com os olhos de pérolas que brilhavam só para mim, exclusivamente na minha direção. Brilhavam e chamavam por mim, como se quisessem dizer sem palavras alguma coisa que nunca fora dita no tempo certo. E eu fiquei ali tentando interpretar aquelas pérolas, inocentemente cega por aquele brilho misterioso. O sonho acabou quando acordei ainda meio flutuando em cima do lençol de nuvem e não me encontrei mais com brilhos de pérolas ou cabelos de noite sem luar esvoaçando em um vento calmo e morno. Acordei somente com um coração distante e um sonho que aos poucos ia se esvaindo, escapando pelos dedos da memória que já se preparava para as agitações da vida real.
O tempo passou e só posso dizer que as pérolas negras ainda aparecem, vez ou outra, em algum sonho por aí. Criei uma lenda: quando elas aparecem é porque o amor está no coração. Nunca me esqueci daquele brilho negro, afinal, jóias negras são sempre mais elegantes e raramente serão esquecidas.
Nunca na minha vida vi aqueles olhos brilharem só para mim, mas meus sonhos, esses privilegiados filhinhos de papai presenciaram essa cenas várias e várias vezes.
O tempo, às vezes amigo, às vezes cruel apagou um pouco o brilho daqueles olhos negros e os deixaram um tanto opacos. Algumas outras coisas também mudaram um pouco, acompanhando naturalmente o que a vida exige de nossa existência. Mas o que uma vez foi fotografado pela memória de uma garota jamais será revertido. As pérolas permanecem negras e ainda mais brilhantes, mas não como forma de atração. Hoje elas são apenas a lembrança que as cores e os brilhos são as tatuagens da memória.

 


quarta-feira, 4 de março de 2015

Religião versus Deus

Nasci e cresci em uma família evangélica. Mesmo não sendo aqueles fervorosos, sempre fomos adeptos de tudo o que a Palavra de Deus ensina. Desde criança fui ensinada a ir à igreja, ler a Bíblia, orar, temer e respeitar Aquele que acredito ser o criador de tudo o que existe. Na adolescência, senti vontade de ir um pouco mais a fundo e fiquei três anos e meio como obreira voluntária. Para quem não sabe, obreiro é aquele que ''faz a obra'', cuida da limpeza e da ordem da igreja, ora pelas pessoas, faz trabalho de evangelização e outras coisas, tudo sem receber nenhuma ajuda monetária, ou seja, é totalmente voluntário. Eu, além de ser obreira, participei por um tempo do grupo de louvor da igreja pois sempre gostei de tudo relacionado à música, principalmente de cantar. Passei por diversos sacrifícios e lutas para conseguir um lugarzinho nesse grupo, mas não é hoje que quero relatar minha experiência como obreira. Quem me conhece bem e há algum tempo, sabe perfeitamente bem que não foi uma das melhoras coisas que aconteceram na minha vida, mas prefiro deixar a parte ruim de lado.
O que realmente quero abordar neste texto é um dos assuntos mais chatos do universo perdendo apenas para a política. Sim, quero falar de religião. Bom, querer eu não quero. Mas estou sentindo uma pontada de vontade de abordar sobre esse tema ridículo que não deveria existir nem como tema e menos ainda como realidade. A religião tem cegado as pessoas e as transformado em meros fantoches! Ah, conta uma novidade? Pois é, eu sei que isso não é mais novidade e blá, blá, blá. Mas se é tão óbvio assim, por que ainda existe? Acabei de falar sobre minha crença em Deus e vou falar uma coisinha só para reiterar: crer em Deus é totalmente diferente de ser escravizado por uma religião ou doutrina religiosa. É uma diferença absurda. Eu diria que é o que separa os meninos dos homens ou as meninas da mulheres.
A Bíblia diz no livro de João que ''Deus é amor''. E todo mundo repete isso o tempo todo: ''Deus é amor'', ''Jesus te ama'' etc. Mas será que as pessoas realmente compreendem o que é ''ser amor''? O que mais nos deparamos no mundo é com pessoas que acreditam em castigos divinos e em um deus carrasco, ruim e que parece ter prazer no sofrimento alheio. A verdade é uma só: o que for plantado, será colhido um dia e isso a própria natureza é quem se encarrega de cuidar. Mas Deus, o criador, não é maléfico! Cá entre nós: com um deus desses em que muita gente acredita, nem precisaria existir diabo ou forças das trevas! Eu, sinceramente, não consigo imaginar que Deus seja um castigador de força maior, um ser que escraviza e doutrina maldosamente seus filhos. Para mim, Deus é pai.
Talvez pareça meio infantil da minha parte, mas eu acredito que Deus nos colocou no mundo para sermos felizes. Ele quer que sejamos felizes e eu quero acreditar nisso. Deus é amor de verdade e não paixão passageira. Ele não ia querer nos ver sofrendo, tristes, abatidos e escravizados, sendo que Ele é a própria misericórdia e liberdade. Por isso não me atenho a religiões. A religião é o maior motivo de discórdia, sofrimento e dúvida no ser humano. É ela que nos faz sentir medo de sermos nós mesmos e sermos castigados. Eu, no entanto, não acredito e não quero religiões. Mas eu acredito em um Deus que ama!


Obs: amo essa música!

Conhecimento imundo

Quanto menos se sabe da vida, mais feliz se é! Quanto menos se entende os mistérios e as teorias deste mundo, mais possibilidades há para o encontro da felicidade! A ignorância é vida, é luz, esperança que se atiça no fundo das almas mais puras e intocadas pelo sujo conhecimento. Saber demais é padecer no paraíso! Quanto mais se sabe, mais infeliz se é. Agora, quando não se tem compreensão das coisas do mundo e da vida, quando não se entende o fundamento, a necessidade e o decorrer de uma crise, tudo passa tranquilamente e nada nos atinge. Conhecimento, quase sempre resulta em desespero!
As vezes penso que gostaria de estar enfurnada no meio de um mato verde, descalça, usando um modelo de blusa de 2001, voltando com uma bacia nas costas após lavar no rio as roupas dos ''homens da casa''. Sinto inveja de quem não entende esse frenesi maluco que vivemos no mundo urbano. De quem não anda em ônibus e metrôs lotados, de quem acha que engarrafamento é só guardar algo em uma garrafa. Sinto inveja de onde o sinal da televisão não chega, onde o Jornal Nacional não entra, o Datena não tem voz e a crise não tem lugar. Bate todo dia, uma pontinha de inveja branca de quem não sabe a diferença entre PT e PSDB e ainda pode dormir na varanda de casa, sem se preocupar com ladrão. Dá ciúme de quem ainda acredita em assombração, tira aquele leite espumante da vaca todo dia de manhã, não precisa da luz da eletricidade para enxergar nitidamente a beleza da vida e das coisas simples.
O mesmo conhecimento que dá, também tira! Nosso conhecimento urbano, barato e sacana. Esse ''conhecimento'' que gosta de passar a perna nos outros, de tirar vantagem da fragilidade alheia. O ser humano está sujo... sujo de conhecimento! 
E só para deixar bem claro, não estou criticando ou condenando o conhecimento e o aprendizado, os quais, assim como tantas outras pessoas, luto para passar em sala de aula. Não passar no sentido de transmitir, mas no sentido de passar adiante e construir um resultado satisfatório. 
O conhecimento a que me refiro neste texto, é aquele que tira a paz, polui o coração e a mente, mancha as mãos e o caráter, provoca ganância, ilude a alma. Conhecimento arrogante, hipócrita, insolente e insípido. É deste conhecimento que provém as angústias, os roubos, as chantagens e as vitórias imundas. Por isso, defendo a ideia de que ser ignorante é ser feliz. A ignorância tem pureza nos olhos. A ignorância ainda cultiva a flor azul da esperança. Estar distante do conhecimento e evitar a sabedoria imunda garante a vitória sobre o universo.


É mensalão, mensalinho, ele é meu amigo, ele é meu padrinho. Na eleição prometeu, mas depois no seu bairro nunca apareceu!'' (Brothers of Brazil - Tudo pelo poder)



''Lá o tempo espera, lá é primavera. Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar. Em todas as mesas pão, flores enfeitando os caminhos, os destinos, os vestidos e esta canção...'' (Marisa Monte - Vilarejo)

terça-feira, 3 de março de 2015

Quatro estrofes de amor

Necessito que teus beijos
Derramem desejos pelo caminho da minha alma.
Que meu corpo seja saciado
Com o mais quente dos teus calores.

Teus olhos me sorriem calados.
Doces e negras expressões de afeto e paixão.
Gosto dessa pele branca
Que faz a minha se arrepiar de emoção.

Lábios com gosto de alegria,
Beijos com cheiro de felicidade.
Você é todo delícias de viver
E eu sou toda vontade de você.

Peço licença para tomar em mim seu amor.
Mergulhar em teus braços protetores,
Deitar nesse colo quente
E me abrigar para sempre das dores do mundo.



segunda-feira, 2 de março de 2015

Mergulharei neste buraco

Tem dias que quero desaparecer
dentro de um enorme buraco negro 
que me leve para qualquer lugar.
Lugar de refúgio, de saída;
lugar novo, lugar meu.
O ser humano não é ser humano,
eu não sei quem sou,
não sei se quero descobrir,
não sei se quero decidir,
mas sei que quero fugir.
Eu e minha rima pobre,
andando por aí,
procurando um rumo,
perdendo o rumo,
engolindo o sumo.
Não quero ser despedaçada
por uma vida que não entendo,
por um sonho que não vendo.
Não me exijam lucidez
em um mundo de triste embriaguez
onde muitos perdem sua mesquinha vez.
Só quero descobrir um novo caminho,
me libertar desse carinho
que me prende ao que não tenho.
Com licença, estou mergulhando no  buraco...
não sei onde vou parar
e nem se vou voltar.
As vezes estar longe é se encontrar.



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Uma pausa e uma meditação

Eu entendo da vida muito mais do que gostaria de entender. Sei o quanto ela é passageira, conheço, pelo menos de ouvir falar, a maioria dos riscos que estamos expostos o tempo inteiro. Mas também sei de uma coisa: eu gosto de viver. Gosto de respirar ar puro, comer o que há de melhor, trabalhar no que gosto, passear, conversar, ler livros, ouvir músicas. Gosto de abraçar, beijar, dançar, cantar e estar com gente que também gosta da vida, assim como eu. Apesar das dificuldades encontradas pelo caminho, não gosto de ficar triste, de ficar matutando uma coisa que já foi e não tem mais volta, ficar remoendo mágoa de quem já devia se ter perdoado ou simplesmente ficar pensando sobre coisas das quais não tenho o poder de decisão. Aprendi a olhar o ser humano de uma outra maneira e consequentemente aprendi a me respeitar. Não aceito mais migalhas de amor, amizade ou sobras de atenção. Não dou mais importância para aquilo que não me faz bem. Aprendi que algumas coisas e pessoas não merecem o menor resquício de importância. E o que fazer com essas coisas e pessoas desimportantes? A resposta é muito simples: ignore. Ignore tudo o que não acrescenta, tudo o que suga suas energias sem lhe oferecer nada em troca. Não brigue, não discuta com os outros e menos ainda consigo próprio. Respeite a todos, mas você deve vir em primeiro lugar. 
Antigamente, fui fácil de abaixar a cabeça para os outros. Fui mole em engolir sapos e aceitar calada o que colocavam em uma bandeja e me faziam digerir constantemente. Já fiquei triste para agradar os outros e já deixei minhas prioridades para satisfazer as vontades alheias. Já deixei que metessem pitaco nas minhas decisões e já suportei situações mesquinhas em que me sentia absurdamente infeliz. Mas hoje eu aprendi o quanto o tempo e a própria vida são capazes de fazer bem para o ser humano. 
Hoje eu sei o que é me respeitar. Coloco minhas prioridades e minha felicidade na frente de qualquer coisa. Não deixo mais qualquer banalidade corromper de graça a minha sanidade. Respeito meus limites e quando quero superá-los, sei que sou capaz. Respeito meus medos e minhas sensibilidades, sei que eles estão aqui comigo por algum motivo e evito tentar escondê-los. Hoje, não fez bem eu jogo pela lata do lixo! Se um lugar me fez mal, levanto-me e vou embora. Não sou uma árvore! Ninguém pode te obrigar a permanecer na infelicidade. Proporcione a si mesmo o privilégio de ser livre.
Enxergue-se da melhor maneira possível. Você merece o melhor! Merece confiança, merece confiar. Merece carinho, amor, beijo sincero, intenções acompanhadas de ações e tudo o que lhe dá prazer. Merece se sentir bem, leve e livre. Merece recomeçar quantas vezes forem necessárias e merece todas as chances que você é capaz de dar a si mesmo. Não deixe que a mente te impeça de viver e aproveitar o que há de melhor nesta existência. Mantenha sua mente saudável e o seu corpo irá acompanhá-la. Saia de perto de pessoas negativas, não assimile palavras de derrota e pessimismo. Você, melhor do que ninguém, sabe no que deve acreditar em sua vida!



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Pela janela do ônibus

Pela janela do ônibus
passa branco, passa preto,
passa teto, passa casa,
passa pássaro, passa asa.

Pela janela do ônibus
passa tormenta, passa vento,
passa criança gritando no relento,
passa um velho desatento.

Pela janela do ônibus
passa loja, passa hotel,
passa moça usando anel,
passa abelha atrás do mel.

Pela janela do ônibus,
passa ônibus, passa carro,
passa mendigo com catarro,
passa pobre com pé no barro.

Pela janela do ônibus,
passa janela, passa porta,
passa o espaço que comporta
o tudo e o nada da vida que transporta.




Resenha: O duque e eu, série Os Bridgertons - 1

Não esperava que tudo o que desejava lhe fosse entregue numa bandeja de prata, mas sempre achara que, se batalhasse bastante por algo e tratasse todas as pessoas da forma como gostaria de ser tratada, seria recompensada.


Título: O duque e eu
Autor: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 288

O livro que vou falar hoje pertence a um dos meus gêneros favoritos: romance de época. Ele é o primeiro livro de uma série chamada ''Os Bridgertons''. Já fazia um bom tempo que eu estava com vontade de ler os livros dessa série e tenho que dizer que o primeiro livro já me deixou muito feliz e tenho esperança de que com os próximos não será diferente. A autora, Julia Quinn, possui uma escrita divertida que deixa a história ainda mais gostosa de ler. Estão dizendo que ela é a Jane Austen contemporânea e eu concordo plenamente com esses dizeres, já que o romance me envolveu da primeira até a última página, assim como os livros da autora de Orgulho e preconceito
A história é narrada em terceira pessoa (o que eu acho muito melhor do que em primeira) e tem como protagonista uma linda moça chamada Daphne Bridgerton, nascida em uma família grande e amorosa, de oito filhos, irmãos mais velhos capazes de tudo para defender sua honra e uma mãe desesperada em arranjar casamento para suas crias que já estavam na idade. Daphne era bonita e bem humorada, mas não conseguia encontrar um noivo para se casar e realizar seu desejo de formar uma família tão grande quanto a que foi criada. Os rapazes pareciam vê-la apenas como uma boa amiga e não como uma noiva. 
Quando Simon Basset, o lindo e irresistível duque de Hastings, amigo de seu irmão mais velho retorna à Londres depois de seis anos viajando pelo mundo, as mães e as moças da sociedade caem aos seus pés. No entanto, o duque, rapaz sofrido que foi horrorosamente desprezado pelo falecido pai porque tinha dificuldades para falar quando era criança, tem em em mente o desejo de nunca se casar. 
Na tentativa de afastar suas pretendentes, Simon faz um acordo quase secreto com Daphne: fingiriam estar comprometidos. Dessa forma, Simon afastaria as mocinhas insistentes e Daphne conseguiria atrair atenções masculinas para si, já que pareceria muito mais interessante acompanhada do duque de Hastings. Porém, será que esse relacionamento ficará apenas nisso ou se transformará em algo muito maior e intenso? É isso o que você descobrirá ao ler o livro. Aparentemente, a história pode se mostrar um tanto clichê, mas posso garantir por experiência própria de que isso é apenas uma pequena introdução e muitos acontecimentos sucederão a partir do acordo entre Simon e Daphne. Posso adiantar que o livro possui muitas cenas sensuais, mas tudo na medida certa e sem perder a essência principal da história. Como muitos, esse realmente é um livro que eu recomendo para leitura, principalmente para as mulheres. E outra coisa: meu próximo livro da série já está garantido e se chama ''O visconde que me amava''. Se tudo seguir neste ritmo, quero a série completa! 
Desejo a todos uma ótima leitura!




domingo, 22 de fevereiro de 2015

Eu quero meu livre arbítrio

Dizem por aí que todos nascem com o livre arbítrio, que isso é um direito de todo ser humano e que ninguém nunca poderá, nem conseguirá tirar do outro o direito de fazer suas próprias escolhas e tomar suas próprias decisões. Nossa, que emocionante! Realmente, na teoria tudo é muito lindo e perfumado e você pode até ser que concorde que temos sim o livre arbítrio, que todos gozam deste direito e pode até dizer que isto é o que o ser humano possui de mais belo e exclusivo. Eu seria uma chata se tentasse provar que o livre arbítrio não é tão livre assim quanto maquina nossa ilusão, mas infelizmente eu não consigo respirar em falso em um mundo onde tudo tenta engolir a gente vivo e mal dá tempo de decidir qual é a função do ser humano em cima disso que chamamos de Terra. 
Longe de mim querer dizer que esse nosso direito com nome composto discutido neste texto não existe. É claro que existe! Espero que ninguém tenha te obrigado a ler este texto e sim que você esteja aqui por livre arbítrio... está vendo, ele está nas coisas mais simples. Mas será que está também nas mais importantes? É muito bom saber que temos o direito de escolher com quem, quando e como vamos casar, o que vamos comer no jantar de sábado, com quem vamos conversar, qual programa de televisão vamos assistir, dentre tantas outras coisas. Mas será que podemos escolher não nascer? Sim, não é uma pergunta muito comum, mas não deixa de ser uma! Só para constar, não estou falando de aborto. É muito diferente você mesmo escolher se quer ou não nascer do que outra pessoa decidir isso por você. Já que temos um coração e um cérebro formados ou em formação, por que os outros acham que tem o direito de decidir se nos quer vivos ou não?
Bom, mas como eu odeio discutir religião e feminismo, temas e grupos dos quais considero os mais chatos do mundo, vamos retornar para nossa livre decisão. Você, caro leitor, teve o direito de escolher se queria ou não nascer? E o seu nome, foi você mesmo quem escolheu ou decidiram te chamar de Hermengarda sem o seu consentimento? Você vai querer morrer um dia ou prefere continuar vivo e saudável para sempre? Você gostaria de ser loiro ou preferia ser moreno? Eu, mera mortal que sou, não pude escolher o que quis. Nem me perguntaram se eu queria nascer e bum! Jogaram-me aqui neste mundo cruel e pretensioso. E o pior, não perguntaram se eu queria morrer um dia, mas já deixaram o contrato assinado e nem me deram a chance de ler. 
Honestamente, não conheço muito bem esse tal de livre arbítrio. Já ouvi falar bastante, principalmente nos livros de História, mas não sei dizer até que ponto ele é real ou se ele realmente existe e se é igual para todos. Não sei até quando vai essa nossa liberdade mesquinha. Não sei sequer exemplificar o sentido real da palavra liberdade e menos ainda sei abordar o que é ser livre. Só sei que estamos aqui agora e não podemos escolher entender nossa existência.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Resenha: As piedosas

''As piedosas é um romance sobre romances, sobre a avidez, a feiura e a vingança.''

Título: As piedosas
Autor: Federico Andahazi
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 158

Este livro é exatamente o que meu inconsciente estava procurando para ler: estilo gótico, meio mistério, meio terror, meio realidade e ao mesmo tempo ficção. É um livro pouco conhecido e sinto mencionar que isso é uma pena, porque realmente a obra é muito boa e imperdível. A história contém de tudo um pouco: mistério, terror, sexo e eu diria até um pouco de filosofia.

Trocando em miúdos, o livro conta a história (provavelmente fictícia) de William Polidori, secretário do famoso escritor europeu que foi uma grande influência para a segunda geração do Romantismo brasileiro Lord Byron. Polidori sonha em ser tão famoso e escrever tão bem quanto seu patrão, que só vive o humilhando. Ele não quer mais ser a sombra de Byron e sim ter sua própria personalidade e se destacar mais do que o lorde. Um certo dia, William Polidori recebe uma misteriosa carta muitíssimo bem escrita, a qual é redigida por um monstro de sexo feminino. Uma espécie de cisto com vida humana, totalmente disforme, fétido e com pelos cinzentos espalhados pelo horroroso corpo. Esse monstro é a trigêmea de duas adoráveis mulheres e necessita de um alimento muito inusitado para sua sobrevivência, a qual depende também por meio de uma estranha ligação, a vida de suas irmãs: o sêmen humano. O monstro faz um trato com Polidori: ele lhe dá o que ela precisa e em troca ela pode lhe conceder o antigo e flamejante desejo que é o de ter em seu nome alguma obra melhor do que a de Byron. Mas será que esse acordo vai dar certo? Para saber mais sobre essa história intrigante, é necessário fazer a leitura do livro. O exemplar é curto e a leitura é bastante prazerosa. Esta é a segunda obra de Federico Andahazi e ouso dizer que ele é um escritor fantástico, que merecia o triplo de reconhecimento dos leitores de todo o mundo. Bom, a editora publicadora do livro fala por si só. O que poderíamos esperar da Companhia das Letras a não ser algo extremamente maravilhoso e surpreendente? Desejo a todos uma boa leitura e deixo abaixo um link em que encontrei o livro para download. 

As piedosas



Flor de memória

E só para dizer que não falei das flores,
meu caríssimo Geraldo Vandré,
aqui estou eu para ''hablar'' de flores
e consequentemente, de amores. 

Querido Arnaldo Antunes,
as flores de plástico não morrem.
E o que você me diz das flores da memória?

A flor da memória,
a rosa de Hiroshima de Vinicius de Moraes,
a flor que some e depois reaparece azul
diante do olhar navegante.

Vejo flores em você,
vejo amores para você.
Minha miopia não me impede de ver
que haverá alegrias em um dossiê!

Com flores na cabeça,
os pés descalços, meu caro Thedy Corrêa.
As flores seguem musicalizando e poetizando
o que um dia se transformará em flor de memória.




Menina cabeçuda

Acho essa vida tão engraçada! Em um dia estamos vivos e com saúde e no outro talvez a situação seja outra. Por que não conseguimos e nem podemos ser estáveis o tempo todo? Por que as coisas possuem um poder incrível de transformação? É claro que este fenômeno as vezes tem suas vantagens, mas nem sempre queremos ou estamos aptos para ver as coisas mudarem. Aqui, escrevendo com minha caneta Bic mastigada na ponta (como todas as minhas outras canetas), começo a me lembrar de que várias vezes, assim como tantas outras pessoas, eu me pego pensando para quê, afinal, serve a vida e nossa mesquinha e efêmera existência. É claro que as conclusões finais variam de belas, otimistas até melancólicas, assustadoras e tipicamente ultrarromânticas. Acredite, pensar muito não é vantagem, nem nos torna mais felizes ou superiores aos outros animais. Repita comigo: felizes são os seres não pensantes. Nos momentos mais difíceis, aqueles em que realmente fico ''puta'' com essa vida, começo a pensar que Deus é malvado e que só nos colocou aqui para assistir nossa existência repleta de altos e baixos e que sempre acabará no mesmo maldito buraco, literalmente! Imediatamente tento me libertar dessa reflexão insana, afinal, se ''Deus é amor'', Ele faria uma coisa dessas? Com certeza, não! Deve haver um motivo muito mais nobre para nossa vivência e esse com certeza não seria a opção mais poética e reconfortante. Melhor não pensar mais nisso! O que eu havia dito mesmo sobre os seres não pensantes serem mais felizes? Já esqueci! Perdão, Deus! Eu e minha cabeça grande, atribuindo a mim o divertido adjetivo de ''cabeçuda''. Eta menina cabeçuda!



sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Resenha: A abadia de Northanger

Título: A abadia de Northanger
Autor: Jane Austen
Editora: L&PM pocket
Número de páginas: 272


Abadia: eram os mosteiros governados por um abade ou abadessa, que tiveram grande importância na Idade Média com destaque para o componente cultural, como a  conservação das obras da antiguidade, incentivo às artes religiosas e preservação de importantes livros em suas bibliotecas. Abadia é um termo derivado do latim "abbatia", que teve origem no aramaico "abba", que significa "pai".
Fonte: http://www.significados.com.br/abadia/

É com base no conceito acima que inicio esta minha resenha de uma obra curta, divertida e leve da ilustríssima Jane Austen. Jane escreveu este romance por volta de 1798 e inicialmente tinha o nome de Susan (o qual não faço a menor ideia do motivo), mas só foi publicado em dezembro de 1817. Assim como as demais obras desta e de outras autoras incríveis, a época retratada ali é infinitamente distante da nossa e por meio dessas obras podemos ter o privilégio de viajar no tempo e conhecer os costumes, os pensamentos comuns e a rotina do povo inglês daquela época. No entanto, todos os que já leram estas obras compreendem o quanto elas conseguiram se manter atuais com relação ao retrato do caráter humano apesar de toda essa distância de tempo. 
Em ''A abadia de Northanger'', Jane Austen parodia genialmente os romances góticos, que eram o sucesso daquela época e constrói uma protagonista esplêndida e apaixonante chamada Catherine Morland e que leva o título de heroína. Catherine é uma daquelas moças inocentes, educadas, confiáveis, mas irremediavelmente sonhadoras. Leitora das obras góticas, a mocinha começa a se imaginar vivendo aventuras sombrias dentro de um antigo castelo ou abadia e essa imaginação é estendida quando é convidada a morar por um tempo na Abadia de Northanger junto de Eleanor Tilney (sua amiga), Henry Tilney (amigo e rapaz por quem é apaixonada) e o pai viúvo deste amável casal (o proprietário da abadia). 
Catherine acaba vivendo uma grande luta entre os conflitos que vive em sua imaginação e entre a realidade, acabando por gerar diversos diálogos reflexivos com Eleanor e Henry, conseguindo dessa forma, livrar-se de seus devaneios de adolescente sonhadora.
A obra de Jane Austen tem como uma das possíveis intenções a de mostrar a que ponto as obras góticas poderiam ''mexer'' com a imaginação fértil e inexperiente das mocinhas. Existe também uma defesa ao gênero romanesco, já que na maioria das vezes eram escritos por mulheres e por este fato era considerado um gênero de segunda categoria.
Bom, ''A abadia de Northanger'' é considerada a obra mais divertida de Jane Austen e eu não tenho porquê discordar, já que a leitura fluiu perfeitamente e fez com que eu desse algumas boas risadas e também me emocionasse com a doce Catherine Morland. Deixo como recomendação para os que gostam de um bom romance de época divertido, crítico, instigante e com final feliz. 


''Havia boa dose de bom-senso nisso tudo; mas há situações da alma humana sobre as quais o bom-senso tem muito pouco poder.''
(A Abadia de Northanger) 



 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A chegada da liberdade

O desejo da liberdade quando chega
quebra os grilhões do medo,
docemente se ajeita,
sem julgar ou apontar o dedo
para o coração que guarda um segredo.

O segredo, em geral, é bem simples
e cabe em qualquer cantinho do mundo.
O segredo é o que dá cor aos vales
e valor ao que chamamos de segundo
no fundo da alma, recanto imundo.

O segredo, vou falar bem baixinho
porque a dor não pode ouvir,
nem contar para o vizinho.

O segredo é: nascemos para a liberdade.
Sim, nascemos para ter asas e voar
sem qualquer desigualdade.

No entanto, ficamos presos...
esquecemos o que queremos
e nos fechamos no escuro de nós mesmos.

Eu nasci para a liberdade,
você também é dono dessa verdade!
E ninguém pode contestar aquilo que é realidade.

Deixe que fiquem falando, resmungando
e saia correndo gritando.
A liberdade está chegando...

A liberdade está aí,
ela já chegou e lhe sorri...
pegue já o que é seu e saia feliz daqui!






quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Dica musical - Brothers of Brazil: uma perfeição sonora

Um belo dia meus ouvidos foram acariciados com uma mistura de rock punk com bossa-nova, cantando algo chamado ''Melodies from hell'' e o amor por essa mistura logo escancarou minha porta e entrou delicadamente decidido a fazer parte da minha vida. Peguei o mouse e voltei a música umas dez vezes só para ter certeza de que aquela perfeição sonora era real. Olhei a data umas mil vezes e mesmo tendo a plena certeza de que é atual, fiquei lendo a descrição do vídeo só para constar que eu não estava sonhando e de que aquela música não era apenas um resultado do meu desejo de conhecer algo que preste nesta atualidade decadente. Obviamente que quando coloquei no vídeo, já sabia que conhecia aquela agradável dupla de um programa de televisão da Redetv e que separada já era suficientemente famosa. Sabia também que eles cantavam juntos, mas nunca tinha tido o privilégio de escutar com atenção. Aliás, devo dizer que minha curiosidade surgiu justamente por ser fã do Supla e desde muito tempo só escutar as músicas do Tokyo e dos álbuns ''Charada brasileiro'' e ''Bossa furiosa''. Pensei que ele e o irmão deveriam ter gravado discos e ainda bem que eu estava certa! O álbum mais novo deles foi lançado quase no final do ano passado e eles seguem fazendo shows pelo mundo inteiro.
Supla, roqueiro conhecido desde os anos 80 teve alguns hits de sucesso e é conhecido como um dos poucos adeptos do estilo punk no Brasil. Possui um talento inconfundível, ótimo para fazer interpretações, vestimenta nada comum e uma voz que encantadoramente se encaixaria em qualquer música, simplesmente uniu o útil ao agradável na dupla com seu irmão João Suplicy, cantor de bossa-nova, estilo bem menos gritante e bem mais tranquilo e dono de uma voz linda e extremamente musical para fazerem essa beleza de música que eles mesmos chamam de ''punkanova''. 
Com letras inteligentes e muito bem interpretadas, as músicas dos Brothers of Brazil invadiram meu coração e me mostraram que ainda existe gente capaz de fazer música de qualidade. O estilo deles é muito musical e com certeza mereceria muito mais reconhecimento do que tem recebido. Considero um pouco de coragem investir em um outro estilo de música em um mundo onde o sertanejo universitário tomou conta e penso que aqueles que ainda não se entregaram à febre do sertanejo, deveriam aprender a valorizar um pouco mais os artistas que saem da nossa terra, em vez de ficar colocando em pedestal gente de outro lugar que está pouco se lixando para o povinho brasileiro. Temos artistas fantásticos aqui e devemos nos tornar público deles antes de sermos público de qualquer gringo com brinquinho na orelha. Quantos artistas tiveram que sumir do Brasil para conseguir reconhecimento porque aqui não estava virando nada? Pois é, a lista é inumerável! 
Eu sempre gostei muito do Supla, dessa mistura dele de Billy Idol com David Bowie, aquelas roupas coloridas, cabelo loiro espetado, corpo em forma e sempre vivi inconformada por ele não ter o reconhecimento e o sucesso que merece, mas confesso que imaginava que ''os brothers'' tivesse sido apenas um programa de televisão e não sabia que eles eram mesmo uma dupla musical. 
Supla já recebeu infinitas criticas em algumas músicas do passado, como a famosa ''green hair'' que ficou muitas vezes em primeiro lugar no ranking dos piores clipes do mundo segundo a MTV, mas sempre deixou bem visível uma grande humildade e carisma em todas as suas entrevistas e por esses e outros motivos dá para se reconhecer que o cara tem voz, charme e talento. Então, vamos acabar com o preconceito? Aliás, se ''green hair'' é o pior clipe do mundo, com certeza nunca escutaram uma tal de Tina Turner, mas deixa isso para lá!
Deixei-me levar pelo encanto musical dessa dupla cheia de estilo e talento e me apaixonei por todas as músicas, sendo difícil dizer de qual mais gosto. ''Melodies from hell'' foi a primeira que escutei e a produção do clipe é inesquecível. Em geral, as músicas dos Brothers são cantadas em inglês, mas existem algumas em português como ''A vida num segundo'', ''Tudo pelo poder'', ''Domingo de manhã'' e algumas outras que misturam os dois idiomas. O sucesso principal da dupla no exterior leva o nome de ''Viva liberty'' que com certeza, merece ser ouvido. Entre os álbuns estão ''Punkanova'', ''On my way'' e o mais novo ''Melodies from hell''.
Bom, eu apenas decidi reservar um espacinho para divulgar a boa música produzida na atualidade e deixar como dica para aqueles que ainda possuem ouvidos sensíveis para apreciar boa vozes, clipes bem feitos, letras inteligentes e ritmos contagiantes e diferentes. Desejo a todos boas experiências com as canções dessa dupla única, que com certeza vale muito mais do que uma banda cheia de gente!






Querido Cinquenta tons de cinza

Querido Cinquenta tons, é com grande pesar que venho informar por meio desta a grande decepção que tive com o senhor. Sei que depois posso quase ser atacada por um bando de adolescentes/jovens/mulheres adultas que sonham em ser espancadas por um homem só para depois terem o gostinho de fazer uso da bendita lei Maria da Penha. Bom, antes de tudo quero que saiba que compreendo perfeitamente que o senhor Cinquenta ainda é bem jovenzinho e embora já seja precocemente famoso, tenho que dizer que é muito pobrezinho. Sim, o senhor é muito pobrezinho, já que não conseguiu dizer nada em 455 tons de meras páginas jogadas ao léu. Apesar desta minha experiência que eu devo chamar de - aterrorizante - sei reconhecer o quanto o senhor é elogiado por aí e reconheço ainda mais que foi exatamente por esses elogios que tive despertada a curiosidade de me sentar na varanda com o senhor sobre meu colo. No entanto, o senhor se mostrou um tanto ingrato para com a minha curiosidade, tentando me convencer a desperdiçar meu precioso tempo de férias observando uma garota chata de personalidade inconsistente ser agredida por vontade própria por um cara ainda mais chato e de personalidade lunática. Sinceramente, o senhor poderia ter caprichado um pouquinho mais na personalidade de vossas personagens... O senhor, por acaso, já leu algo de nossa querida Jane Austen? Não me surpreendo nenhum pouco se a resposta for negativa! O senhor está muito fraquinho para o meu gosto! Tomo a liberdade de questionar se em algum momento o senhor já pensou em utilizar apenas cinco páginas de um conto para apresentar vossas contraditórias personagens? Tenho a certeza que não! Afinal, o senhor está em busca da tão sonhada fama trilógica. 
Apesar de tudo o que já foi dito aqui, não quero que o senhor se ofenda, afinal, consigo compreender que o senhor não se escreveu sozinho, mas não quero perder tempo adentrando nesses detalhes. O senhor pode estar se perguntando quem sou eu para fazer declarações tão grotescas contra o sucesso do momento. Bom, não sou ninguém em especial, mas posso dizer que sou uma coisa: leitora. Sim, sou uma leitora que busca aventuras, emoções, romances comoventes, dramas intensos e até aquilo que é chamado de clichê ou carne de vaca, desde que me acrescente e inspire. O senhor, no entanto, é insípido e isso me decepcionou, pois como uma boa leitora econômica eu não gastaria meus pobres cascalhos com algo de vosso nível.
Eu, que jamais critico o gosto literário de outrem ou que critico menos ainda a leitura de best-sellers ou quaisquer trilogias, sinto-me traída com vossa inconsistência e superficialidade. Vossa sensualidade, além de ser especialmente vulgar, é cansativa e repetitiva. Além do mais, obrigada por deixar claro que algumas mulheres se excitam quando são espancadas, alguns dos mais terríveis bandidos do nosso Brasil varonil gostarão muito de saber disso, ainda mais sabendo que o senhor não é brasileiro, e nós adoramos uma moda importada.
A propósito, antes que eu me esqueça, deixo abaixo alguns sinônimos da palavra ''enrubescer'', verbo utilizado 455 vezes pelo senhor. Termino aqui esta carta e espero que não se sinta ofendido, apenas tente melhorar da próxima vez que tiver a oportunidade, embora a minha credibilidade o senhor já não tenha mais (não que eu a considere grande coisa!) e acredite, ver o senhor nos cinemas seria a última coisa que eu faria.
Sucesso na carreira cinematográfica e receba os meus humildes cinquenta tons de reprovação.

Enrubescer: Tornar (-se) vermelho. Ruborizar (-se), corar. 


Sinônimos:  vermelhar-se, corar, envaidecer- se, afoguear, abrasar, esbrasearinceder, incendiar, queimar, avermelhar,ruborizar, vermelhar, colorir, envergonhar-se, purpurearrosaji-se, tauxiar, tingir,pejar, perturbar-se, confundir, ruborizar-se, ruborejar, nacarabrasear, escandescer ,esfoguear, rosear, acarminar, carminar, rubificar,envermelhecer, inflamarerubescer, rosar, rubescer, ruborescer.



segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Nuvem negra

Hoje foi uma das poucas manhãs em que eu acordei com uma nuvem bem negra pairando sobre minhas ideias. Não tenho tanta certeza se quero isso ou aquilo, não sei se aposto tudo ou saio correndo só para garantir o pouco que me resta. Tive uma boa noite de sono, mas sonhos nem tão desejáveis. Tenho medo de alguma coisa, sinto uma pitada de insegurança embaçando toda a minha natural felicidade de estar em pé e respirando plenamente. Vejo uma nuvem cinza-escuro fazendo sombra em minhas reflexões mais brandas e não sei se devo observá-la como um início das boas temporadas de chuva, um alarme falso do tempo ou como apenas uma tempestade passageira, dessas que chegam quando o calor se acentua insuportavelmente. Carrego incertezas quanto a origem da nuvem e se devo mesmo ter o trabalho de olhar para cima e notá-la ou se devo simplesmente ignorá-la, já que não foi eu quem a invoquei. Meu raciocínio amanheceu um tanto embaçado neste dia e isto me deixa meio fora do ar... Quero esclarecer meu pensamento, deixar tudo em ordem e esperar pacientemente pela melhor estação. Deixe-me acompanhada de minhas metáforas , livros e canções. Tenho a liberdade de fazer meu caminho, destruir meus perigos, persuadir meus medos, acordar meus sonhos. Sou capaz de enxergar a beleza do meu eu, de valorizar tudo o que posso fazer de bom e assim seguir cantando e respirando os novos ares que deverão encher meus pulmões de paz. 
Apesar de toda e qualquer nuvem negra, sei quem sou e no fundo, lá no íntimo do meu ser eu tenho a certeza de que posso dissipar qualquer elemento duvidoso que ouse pairar acima de mim. 




sábado, 24 de janeiro de 2015

Apaixonada por seu coração

Darcy dos olhos distantes, 
do sorriso enigmático,
à altura da própria elegância,
bondade sem alarme,
querido da minha alma!

Chegou de leve em meu coração
e nem tentou se sobressair.
Sorriu e virou para o lado,
olhou e desviou a mente,
amou sem ser estridente.

Vive em meus sonhos,
fere meu orgulho,
é desprovido do mesmo.
Seriedade que conquista,
voz que não deixa pista!

E eu, a pobre Elizabeth,
perdida em meus devaneios
sonho em estar ao seu lado,
compartilhar da natural elegância,
caminhar por bosques de amor,
sorrir aos ventos da emoção.

Não preciso de uma casa gigantesca,
mas de seu amor sincero e confiável.
A aparência de seu coração
quero contemplar
sem pressa de chegar em casa,
sem horário e nem lugar.

Por: Miriã Pinheiro


Poema inspirado na obra ''Orgulho e preconceito'' da Jane Austen, usando a protagonista Elizabeth como eu-lírico.